
Foi a partir da leitura de um livrinho interessante “A Arte de Produzir Música” (não me perguntem pelo autor, esqueci o livro em casa e não me lembro o nome do camarada) que eu parei para, pela primeira vez na vida, fazer uma lista relativa a um assunto no qual eu me amarro: produtores musicais. Sim, aqueles camaradas que teoricamente têm apenas a função de apertar os botõezinhos, mas que acabam sendo imprescindíveis para que certos discos se tornem clássicos. O trabalho do bom produtor, de acordo com depoimento do hors concours George Martin dado no livro, é dirigir o artista e não deixar que ele perca o foco e se esvaia em delírios de estúdio (coisa que, para quem produziu os Beatles, ele deve ter feito muito bem). Steve Albini, guru da nova geração de produtores, tem uma opinião bastante pé-no-chão: “Ninguém entra numa loja de discos pedindo pelo novo trabalho do produtor tal e do engenheiro de som tal. As pessoas querem é o ARTISTA, então é bom o produtor saber o seu lugar”. O livro é bem bacana, e a minha listinha é a que segue, sem George Martin, claro. Senão vira covardia.
- RICK RUBIN (o sujeito da foto aí em cima) – É provavelmente o cara que fez mais coisas legais com artistas diferentes. Fundador da Def Jam e Def American, pilotou a mesa em discos clássicos como “Licensed to Ill” (Beastie Boys), “Blood Sugar Sex Magic” e “Californication” (Red Hot), “Reign In Blood” (Slayer), “Wildflowers” (Tom Petty), “Raising Hell” (Run DMC) , “Cash” (Johnny Cash, o clássico disco onde os Heartbreakers são a banda do véio) e “Electric” (The Cult).
- STEVE ALBINI – O homem por trás do amalucado Big Black produziu apenas dois discos de grande vulto mas com impacto devastador: Surfer Rosa, do Pixies, e In Utero, do Nirvana. Kurt Cobain chegou a se derramar para o sempre sisudo e problemático Albini dizendo que aquele era o som que ele (Cobain) queria ter tirado em Nevermind.
- BRIAN ENO – Nunca fui muito fã das coisas dele como músico, mas como produtor o camarada manda bem: lapidou “Low”, de Bowie, vários discos do U2, Talking Heads e, reza a lenda, gravou as demos do Television que desembocaram em nada mais nada menos que o Marquee Moon.
- PHIL SPECTOR – Na tradicional hierarquia dos produtores musicais é o que vem logo abaixo de Sir George Martin. Talvez seja o personagem mais pirado (no bom e no mau sentido) da música pop. Primeiro por ter criado técnicas como o “Wall of Sound” e participado de gravações essenciais de artistas como Ronnettes, Beatles, Ramones, George Harrison (é de Spector a produção de All Things Must Pass). Depois por ser um maluco de carteirinha, respondendo inclusive por uma acusação de homicídio.
- ANDREW LOOG OLDHAM – “Apenas” produziu todos os grandes discos dos Stones.
- EDDIE KRAMER – O braço esquerdo de Jimi Hendrix (entenderam a piada?) era na teoria um mero engenheiro de som, mas à medida que o Negão foi evoluindo – e pirando – Kramer teve um papel fundamental no sentido de transpor para fita e viabilizar tecnicamente a avalanche de idéias do rapaz.
- QUINCY JONES – E falando em negão, taí um grande produtor no melhor estilo George Martin. Quincy é um ouvido refinadíssimo que cuidou nada menos do que criar a estética “Michael Jackson”, assinando a produção de Off the Wall, Thriller e Bad.
- NIGEL GOODRICH – “OK Computer”. Sem maiores comentários. Ele poderia se aposentar depois de ter produzido essa pedra.
- CHRIS BLACKWELL E LEE PERRY – Não que tenham trabalhado juntos, mas são os responsáveis técnicos pelo fato de o reggae ser bem gravado e palatável para ouvidos não-jamaicanos.
- ALAN PARSONS – Não foi bem um produtor na acepção da palavra, mas trabalhou como engenheiro de som em dois disquinhos bem fracos e pouco influentes: Dark Side of The Moon e Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band. Outro que morre com muita história pra contar...
- TED TEMPLEMAN – Criou o som do Van Halen, e esse som influenciou muita gente nos anos 80 até o comecinho dos 90. Também produziu vários discos de Van Morrison da fase pós-Astral Weeks.
- JIMMY PAGE – Peraí, ele é músico! Sim, músico de mão cheia, mas foi o responsável direto pelo som do Led Zeppelin, pois produziu TODOS os discos da banda.
- BUTCH VIG – Nos idos dos anos 90 eu o achava o máximo, o cara com quem eu gostaria de gravar um disco. Hoje vejo um monte de mamão nos discos que ele produziu. O som de bateria dele – que o mesmo em Nevermind e Siamese Dream, por exemplo – é sacal demais. De qualquer forma, por ter pilotado a mesa em obras tão marcantes ele entra na lista.
E OS PIORES PRODUTORES DE TODOS OS TEMPOS
- JEFF LYNNE – Criador supremo do som “creme-de-leite” e responsável pelos piores discos de Tom Petty (sim, o Full Moon Fever seria bom se ele não tivesse produzido), Bob Dylan e George Harrison. Lixo total.
- BOB ROCK – O nome já denota canastrice. Os genes do canadense estão espalhados por todos os discos de metal farofa dos anos 80: Motley Crue, Bon Jovi, Poison e The Cult (O Sonic Temple, produzido por ele, é um bom disco. O único problema é ter o “som” Bob Rock). Mas o grande trabalho dele foi o Álbum Preto do Metallica, no qual, justiça seja feita, conseguiu tirar o metal do gueto e alçá-lo à condição de gênero a ser ouvido em rádios.