Nos idos dos anos 80 Luciano do Valle teve uma idéia de gênio: juntar grandes craques do passado no que seria a Seleção Brasileira de Futebol Master. E de repente, de uma hora para outra, estávamos vendo em ação mitos como Rivellino, Gérson, Luís Pereira, Edu e Cafuringa, jogadores “clássicos” cujos feitos só conhecíamos por livros, revistas, videoteipe e mitologia. Vale ressaltar que até Pelé jogou o primeiro Mundial Master organizado pelo narrador, e em cuja final perdemos para a Itália (os carcamanos disseram que foi a “vingança” por 1970).
Assistir ao show que os Rolling Stones fizeram ontem em Copacabana me fez lembrar automaticamente dos torneios de futebol master da antiga Rede Bandeirantes, hoje Band. Entendam: você vai ver os camaradas, sabe que eles já jogaram muita bola, escreveram seus nomes na galeria dos imortais, mas que não agüentam mais correr os 90 minutos, tudo por conta da implacável ação do tempo.
Os Stones entraram matando a pau com Jumping Jack Flash e eu me animei, crente de que o entusiasmo do meu post anterior sobre os caras seria cristalizado na forma de uma apresentação impecável. E como os craques do passado, eles correram pra valer nos minutos iniciais, ensaiariam jogadas de efeito, mostraram que a desculpa da “falta de entrosamento” é apenas para pernas-de-pau, pois os verdadeiros craques se comunicam por telepatia. Mas quando parte do palco se moveu até a rafaméia – as 3.500 pessoas que tiveram o privilégio de ficar na frente do palco principal foram os tais convidados vip - enquanto eles tocavam, se não me engano, “Miss You”, já deu para perceber sinais de cansaço nos velhinhos, principalmente em Keith Richards e num inexplicavelmente morgado Ron Wood. Seguiu-se então um show levado em banho-maria, com os músicos errando aqui e acolá e Mick Jagger tentando compensar com mugangas mil a falta de voz que se anunciava. Keith chegou a tocar Midnight Rambler sentado no tablado da bateria, visivelmente estafado. Quando fecharam com Satisfaction era visível o sentimento de “acaba logo!” nos músicos. Não se pode reclamar que os Stones não são profissionais – e o são ao extremo – mas é que o gás acabou antes do tempo.
Tecnicamente o show é perfeito, tudo é cronometrado e funciona às mil maravilhas. Mas o que eu acho complicado é exigir que vetustos senhores na casa dos 60 anos façam um concerto de rock de mais de duas horas sem deixar a peteca cair no que diz respeito à adrenalina. Luciano do Valle enxergou o óbvio: nos campeonatos de futebol master os jogos tinham dois tempos...de vinte e cinco minutos cada. Tudo para que os craques do passado pudessem nos brindar com grandes jogadas, e sem nos dar o desprazer de vê-los tropeçando nas próprias línguas.
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