terça-feira, abril 18, 2006

SHOOTING STAR


Quando eu tinha lá meus 12, 13 anos, por aí, morria de vontade de ter um All Star. Àquela época, quando não era sinônimo de descolamento indie, a cria mais famosa da Converse era meio carinha para os padrões lá de Jardim Atlântico e assim sendo eu vivi o resto da minha adolescência e início da fase adulta na saudade. Durante muitos anos eu esqueci que o dito cujo existia, pois me afeiçoei, digamos assim, a outro tipo de calçado: aqueles que misturam tênis e bota, os tais sapatos de trilha. Acho que combinam bem com a minha personalidade 4 x 4.

Mas o mundo dá voltas e quando eu tinha dito a mim mesmo que jamais poria os pés num All Star - pois me julgava velho demais para isso e, confesso, com uma ponta de medo de incorporar uma peça paradigmática do vestuário indie - eis que eu ganho de presente um par do dito cujo. A responsável pelo regalo - minha digníssima - deixou claro que eu sou do tipo que ainda "pode" usar All Star por ter, segundo ela, despojamento na medida certa.

Noooofa!!!!!

segunda-feira, abril 10, 2006

AND THE OSCAR GOES TO...



Incrível mesmo é arrumar tempo para vir aqui ao GG. Nunca pensei que o negócio pudesse ser dessa forma. Mas a entrevista de Suzane Richtofen que vi hoje no Bom Dia Brasil (passou mesmo ontem no Fantástico, mas é que àquela hora eu estava vocês bem sabem onde) é merecedora de dez minutinhos de folga para um breve texto. Sinceramente eu nunca vi uma pessoa fingir tão mal quanto a garota que tramou a morte dos pais. É patética a tentativa de Suzane de soar arrependida e coitadinha. A farsa é claramente perceptível para qualquer pessoa de bom senso e ganhou uma prova documental quando a equipe da Globo flagrou um papo da moçoila com seu advogado (mostrado na foto acima) antes do início da entrevista. Na cena, Suzane é orientada a chorar e se fazer de vítima, no que diz "chorar eu acho que não vou conseguir". Depois é que o advogado sapeca o período descrito acima, no que Suzane dá um pulo , começa a gritar de felicidade e corre para abraçar uma amiga. Se alguém ainda tinha dúvidas que a garota iria ganhar uma pena bem gordinha, acho que agora não tem mais...

quinta-feira, abril 06, 2006

CHANGING PLACES

Rapaziada, estou de mudança. Vai ser difícil aparecer por aqui, pelo menos por algum tempo. Surgiu um desafio profissional que não é nada careta, e papai vai ter que mergulhar valendo nesse negócio. É mais ou menos isso. Boa sorte para mim. E abraços em todos.

sexta-feira, março 31, 2006

TREINO COM BOLAS



A notícia mais "comentável" de ontem foi, sem dúvida, o fato de Parreira ter liberado o sexo para os jogadores na época da Copa. Ou seja, a rapaziada não vai poder usar a desculpa de que estava "nervosa" e "necessitada" se entrar pelo cano no mundial. Se bem que, agora eu me lembrei, Felipão proibiu terminantemente a boleirada de molhar o biscoito durante a Copa de 2002...e o Brasil foi campeão. Será que a abstinência sexual foi a principal causa daquele mundial fenomenal que Ronaldo fez? Sim, pois quando camarada está nas suas eternas raparigagens fica meio mofino, não faz gols, etc. Vai ver é isso. Então, nesse caso a gente corre o sério risco de se lascar na Alemanha, pois a energia dos nossos boleiros periga ser sugada (ops!) por outros meios. Se bem que o nosso principal atleta é o Ronaldinho Gaúcho e, em que pese a gorda conta bancária do rapaz, existe mulher no mundo a fim de dar pra ele?

quinta-feira, março 30, 2006

GROUND CONTROL TO MAJOR PONTES


A cobertura televisiva da viagem do primeiro brasileiro ao espaço foi engraçadíssima. Apenas três canais - Globo, Cultura e Band - deram bola à trip de Marcos Pontes todos à sua peculiaríssima maneira. A Vênus não estava nem aí: preferiu dividir a telinha entre a missão espacial e um modorrento Santa Cruz x Central. A Cultura preferiu mostrar por cacetadas de minutos a imagem do foguete - parado - enquanto os narradores não sabiam nem mais o que falar para "descrever" a intensa movimentação que se desenrolava na tela.
Mas o melhor momento ficou para a Band. Numa repentina virada editorial, o Programa do Leão passou a transmitir non-stop os preparativos para o embarque, inclusive com um link ao vivo para os familiares de Pontes. Quando o foguete subiu, o sensacional Gilberto Barros desandou a gritar, no melhor estilo galvanístico: "É o Brasil! É o Brasil! Brasil no espaço! Conseguimos!", para depois engatar um novelesco "Pontes é a prova de que os sonhos se realizam. Nunca desistam dos seus sonhos, minha gente!".
Ora, tecnicamente é uma história e tanto o fato de um brasileiro ir ao espaço, principalmente na companhia de astronautas dos dois países mais tarimbados no assunto: Estados Unidos e Rússia. Isso não se discute. O problema é quando a coisa é encarada ou com total indiferença, isso por conta de ignorância mesmo, ou com deslavado sensacionalismo patriótico. Esse último caso é até mais alarmante: toma-se como símbolo inequívoco de ascensão sócio-cultural do País o fato de um patrício estar lá no rabo do foguete, quando na verdade trata-se de um caso isoladíssimo de esforço pessoal (isso sim, para mim é a grande graça da parada toda). Em suma, eu fiquei feliz, sim, mas muito mais pelo tenente-coronel Pontes que pelo Brasil. É ele, e só ele que está lá em cima a pensar "planet earth is blue and there´s nothing I can do". Pelo Brasil, realmente, está difícil fazer algo...

