A pedido do meu grande amigo Fábio “Lapa” Araújo, topo levantar uma discussão interessante: você odeia os Estados Unidos da América? Vá a uma reunião de pessoas bonitas, descoladas e “de esquerda” em algum maracatu da vida e você vai ouvir os “sim” mais retumbantes da História. Tente repetir a pergunta numa típica reunião de mauricinhos e patricinhas nos festivais de verão da vida e a resposta vai ser diferente: “claro que nããããõ!”.
Como a idiotice e a falta de senso crítico dos dois grupos é bem parecida não poderia se esperar coerência nas respostas. Tudo bem, você tem o direito de amar ou odiar quem quiser, desde que não o faça baseado em preconceitos tacanhos, informações deturpadas, entre outros.
O fato é que os Estados Unidos não devem ser idolatrados nem odiados. No mínimo devem receber moções de apoio ou repúdio por fatos perpetrados ao longo da História. No primeiro caso vai aquilo que os mauricinhos-cabeça-oca não sabem porque não lêem nada, e que os esquerdistas-de-profissão se negam a ver por lerem as coisas erradas: o mundo deve aos americanos centenas de milhares de progressos tecnológicos, medicinais, políticos e culturais (sim, culturais!) que facilitam e deleitam nossas vidas até hoje. Por outro lado, é um fato que os camaradas lá de cima já vacilaram muito em nome do ideal de “freedom” deles. Já mataram, já promoveram golpes, invasões, terrorismo de Estado, entre outras coisinhas. Simples: como todas as nações com um mínimo de representatividade (no caso deles é uma puta representatividade) e historicamente movidas pela economia de mercado, os Estados Unidos têm suas manchas e seus momentos de glória.
Mas porque raios o anti-americanismo (porra, é com ou sem hífen?) está tão em voga nos dias de hoje? Eu noto que a história vem antes mesmo do 11 de setembro, pois já vi um monte de gente - é sério o que eu vou falar - dizer que ficou contente ao ver os Boeing da American Airlines se estabacarem no World Trade Center. É, minha gente, 3 mil inocentes morreram naquela parada e ninguém “esclarecido” e “cabeça” demonstrou indignação, primeiro porque ficaram, no íntimo, maravilhados com a ação dos terroristas no até então impenetrável território americano. Segundo porque chega aos píncaros do politicamente incorreto demonstrar solidariedade aos EUA, qualquer que seja a questão.
Claro que George W. Bush não ajuda em nada na tarefa de amenizar esse ódio todo. O cara não é simpático, tem notória dificuldade para se expressar, nenhum lastro intelectual e por aí vai. Claro que as sucessivas recusas em obedecer às resoluções da ONU também não contribuem, digamos assim, para que os EEUU (essa é das antigas, hein?) sejam tidos em boa conta. E, obviamente, as aventuras militares de Bushinho também não têm repercussão positiva mundo afora. Mas o desprezo gratuito pelos EUA me parece mais uma dessas premissas de esquerda que têm de ser dogmaticamente seguidas pelas pessoas "esclarecidas". Remonto ao caso do post sobre os muçulmanos, que gerou tanta polêmica: não se trata de babar o ovo dos americanos, mas de olhar criticamente para o país, sem a cortina de fumaça do preconceito "esclarecido". Digo isso pois, em linhas gerais, quem odeia cegamente os americanos são as mesmas pessoas que não admitem que Fidel Castro é um ditador com uma enorme folha corrida de assassinatos nas costas (a Anistia Internacional estima que sejam 17 mil mortos pelo regime). E com esse nível de "argumentação" realmente fica difícil discutir. Bom, para resumir a parada: eu acho Bush um cagão, mas adoro os Beach Boys.
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário