Terça-feira, Janeiro 03, 2006

Se tem uma coisa que eu acho um saco é essa discussão sobre que década foi mais interessante no que tange à música: 80 ou 90. De um lado a galera que ainda queria estar usando bolsa da Company e camisa de ombreira, e do outro a rapaziada dos cabelos compridos, camisas de flanela e streetwear. O que eu acho mais estéril nesse debate é o fato das preferências estarem intimamente ligadas à infância/adolescência das pessoas em questão, ou seja: eram as coisas que se curtiam em determinada época das vidas delas. Ponto. Não precisa ficar dizendo que isso é melhor que aquilo só porque foram separados por alguns anos. A discussão frenquentemente descamba para a idiotice completa. É ridículo dizer que os anos 80 foram "trash" só por causa das roupas rosa-shocking, verde-limão, dos mullets, do Menudo e de Eddie Murphy. Ao mesmo tempo é de proporcional ignorância conferir aos anos 90 a pecha de "década da alienação e da afirmação da individualidade" por conta do niilismo do pop-rock da época. Não sei se essa minha opinião é fruto de visão crítica ou se é obra do acaso, uma vez que eu me encontro no meio do caminho das duas décadas. Até hoje ouço - e gosto muito - de coisas oitentistas como Bruce Springsteen da fase Born In The USA, Cure, Smiths, Michael Jackson (fase Thriller), e até mesmo os one-hit wonders do período. Por outro lado eu acompanhei atentamente toda a revolução do pop nos anos 90, a emergência do rock alternativo, do hip-hop, do mangue. E olhe que os detratores de cada década cagam feio no pau em alguns quesitos. Quem gosta de rock indie e diz odiar os anos 80 se esquece que foi essa década que pariu Sonic Youth, Dinosaur Jr, Pixies, Flaming Lips, Nirvana (sim, o primeiro disco deles é de 1988), entre outros. Já a rapaziada festeira oitentista e que odeia o tal rock alternativo também baba com coisas essencialmente dos 90 como Beck, Red Hot (fase Blood Sugar), Counting Crows, Hip Hop em geral e por aí vai. Eu sei que escrevi demais, tentei dar um verniz acadêmico para esse negócio mas é bom terminar com uma velha máxima matuta: gosto é que nem cu, cada um tem o seu. E que sejamos felizes com os nossos (gostos e cus).

A COISA MAIS LEGAL DOS ANOS 80
- O desencano, a leveza e o bom humor da maioria das canções da época.

A COISA MAIS LEGAL DOS ANOS 90
- A volta do espírito punk à música.

A COISA MAIS CHATA DOS ANOS 80
- A quantidade de efeitos que se usava nas músicas. Durante um tempo funcionou como linguagem, mas depois cansou.

A COISA MAIS CHATA DOS ANOS 90
- A procura incessante por um som "cru". Durante um tempo funcionou como linguagem, mas depois encheu o colhão.

1 comentários:

haroldflynn8178 disse...

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