segunda-feira, março 27, 2006

FOOLISH LOVER´S GAME




Hoje todo mundo acha que o supra-sumo da veadagem cinematográfica é Brokeback Mountain, e sábado eu me dei conta do quão obsoleta está essa turma. Foi quando tive a oportunidade de rever o filme mais absurdamente homossexual de todos os tempos: Top Gay, ops, Top Gun. Na vera, rapaziada: os caubóis iriam C-O-R-A-R ante a boiolagem que se desenrola no filme de Tony Scott e que versa sobre machíssimos pilotos de caça da marinha americana.

A história todo mundo conhece: Pete "Maverick" Mitchell (Tom Cruise) é um piloto talentoso mas ao mesmo tempo confuso e rebelde, sempre insurgindo contra a ordem, refletida em seus comandantes. Mandado à escola que cuida de treinar os "melhores para serem ainda melhores", a tal Top Gun, ele bate de frente com o também piloto Tom "Iceman" Kazanski (Val Kilmer), num conflito onde sobra tensão sexual (encaradas firmes, indiretas, etc). Os mais afoitinhos deduzem que Maverick está confuso com relação à própria sexualidade e que por isso é tão chucro. Para mim isso não significa muita coisa. O que eu acho mais engraçado é a imagem essencialmente gay que o diretor tenta passar em várias cenas, como naquela célebre onde Maverick e Goose (seu parceiro) estão jogando vôlei de praia contra Iceman e Slider (parceiro deste). É um desfile de corpos suados e de explícita "amostração", tudo embalado ao som de uma música em cujo refrão se ouve "I´ll be playing with the boys".

Também há várias cenas em que a estética homoerótica dá as caras, como na hora do banho (todos de toalhinha na cintura, como o personagem Wanderney, do Casseta & Planeta). Sim, mas aí você me diz: "Pô, o cara pegou a gatinha do filme!". Ainda bem, pois se eu tivesse visto o filme pela primeira vez depois de adulto pensaria sinceramente que ele fosse se esbaldar nos braços de Iceman ao som de "Take My Breath Away".

Como bom xereta eu pesquisei sobre o assunto e me dei conta de que essa aura gay em torno de Top Gun é uma coisa meio mitológica na indústria do cinema. E achei num site ótimas frases em que a galera A-R-R-A-S-A:


Hey man we could of had him! Hey we could of had him man!

I was invaded!

Move your ass get up here! I'm engaged!

Woods been hit! Woods been hit, shit, Woods been hit!

Ok Wood I'm taking the lead

You up for this one Maverick?

No, no, no - there's two O's in Goose boys!

Okay Mav, lets turn and burn! (Essa é ótima...)

We're in his Jet Wash!

He's going vertical, then so am I! (Muito boa também...)

Get your butts above the hard deck. (Uma das melhores...)

I'm not going to sit here and blow sunshine up your ass.

Bullshit ten minutes! This thing will be over in two minutes - get on it!

Hard deck my ass, we nailed that son of a bitch!

Splash that sucker, yeah!

'Goose whose butt did you kiss to get in here?'... 'The list is long but distinguished'

"You can be my wingman anytime".... "Bullshit, you can be mine"

I want somebody's butt, I want it now, I've had it! (Caraca...)

And the killer line:
God it that's twice, I want some BUTTS!!!

sexta-feira, março 24, 2006

TÁ A FIM DE CHORAR?

Então clique no link abaixo e veja quanto do seu suado dinheirinho se esvai em impostos.

http://www.contribuintecidadao.org.br/olhoImposto/

quinta-feira, março 23, 2006

APENAS UM CHATO


À medida que os anos vão passando eu vejo que estou me transformando num chato. Um dos maiores sintomas dessa senilidade precoce é minha indignação com relação às pequenas coisas, pois com as grandes eu nem perco mais o meu exíguo tempo. O exercício felipeano de chatice de hoje é relativo a Luis Fernando Veríssimo e seu consciente mau uso de palavras e definições históricas. Podem ler, está lá no Diario de Pernambuco de hoje o seu artigo "Times" no qual versa sobre uma hipotética pelada em que as equipes se alinhariam de acordo com a posição ideológica.

Começa com a indefectível balela segundo a qual "esquerda" é libertação e virtude, já o termo "direita" significa atraso e maldade quase que genéticos. Incrível que uma pessoa minimamente letrada ainda pense assim, só posso acreditar que é maldade consciente. Bom, mas vamos adiante. Segundo Veríssimo, o personagem Renê, que tenta a todo custo - e sem sucesso - arregimentar pessoas "de direita" para o seu time, é um "reacionário assumido". Outro absurdo, pois o termo reacionário significa, de acordo com o Houaiss "relativo, referente ou favorável à reação". Mas o próprio dicionário, antenado com a modernidade, esclarece que o termo também pode significar, à luz dos novos tempos, "hostil à democracia, antidemocrático; que se opõe a idéias voltadas para a transformação da sociedade; aquele que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução política ou social". Sei...quer dizer então que um militante socialista que brande camisas de Che Guevara, chama Fidel de "presidente" e se nega a comentar sobre os mortos do regime é um paladino da democracia? Ah, bom, então o Veríssimo deve ter acertado. Eu devo ser mesmo um chato.

Mas vá lá. Mais à frente, depois que o pobre do Renê recebe cacetadas de "nãos" dos amigos - todos se recusando a admitir que são "de direita" - eis que surge o Alemão, um rapaz assumidamente "reacionário" que segundo Luis "até retrato de Hitler tinha em casa". Esse é um erro histórico que nem amebas instruídas cometem. Adolf Hitler, como bem se sabe, era um nacionalista paranóico, mas qual era a fundamentação político-ideológica de seu ideário? O socialismo. Sem maiores comentários.

Verissimo até que tenta dar um verniz de igualdade ao negócio todo, uma vez que o Mota, "o mais petista de todos" e incumbido de montar o time da esquerda, também encontrava dificuldades em achar quem se dispusesse a jogar com ele. O autor quer, com isso, incorrer naquela outra balela: a de que não existe mais esquerda e direita. Menos mal é o enunciado não ser totalmente falso, uma vez que no Brasil só existe esquerda de um lado e coronéis de mente atrasada - que eu recuso a chamar de "direita" na acepção da palavra - do outro. Mas essas pretensas boas intenções de Verissimo não colam. Seria muito mais honesto da parte dele dizer os atletas de direita têm vergonha de sê-lo por conta da hegemonia de esquerda existente na classe média, e que os esquerdistas estão pra lá de perplexos por conta dos acontecimentos perpetrados pelo governo que veio libertar o Brasil.

É ficção, eu sei. É brincadeira, também sei. Eu gosto de Luis Fernando Verissimo, tenho cacetadas de livros dele. Mas é que certas coisas "pequenas" não passam mais incólumes pela minha chatice.

terça-feira, março 21, 2006



Foi a partir da leitura de um livrinho interessante “A Arte de Produzir Música” (não me perguntem pelo autor, esqueci o livro em casa e não me lembro o nome do camarada) que eu parei para, pela primeira vez na vida, fazer uma lista relativa a um assunto no qual eu me amarro: produtores musicais. Sim, aqueles camaradas que teoricamente têm apenas a função de apertar os botõezinhos, mas que acabam sendo imprescindíveis para que certos discos se tornem clássicos. O trabalho do bom produtor, de acordo com depoimento do hors concours George Martin dado no livro, é dirigir o artista e não deixar que ele perca o foco e se esvaia em delírios de estúdio (coisa que, para quem produziu os Beatles, ele deve ter feito muito bem). Steve Albini, guru da nova geração de produtores, tem uma opinião bastante pé-no-chão: “Ninguém entra numa loja de discos pedindo pelo novo trabalho do produtor tal e do engenheiro de som tal. As pessoas querem é o ARTISTA, então é bom o produtor saber o seu lugar”. O livro é bem bacana, e a minha listinha é a que segue, sem George Martin, claro. Senão vira covardia.

- RICK RUBIN (o sujeito da foto aí em cima) – É provavelmente o cara que fez mais coisas legais com artistas diferentes. Fundador da Def Jam e Def American, pilotou a mesa em discos clássicos como “Licensed to Ill” (Beastie Boys), “Blood Sugar Sex Magic” e “Californication” (Red Hot), “Reign In Blood” (Slayer), “Wildflowers” (Tom Petty), “Raising Hell” (Run DMC) , “Cash” (Johnny Cash, o clássico disco onde os Heartbreakers são a banda do véio) e “Electric” (The Cult).

- STEVE ALBINI – O homem por trás do amalucado Big Black produziu apenas dois discos de grande vulto mas com impacto devastador: Surfer Rosa, do Pixies, e In Utero, do Nirvana. Kurt Cobain chegou a se derramar para o sempre sisudo e problemático Albini dizendo que aquele era o som que ele (Cobain) queria ter tirado em Nevermind.

- BRIAN ENO – Nunca fui muito fã das coisas dele como músico, mas como produtor o camarada manda bem: lapidou “Low”, de Bowie, vários discos do U2, Talking Heads e, reza a lenda, gravou as demos do Television que desembocaram em nada mais nada menos que o Marquee Moon.

- PHIL SPECTOR – Na tradicional hierarquia dos produtores musicais é o que vem logo abaixo de Sir George Martin. Talvez seja o personagem mais pirado (no bom e no mau sentido) da música pop. Primeiro por ter criado técnicas como o “Wall of Sound” e participado de gravações essenciais de artistas como Ronnettes, Beatles, Ramones, George Harrison (é de Spector a produção de All Things Must Pass). Depois por ser um maluco de carteirinha, respondendo inclusive por uma acusação de homicídio.

- ANDREW LOOG OLDHAM – “Apenas” produziu todos os grandes discos dos Stones.

- EDDIE KRAMER – O braço esquerdo de Jimi Hendrix (entenderam a piada?) era na teoria um mero engenheiro de som, mas à medida que o Negão foi evoluindo – e pirando – Kramer teve um papel fundamental no sentido de transpor para fita e viabilizar tecnicamente a avalanche de idéias do rapaz.

- QUINCY JONES – E falando em negão, taí um grande produtor no melhor estilo George Martin. Quincy é um ouvido refinadíssimo que cuidou nada menos do que criar a estética “Michael Jackson”, assinando a produção de Off the Wall, Thriller e Bad.

- NIGEL GOODRICH – “OK Computer”. Sem maiores comentários. Ele poderia se aposentar depois de ter produzido essa pedra.

- CHRIS BLACKWELL E LEE PERRY – Não que tenham trabalhado juntos, mas são os responsáveis técnicos pelo fato de o reggae ser bem gravado e palatável para ouvidos não-jamaicanos.

- ALAN PARSONS – Não foi bem um produtor na acepção da palavra, mas trabalhou como engenheiro de som em dois disquinhos bem fracos e pouco influentes: Dark Side of The Moon e Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band. Outro que morre com muita história pra contar...

- TED TEMPLEMAN – Criou o som do Van Halen, e esse som influenciou muita gente nos anos 80 até o comecinho dos 90. Também produziu vários discos de Van Morrison da fase pós-Astral Weeks.

- JIMMY PAGE – Peraí, ele é músico! Sim, músico de mão cheia, mas foi o responsável direto pelo som do Led Zeppelin, pois produziu TODOS os discos da banda.

- BUTCH VIG – Nos idos dos anos 90 eu o achava o máximo, o cara com quem eu gostaria de gravar um disco. Hoje vejo um monte de mamão nos discos que ele produziu. O som de bateria dele – que o mesmo em Nevermind e Siamese Dream, por exemplo – é sacal demais. De qualquer forma, por ter pilotado a mesa em obras tão marcantes ele entra na lista.


E OS PIORES PRODUTORES DE TODOS OS TEMPOS

- JEFF LYNNE – Criador supremo do som “creme-de-leite” e responsável pelos piores discos de Tom Petty (sim, o Full Moon Fever seria bom se ele não tivesse produzido), Bob Dylan e George Harrison. Lixo total.

- BOB ROCK – O nome já denota canastrice. Os genes do canadense estão espalhados por todos os discos de metal farofa dos anos 80: Motley Crue, Bon Jovi, Poison e The Cult (O Sonic Temple, produzido por ele, é um bom disco. O único problema é ter o “som” Bob Rock). Mas o grande trabalho dele foi o Álbum Preto do Metallica, no qual, justiça seja feita, conseguiu tirar o metal do gueto e alçá-lo à condição de gênero a ser ouvido em rádios.

sexta-feira, março 03, 2006

DE NOVO? SERÁ?




Quem tem medo do fracasso do Brasil na Copa da Alemanha? Será possível que um time em cuja linha de frente militam Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano pode obter um outro resultado que não seja o título? Como um escrete tão qualificado pode sucumbir à tentação de não ultrapassar a tênue linha que separa o favoritismo do sapato alto? São perguntas que a Imprensa e os torcedores brasileiros ainda não pararam para fazer a si mesmos. É que o clima de euforia por conta da qualidade técnica dos nossos atletas é tão grande que ninguém consegue vislumbrar outra coisa que não seja o hexacampeonato mundial. E isso é um erro crasso.
Eu, que não rasgo dinheiro e por isso não sou louco, também tenho a plena convicção de que o Brasil tem o melhor plantel do mundo e que por isso é franco favorito ao caneco. Mas muito me intriga o clima de “já ganhou” – acreditem, a nosso favor – que nossos próprios adversários alardeiam por aí. Para Maradona é o Brasil contra o resto do Mundo. Beckenbauer diz que é só esperar para ver quem pega a Canarinha na final da Copa. Zidane também engrossa o coro e afirma que todo mundo vai tentar correr atrás do nosso escrete. Nossa Imprensa não se cansa em decantar os feitos do tal Quarteto (às vezes Quinteto, não se esqueçam do Robinho) Fantástico em matérias que transcendem a simples confiança e apelam para uma inequívoca superioridade dos nossos boleiros com relação aos do resto do planeta. E o povão? Esse está nas nuvens. Ora, se o brasileiro veste a camisa e vai para rua até quando a Seleção joga o mais mequetrefe dos amistosos, imagine o que é para ele a perspectiva de ver seu time dar um show anunciado com antecedência em mais uma Copa?
Numa Copa do Mundo o Brasil sempre é favorito, jogando com Ronaldinho Gaúcho no auge da forma física e técnica ou com um obscuro e discutível Paulo Sérgio. Mas isso não significa que sejamos imbatíveis. A Seleção pode ter um assombroso poder de fogo do meio para frente mas tem uma defesa ainda sofrível e um goleiro que, se não compromete, também não inspira tanta confiança. E disso, minha gente, o mundo e Esperidião Amim estão carecas de saber. A confiança no Quarteto é tamanha que às vezes a gente esquece que existem outras seleções na Copa, e que um Van Nilsteroy pode aparecer para matar o Brasil depois de uma falha de Lúcio. Ou que um Henry pode subir sozinho, descoberto pela marcação que Roque Júnior NUNCA faz, e meter a redonda para dentro da nossa cidadela. Nós temos craques? Claro, mas seleções como as já citadas Holanda e França, além da sempre cabulosa Itália, da Alemanha e da Espanha também têm jogadores que podem decidir partidas. Sem contar com a Argentina, que tem para mim o melhor conjunto entre os times que disputarão a Copa.
Também não acredito na baboseira histórica segundo a qual o Brasil entra pelo cano quando chega a uma Copa como favorito e que, proporcionalmente, se dá bem quando vai desacreditado a um mundial. Tabus não têm, por motivos óbvios, qualquer embasamento científico. Mas não custa nada blindar a Seleção contra tanto favoristismo.
Por favor entendam: não se trata de urubuzar o Brasil. Eu torço e acredito piamente na possibilidade de trazermos de vez a Copa do Mundo para cá. Só não concordo com a lavagem cerebral que está sendo feita nas mentes de todo o planeta. Exceto, é claro, naquelas que estão por trás das seleções que podem rivalizar conosco no Mundial, pois elas conhecem nossos pontos fracos. E jogando a responsabilidade em nossas costas ficam livres para surpreender. Trata-se de um belo trabalho psicológico ao qual a comissão técnica da Seleção Brasileira deve ficar atenta. Teoria da Conspiração? Que seja. Em Copa do Mundo vale tudo e se a gente não se ligar entra pelo cano.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

I´VE GOT TO BE A MACHOOOO!!!!!



Faço minhas as palavras do inimitável Quéops Negão em scrap que ele me mandou pelo Orkut: "quando a gente pensa que esse negócio não serve para nada acaba se surpreendendo ". O Orkut é, como bem se sabe, um antro de doidos e doidices de toda sorte, mas tem umas bizarrices que são mais divertidas que outras. É o caso da hilária comunidade "SEM CAMISA NO ORKUT=VIADO". Criada por um maluco lá, tem a nobilíssima função de desancar a rapaziada "fortinha" que sapeca fotos "másculas" e descamisadas em seus perfis. Parece simples e sem graça mas acreditem, é muito escroto. Os camaradas criaram um tal "Banco de Boiolas" onde pinçam os sujeitos e ranqueiam de acordo com o grau de veadagem. E o mais engraçado é ver os fortões doídos, entrando na comunidade para dizer "bando de gordos invejosos, vão malhar! Todo mundo quer ser forte!". O que torna a comunidade realmente engraçada é o fato de não haver homofobia no sentido literal da palavra. É tudo uma grande gréia, com um bando de gaiatos (muitas mulheres inclusive) tirando o maior sarro da cara dos "fortões". Quem tiver tempo dê uma olhada. É hilário ver figuras como Daniel Bombado e seu Bomba-Móvel, o carro movido a testosterona. Ui!!!!

Comunidade SEM CAMISA NO ORKUT=VIADO
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=636170

terça-feira, fevereiro 21, 2006

TOPICOZINHOS II



O show do U2 é um grande disco sendo repetido ao vivo, por isso prefiro falar de topicozinhos curiosos.

• Bono já foi mais macho. Ao invés de cair matando em cima da mulherada, preferiu dar uma bicota em...Adam Clayton! E quando finalmente catou lá uma fulana para cantar With Or Without You ficou se esquivando da dona. Se bem que ela partiu para decidir mesmo e o maleta-humanitário deve ter pensado na patroa em casa vendo tudo, por isso amarelou...
• O momento mais engraçado foi quando Bono, em mais uma de suas maletices integracionistas latino-americanas instigou a platéia a dizer “sim” para vários países do continente. Quando chegou a vez de “Un sí para Argentina!!!”, ouviu uma vaia colossal que o fez dar uma risada sem graça...
• The Edge é um monstro. É ele quem segura a peteca da banda ao vivo, sem sombra de dúvida. Sem contar o extremo bom gosto para instrumentos, proporcionado obviamente por muitas verdinhas no bolso: o camarada só “repetiu” uma guitarra no show todo. Foi uma bela sucessão de diferentes Les Pauls, Telecasters, Rickenbaker de 12 (só uma), Explorer (só uma), 335 (só uma) e Stratos.
• A versão “barzinho de Olinda” para Stuck In a Moment You Can´t Get Out Of ficou bacana. Foi a única vez em que eles arriscaram não tocar o repertório da forma como é gravado.
• Lá pelas tantas o telão imitou uma máquina caça-níqueis, onde apareciam rostos de celebridades. De repente parou mostrando Lula e Bush. Vaias, vaias e mais vaias. Para Lula? Para Bush? Ou para os dois?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

TOPICOZINHOS




Não existe coisa mais chata do que um artista “engajado”, pois o sujeito acaba fatalmente trilhando dois caminhos perigosos: um é o de virar uma caricatura, algo como “lá vem o chato das causas humanitárias”. Outro é o de apoiar fuleiros e fuleiragens por pura falta de conhecimento das coisas. Para desespero total de quem milita no politicamente incorreto, Bono se enquadra com louvor e maletice nas duas categorias. Se ele soubesse para onde vai a grana que ele vai doar para o Fome Zero...
Pelo menos, entre uma maletada e outra, ele não dispensa duas grandes coisas dessa vida mundana: cerveja gelada e mulher bonita.

Cansei de Ser Sexy não é a oitava maravilha do mundo, mas é bem divertido. “Alala”, que eu conheci em Sampa – cortesia de Érika – é uma música muito escrota, e eu a estou escutando nesse exato momento.

Desfile do Tá Maluco é sempre uma boa prova de resistência física. Encontrar os abnegados de sempre (Lho, Balaio, Da Maia, Juliano e família, Samuel, etc) também é motivo de regozijo. E ainda trombei com...CARLÃO! Sim, ele mesmo! Detalhe: estava rodopiando sozinho e soprando um conduit (aqueles tubinhos em que você põe a fiação elétrica) amarelo. Normal, normal...

Dizem que Bono vai passar o Carnaval na Bahia com Zelberto Zel. Entre outras palavras: não se espantem se ele aparecer em cima de um trio elétrico, com roupa dos Filhos de Gahndi, cantando “Festa” com Ivetão. Ou alguém duvida que isso possa acontecer?

domingo, fevereiro 19, 2006

Nos idos dos anos 80 Luciano do Valle teve uma idéia de gênio: juntar grandes craques do passado no que seria a Seleção Brasileira de Futebol Master. E de repente, de uma hora para outra, estávamos vendo em ação mitos como Rivellino, Gérson, Luís Pereira, Edu e Cafuringa, jogadores “clássicos” cujos feitos só conhecíamos por livros, revistas, videoteipe e mitologia. Vale ressaltar que até Pelé jogou o primeiro Mundial Master organizado pelo narrador, e em cuja final perdemos para a Itália (os carcamanos disseram que foi a “vingança” por 1970).
Assistir ao show que os Rolling Stones fizeram ontem em Copacabana me fez lembrar automaticamente dos torneios de futebol master da antiga Rede Bandeirantes, hoje Band. Entendam: você vai ver os camaradas, sabe que eles já jogaram muita bola, escreveram seus nomes na galeria dos imortais, mas que não agüentam mais correr os 90 minutos, tudo por conta da implacável ação do tempo.
Os Stones entraram matando a pau com Jumping Jack Flash e eu me animei, crente de que o entusiasmo do meu post anterior sobre os caras seria cristalizado na forma de uma apresentação impecável. E como os craques do passado, eles correram pra valer nos minutos iniciais, ensaiariam jogadas de efeito, mostraram que a desculpa da “falta de entrosamento” é apenas para pernas-de-pau, pois os verdadeiros craques se comunicam por telepatia. Mas quando parte do palco se moveu até a rafaméia – as 3.500 pessoas que tiveram o privilégio de ficar na frente do palco principal foram os tais convidados vip - enquanto eles tocavam, se não me engano, “Miss You”, já deu para perceber sinais de cansaço nos velhinhos, principalmente em Keith Richards e num inexplicavelmente morgado Ron Wood. Seguiu-se então um show levado em banho-maria, com os músicos errando aqui e acolá e Mick Jagger tentando compensar com mugangas mil a falta de voz que se anunciava. Keith chegou a tocar Midnight Rambler sentado no tablado da bateria, visivelmente estafado. Quando fecharam com Satisfaction era visível o sentimento de “acaba logo!” nos músicos. Não se pode reclamar que os Stones não são profissionais – e o são ao extremo – mas é que o gás acabou antes do tempo.
Tecnicamente o show é perfeito, tudo é cronometrado e funciona às mil maravilhas. Mas o que eu acho complicado é exigir que vetustos senhores na casa dos 60 anos façam um concerto de rock de mais de duas horas sem deixar a peteca cair no que diz respeito à adrenalina. Luciano do Valle enxergou o óbvio: nos campeonatos de futebol master os jogos tinham dois tempos...de vinte e cinco minutos cada. Tudo para que os craques do passado pudessem nos brindar com grandes jogadas, e sem nos dar o desprazer de vê-los tropeçando nas próprias línguas.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

AI QUEM GÉT NÔ!!!! SARESFÉCXON!!!!!



Uma pausa na política internacional, afinal de contas esse veículo se propõe a versar sobre música e fuleiragem. As discussões estava ficando sérias demais, então antes que entremos em sérias dificuldades existenciais por conta das mazelas do mundo globalizado vamos às coisas realmente importantes para o bom funcionamento da nossa cuca. Amanhã os Rolling Stones estarão tocando de graça – eu disse DE GRAÇA – nas areias da praia de Copacabana, num show sem precedentes na História. Sim, nem o Live8 e muito menos o Galo da Madrugada conseguiram a façanha que está prestes a acontecer no Rio: dois milhões de pessoas reunidas em torno de um espetáculo musical.A pergunta é simples: ainda teriam os Stones essa bola toda para correr o mundo com uma turnê megalômana? Em princípio, uma resposta positiva que fosse dada tendo em vista a quantidade de pessoas que vão ao show poderia ser rebatida com o seguinte argumento: “é de graça, meu filho!”. Mas eu discordo. Esses porras desses véios continuam impressionantemente com bala na agulha. Se tem uma banda que entendeu bem o que significa “envelhecer com dignidade” são os Rolling Stones. Eles são milionários, já deram sua contribuição para o bem-estar da humanidade (leia-se “Exile On Main Street”, o melhor disco de rock de todos os tempos, “Sticky Fingers”, “Her Satanic Majesties Request”, entre outros) e podiam muito bem curtir suas gordas aposentadorias em ilhas privadas mundo afora. Mas resolveram continuar a tocar juntos, gravar discos fazer turnês. Sim, muitos artistas veteranos o fazem, mas nenhum com o desencano dos Stones. Ver o Pink Floyd tocando “Confortably Numb” no Live8 dá um sono danado, mas quando Keith Richards manda o riff de Start Me Up – música que abre os shows dos caras há anos – você saca que o negócio é diferente, bem diferente.Mick Jagger ainda corre e rebola o tempo todo. Charlie Watts mantém a mesma base sólida de sempre, e com a discrição de sempre. Ron Wood é o coadjuvante perfeito para Keith, esse sim o grande showman da banda. Sim, eles estão velhos pra caralho, Mick e Keith parecem dois maracujás de gaveta, mas os caras ainda têm colhão para encarar – e deixar de cara – a platéia que for. Em suma, o Rio vai testemunhar aquele que certamente será o último show dos caras no Brasil. E vai ser um showzaço, podem acreditar.O primeiro show dos caras aqui, em 1995, foi um acontecimento para mim. Comprei birita e fiquei acompanhando em casa ao lado do meu saudoso pai, que também curtia os caras. Bebi até quase cair e quando acabou o show ainda fui tomar a saideira no meu quarto escutando...Stones. Vomitei até os bofes mas valeu a pena.Quem estiver atrás de opiniões abalizadas sobre o concerto da amanhã que procure nossa amiga Nahara Bauchwitz depois do final de semana. Eu a encontrei na sexta passada e ela me disse que foi uma das contempladas da promoção da Claro para ir ver os Stones no Rio, e na Área Vip, ao lado de todos os globais. Ela e mais sete pessoas em TODO O BRASIL. Garota de sorte? Não, de talento: ela bolou uma boa frase e vai ver os Véios com tudo pago.

Uma pausa na pol�tica internacional, afinal de contas esse ve�culo se prop�e a versar sobre m�sica e fuleiragem. As discuss�es estava ficando s�rias demais, ent�o antes que entremos em s�rias dificuldades existenciais por conta das mazelas do mundo globalizado vamos �s coisas realmente importantes para o bom funcionamento da nossa cuca. Amanh� os Rolling Stones estar�o tocando de gra�a � eu disse DE GRA�A � nas areias da praia de Copacabana, num show sem precedentes na Hist�ria. Sim, nem o Live8 e muito menos o Galo da Madrugada conseguiram a fa�anha que est� prestes a acontecer no Rio: dois milh�es de pessoas reunidas em torno de um espet�culo musical.

A pergunta � simples: ainda teriam os Stones essa bola toda para correr o mundo com uma turn� megal�mana? Em princ�pio, uma resposta positiva que fosse dada tendo em vista a quantidade de pessoas que v�o ao show poderia ser rebatida com o seguinte argumento: �� de gra�a, meu filho!�. Mas eu discordo. Esses porras desses v�ios continuam impressionantemente com bala na agulha. Se tem uma banda que entendeu bem o que significa �envelhecer com dignidade� s�o os Rolling Stones. Eles s�o milion�rios, j� deram sua contribui��o para o bem-estar da humanidade (leia-se �Exile On Main Street�, o melhor disco de rock de todos os tempos, �Sticky Fingers�, �Her Satanic Majesties Request�, entre outros) e podiam muito bem curtir suas gordas aposentadorias em ilhas privadas mundo afora. Mas resolveram continuar a tocar juntos, gravar discos fazer turn�s. Sim, muitos artistas veteranos o fazem, mas nenhum com o desencano dos Stones. Ver o Pink Floyd tocando �Confortably Numb� no Live8 d� um sono danado, mas quando Keith Richards manda o riff de Start Me Up � m�sica que abre os shows dos caras h� anos � voc� saca que o neg�cio � diferente, bem diferente.

Mick Jagger ainda corre e rebola o tempo todo. Charlie Watts mant�m a mesma base s�lida de sempre, e com a discri��o de sempre. Ron Wood � o coadjuvante perfeito para Keith, esse sim o grande showman da banda. Sim, eles est�o velhos pra caralho, Mick e Keith parecem dois maracuj�s de gaveta, mas os caras ainda t�m colh�o para encarar � e deixar de cara � a plat�ia que for. Em suma, o Rio vai testemunhar aquele que certamente ser� o �ltimo show dos caras no Brasil. E vai ser um showza�o, podem acreditar.

