quinta-feira, março 30, 2006

GROUND CONTROL TO MAJOR PONTES


A cobertura televisiva da viagem do primeiro brasileiro ao espaço foi engraçadíssima. Apenas três canais - Globo, Cultura e Band - deram bola à trip de Marcos Pontes todos à sua peculiaríssima maneira. A Vênus não estava nem aí: preferiu dividir a telinha entre a missão espacial e um modorrento Santa Cruz x Central. A Cultura preferiu mostrar por cacetadas de minutos a imagem do foguete - parado - enquanto os narradores não sabiam nem mais o que falar para "descrever" a intensa movimentação que se desenrolava na tela.
Mas o melhor momento ficou para a Band. Numa repentina virada editorial, o Programa do Leão passou a transmitir non-stop os preparativos para o embarque, inclusive com um link ao vivo para os familiares de Pontes. Quando o foguete subiu, o sensacional Gilberto Barros desandou a gritar, no melhor estilo galvanístico: "É o Brasil! É o Brasil! Brasil no espaço! Conseguimos!", para depois engatar um novelesco "Pontes é a prova de que os sonhos se realizam. Nunca desistam dos seus sonhos, minha gente!".
Ora, tecnicamente é uma história e tanto o fato de um brasileiro ir ao espaço, principalmente na companhia de astronautas dos dois países mais tarimbados no assunto: Estados Unidos e Rússia. Isso não se discute. O problema é quando a coisa é encarada ou com total indiferença, isso por conta de ignorância mesmo, ou com deslavado sensacionalismo patriótico. Esse último caso é até mais alarmante: toma-se como símbolo inequívoco de ascensão sócio-cultural do País o fato de um patrício estar lá no rabo do foguete, quando na verdade trata-se de um caso isoladíssimo de esforço pessoal (isso sim, para mim é a grande graça da parada toda). Em suma, eu fiquei feliz, sim, mas muito mais pelo tenente-coronel Pontes que pelo Brasil. É ele, e só ele que está lá em cima a pensar "planet earth is blue and there´s nothing I can do". Pelo Brasil, realmente, está difícil fazer algo...

Nenhum comentário: