segunda-feira, janeiro 23, 2006

ELE VEM!!!


Eu sei que Babau do Pandeiro não é mais novidade. Eu sei que não fui o primeiro a chegar com um disco do cara e dizer: "Ouçam isso aqui, vejam que foderoso!". Mas certas coisas precisam ser ditas: Babau vai estar entre nós na prévia carnavalesca da Trashdance, que acontece no Clube Líbano, no dia 10 de fevereiro. Oportunidade única para vê-lo, ao vivo, detonando clássicos como Bebe água Galinha, Somos Seis (Cavaleiros da "Táuba" Redonda), Bota a Cabra pra Berrar, A Coca-Cola no Municipal, e os novos hits como Baba do Cururu, Minha Bicicleta ("A minha bicicleta anda menos que um carro/E um carro anda mais que a minha bicicleta/Mas ela tem uma vantagem: anda mais do que quem anda a pé") e A Véia dos Peito Mole. Simplesmente imperdível.  Posted by Picasa

quarta-feira, janeiro 18, 2006

SEM FRESCURA, SEM DISFARCE, SEM FANTASIA




Não, eu não sofro desse saudosismo frenético pelos anos 80. Vá lá, eu até gostaria de poder ficar a tarde toda jogando bola na rua ou falando besteira com os amigos, sem ter preocupação com bulhufas, tal qual acontecia na "Década Perdida", mas sem essa de querer todas as cores, cheiros e sons dos Eighties de volta, por favor. Mas há coisas tipicamente oitentistas que fazem um falta danada, e uma banda com o espírito do Ultraje a Rigor é uma delas. Claro que eu gostava dos caras à época, quando era um moleque imberbe, mas ouvir as pérolas da gangue de Roger Rocha Moreira nos dias de hoje tem um sabor especial.
Pensem bem e cheguem à óbvia conclusão: num País tão assolado por bandinhas modernosas e cujas letras patinam invariavelmente pelo existencial-de-merda ou pela crítica-social-de-esquerda-de-bar - passando obviamente pelo romantismo-nerd-da-era-digital - as canções do Ultraje ainda se sobressaem por trazerem mensagens de uma contundência impressionante. Que compositor descolado, nos dias de hoje, escreveria algo tão simples e direto quanto "Ciúme"? Alguém saberia balancear bom humor e sacanagem para compor "Sexo" (que foi lançaada, é bom lembrar, em pleno processo de redemocratizaçao do País)? Que tal as óbvias pancadas no conformismo, como "Inútil" e "Rebelde Sem Causa"? De saco cheio dos políticos? Então tome "Filha da Puta", gritada com todas as letras e obviamente censurada nas rádios da época. Quem vai negar a certeira bordoada nos costumes do Brasil pós-Ditadura feita em "Pelado"? E o mais sublime: nesses tempos brabos onde grassa o politicamente correto, quem teria colhão suficiente para gritar "Eu Gosto é de Mulher" sem receber chapuletadas de ONGs e outros patrulheiros de plantão? Roger é um compositor diferenciado, uma espécie de Nelson Rodrigues do rock nacional. Fez críticas sociais como nem Renato Russo e Herbert Vianna (para citar os dois mais prolíficos compositores da época) conseguiram, e com o charme de nos fazer rir da desgraça. Falou de putaria como nenhum outro teria coragem de falar (fazer todo mundo faz, né?). Atualmente a banda reformulada - só Roger e Serginho remanescem da clássica formação, e mesmo assim este último só voltou mais recentemente - até tem conseguido emplacar algum espaço na mídia por conta do Acústico MTV, mas tudo graças às inesquecíveis canções perpetradas nos anos 80. E para nossa infelicidade o Sr. Rocha Moreira é hoje absurdamente tido como uma coisa menor na história do rock brasileiro, em cujo Olimpo só é permitida a entrada de "gênios atormentados" como o próprio Renato Russo e Júlio Barroso. Sinal de que não temos mesmo salvação.


Na foto acima, a clássica formação do Ultraje a Rigor: Leospa (bateria), Roger (guitarra/voz), Serginho (guitarra) e Maurício (baixo).
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segunda-feira, janeiro 09, 2006


Que eu sou uma espécie de papa-biografia todo mundo sabe. Acontece que invariavelmente leio sobre pessoas cujas vidas e obras de alguma forma me interessam, como Bob Dylan, Maradona, Bob Marley e por aí vai. Quando o livro de memórias de Danuza Leão aterrissou sobre o meu colo (cortesia da minha sempre antenada mulher), confesso que já estava curioso, mesmo não tendo qualquer vínculo sensorial-imagético-afetivo com a figura. Curioso pelo simples fato de Danuza ter, todos sabem, vivido uma Vida com esse "V" maiúsculo mesmo, permeada por glamour, dureza, grandes paixões, tragédias singulares, um enredo de filme, enfim. E some-se a essa história fascinante o fato de o livro ter sido escrito com o texto peculiaríssimo de Danuza, cheio de bom humor e fina ironia. "Quase Tudo" (título genialmente bolado por Millôr) funciona como um delicioso mosaico de tudo que aconteceu no Brasil e no Mundo dos anos 50 para cá, tudo entremeado pela cativante figura de Danuza. E sobram belas histórias "lado B" da sociedade e do poder, como a revelação de que João Goulart tinha uma namorada stripper, que Marlon Brando teve um caso gay e que colocou o nome do primeiro filho - Christian, aquele que matou a mulher ou a mãe, sei lá - por conta dessa paixão, entre outras. Celebridades atemporais como Kim Novak, Miles Davis, Juscelino e até Mao Tsé Tung também cruzaram o caminho de Danuza. Mas o fio condutor do livro são os três casamentos da modelo-promoter-jornalista: o primeiro com Samuel Wainer (o homem que, sem exagero, revolucionou a Imprensa brasileira), depois com Antônio Maria e por último com Renato Machado. Os detalhes - muitas vezes sórdidos - dos relacionamentos são expostos sem qualquer pudor, mas sem que isso ofenda nenhum dos envolvidos. Renato Machado, por exemplo, recebeu o maior queima-filme, mas tudo na maior elegência, típica de Danuza: ela afirma que a relação foi para as cucuias por conta do apreço exagerado do apresentador do Bom Dia Brasil por um rabo-de-saia. E há as tragédias, claro, pois até nisso a vida de Danuza foi agitada. A maior foi a perda do filho Samuca, num acidente de carro com a equipe da TV Globo, onde ele era repórter. Tem ainda os detalhes da luta de Nara Leão (aos mais desavisados: a musa bossa-novista era a única irmã de Danuza) contra um câncer na cabeça, e que foi perdida após alguns anos. Vale a pena conhecer a vida de quem a viveu para valer, de peito aberto, pronta pro que desse e viesse. "Quase Tudo" não deixa de ser uma lição para muita gente que não vive.  Posted by Picasa

sexta-feira, janeiro 06, 2006

SE VOCÊ SOUBESSE...

Esse Big Brother é realmente um barato. Como bom fã que sou do reality show fui logo conferir os novos candidatos a instant-celebrity do Brasil, e eis que, mais uma vez, não há surpresas no perfil da rapaziada. Eu até acho que Boninho deve selecionar a galera por cotas: tem a cota da gostosinha inocente, a da gostosona fatal, a do gay, a do negão, a do lutador, e por aí vai. Já imaginaram como deve ser um diálogo entre o chefão do programa e seus subordinados?

Boninho - Já selecionaram o negão?
Produtor - Olha, seu Bonifácio, tem uns três negões aqui que a gente acha que pode emplacar...
Boninho - Tem que ser negão americano: alto, forte e fashion. Negão pobre não dá Ibope, porra...
Produtor - Tá, tá, então a gente tem um aqui.
Boninho - E a gostosinha inocente?
Produtor - Tem de tuia. Precisa ser inteligente?
Boninho (irritado) - Precisa é ser gostosa, caralho!
Produtor - Até porque não tem inteligente mesmo...ah, tem uns lutadores aqui que a gente andou selecionando. O senhor quer ver?
Boninho - Porra nenhuma, bota qualquer um. É só pra arrumar confusão mesmo...
Produtor - Agora, seu Bonifácio, tem o caso mais delicado...
Boninho - O que é?
Produtor - É a vaga de gay...
Boninho - Porque é complicado? Tá cheio de veado por aí, caralho! Pega um puto desses e bota no programa!
Produtor - Mas...é que...o senhor vai querer um gay inteligente como o Jean, afetado como o André Gabeh ou enigmático como o Harry?
Boninho - Ih, rapaz, agora você me pegou....ah, bota qualquer um nessa porra! Tendo mulher gostosa tá limpo!
Produtor - O senhor sabia que tem uma das escolhidas para a vaga de gostosa que já posou para a Playboy?
Boninho - Caralho! Já tão se antecipando? Antigamente posavam depois do programa...mas vá lá, você viu a moça?
Produtor - Vi...
Boninho - É gostosa?
Produtor - Ô...
Boninho - Então deixa. E me traz a Playboy dela.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Se tem uma coisa que eu acho um saco é essa discussão sobre que década foi mais interessante no que tange à música: 80 ou 90. De um lado a galera que ainda queria estar usando bolsa da Company e camisa de ombreira, e do outro a rapaziada dos cabelos compridos, camisas de flanela e streetwear. O que eu acho mais estéril nesse debate é o fato das preferências estarem intimamente ligadas à infância/adolescência das pessoas em questão, ou seja: eram as coisas que se curtiam em determinada época das vidas delas. Ponto. Não precisa ficar dizendo que isso é melhor que aquilo só porque foram separados por alguns anos. A discussão frenquentemente descamba para a idiotice completa. É ridículo dizer que os anos 80 foram "trash" só por causa das roupas rosa-shocking, verde-limão, dos mullets, do Menudo e de Eddie Murphy. Ao mesmo tempo é de proporcional ignorância conferir aos anos 90 a pecha de "década da alienação e da afirmação da individualidade" por conta do niilismo do pop-rock da época. Não sei se essa minha opinião é fruto de visão crítica ou se é obra do acaso, uma vez que eu me encontro no meio do caminho das duas décadas. Até hoje ouço - e gosto muito - de coisas oitentistas como Bruce Springsteen da fase Born In The USA, Cure, Smiths, Michael Jackson (fase Thriller), e até mesmo os one-hit wonders do período. Por outro lado eu acompanhei atentamente toda a revolução do pop nos anos 90, a emergência do rock alternativo, do hip-hop, do mangue. E olhe que os detratores de cada década cagam feio no pau em alguns quesitos. Quem gosta de rock indie e diz odiar os anos 80 se esquece que foi essa década que pariu Sonic Youth, Dinosaur Jr, Pixies, Flaming Lips, Nirvana (sim, o primeiro disco deles é de 1988), entre outros. Já a rapaziada festeira oitentista e que odeia o tal rock alternativo também baba com coisas essencialmente dos 90 como Beck, Red Hot (fase Blood Sugar), Counting Crows, Hip Hop em geral e por aí vai. Eu sei que escrevi demais, tentei dar um verniz acadêmico para esse negócio mas é bom terminar com uma velha máxima matuta: gosto é que nem cu, cada um tem o seu. E que sejamos felizes com os nossos (gostos e cus).

A COISA MAIS LEGAL DOS ANOS 80
- O desencano, a leveza e o bom humor da maioria das canções da época.

A COISA MAIS LEGAL DOS ANOS 90
- A volta do espírito punk à música.

A COISA MAIS CHATA DOS ANOS 80
- A quantidade de efeitos que se usava nas músicas. Durante um tempo funcionou como linguagem, mas depois cansou.

A COISA MAIS CHATA DOS ANOS 90
- A procura incessante por um som "cru". Durante um tempo funcionou como linguagem, mas depois encheu o colhão.