O primeiro show dos caras aqui, em 1995, foi um acontecimento para mim. Comprei birita e fiquei acompanhando em casa ao lado do meu saudoso pai, que tamb�m curtia os caras. Bebi at� quase cair e quando acabou o show ainda fui tomar a saideira no meu quarto escutando...Stones. Vomitei at� os bofes mas valeu a pena.

Quem estiver atr�s de opini�es abalizadas sobre o concerto da amanh� que procure nossa amiga Nahara Bauchwitz depois do final de semana. Eu a encontrei na sexta passada e ela me disse que foi uma das contempladas da promo��o da Claro para ir ver os Stones no Rio, e na �rea Vip, ao lado de todos os globais. Ela e mais sete pessoas em TODO O BRASIL. Garota de sorte? N�o, de talento: ela bolou uma boa frase e vai ver os V�ios com tudo pago.
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quarta-feira, fevereiro 15, 2006

BOOOOORN IN THE USA!!!!!

A pedido do meu grande amigo Fábio “Lapa” Araújo, topo levantar uma discussão interessante: você odeia os Estados Unidos da América? Vá a uma reunião de pessoas bonitas, descoladas e “de esquerda” em algum maracatu da vida e você vai ouvir os “sim” mais retumbantes da História. Tente repetir a pergunta numa típica reunião de mauricinhos e patricinhas nos festivais de verão da vida e a resposta vai ser diferente: “claro que nããããõ!”.
Como a idiotice e a falta de senso crítico dos dois grupos é bem parecida não poderia se esperar coerência nas respostas. Tudo bem, você tem o direito de amar ou odiar quem quiser, desde que não o faça baseado em preconceitos tacanhos, informações deturpadas, entre outros.
O fato é que os Estados Unidos não devem ser idolatrados nem odiados. No mínimo devem receber moções de apoio ou repúdio por fatos perpetrados ao longo da História. No primeiro caso vai aquilo que os mauricinhos-cabeça-oca não sabem porque não lêem nada, e que os esquerdistas-de-profissão se negam a ver por lerem as coisas erradas: o mundo deve aos americanos centenas de milhares de progressos tecnológicos, medicinais, políticos e culturais (sim, culturais!) que facilitam e deleitam nossas vidas até hoje. Por outro lado, é um fato que os camaradas lá de cima já vacilaram muito em nome do ideal de “freedom” deles. Já mataram, já promoveram golpes, invasões, terrorismo de Estado, entre outras coisinhas. Simples: como todas as nações com um mínimo de representatividade (no caso deles é uma puta representatividade) e historicamente movidas pela economia de mercado, os Estados Unidos têm suas manchas e seus momentos de glória.
Mas porque raios o anti-americanismo (porra, é com ou sem hífen?) está tão em voga nos dias de hoje? Eu noto que a história vem antes mesmo do 11 de setembro, pois já vi um monte de gente - é sério o que eu vou falar - dizer que ficou contente ao ver os Boeing da American Airlines se estabacarem no World Trade Center. É, minha gente, 3 mil inocentes morreram naquela parada e ninguém “esclarecido” e “cabeça” demonstrou indignação, primeiro porque ficaram, no íntimo, maravilhados com a ação dos terroristas no até então impenetrável território americano. Segundo porque chega aos píncaros do politicamente incorreto demonstrar solidariedade aos EUA, qualquer que seja a questão.
Claro que George W. Bush não ajuda em nada na tarefa de amenizar esse ódio todo. O cara não é simpático, tem notória dificuldade para se expressar, nenhum lastro intelectual e por aí vai. Claro que as sucessivas recusas em obedecer às resoluções da ONU também não contribuem, digamos assim, para que os EEUU (essa é das antigas, hein?) sejam tidos em boa conta. E, obviamente, as aventuras militares de Bushinho também não têm repercussão positiva mundo afora. Mas o desprezo gratuito pelos EUA me parece mais uma dessas premissas de esquerda que têm de ser dogmaticamente seguidas pelas pessoas "esclarecidas". Remonto ao caso do post sobre os muçulmanos, que gerou tanta polêmica: não se trata de babar o ovo dos americanos, mas de olhar criticamente para o país, sem a cortina de fumaça do preconceito "esclarecido". Digo isso pois, em linhas gerais, quem odeia cegamente os americanos são as mesmas pessoas que não admitem que Fidel Castro é um ditador com uma enorme folha corrida de assassinatos nas costas (a Anistia Internacional estima que sejam 17 mil mortos pelo regime). E com esse nível de "argumentação" realmente fica difícil discutir. Bom, para resumir a parada: eu acho Bush um cagão, mas adoro os Beach Boys.

terça-feira, fevereiro 14, 2006


A CBF (Casa Bandida do Futebol, segundo a definição de Juca Kfouri) apresentou ontem o novo - e foderosíssimo - uniforme da Seleção Brasileira, com o qual vamos disputar a Copa da Alemanha. Parreira achou lindo, mas o público odiou: disse faltar "desenhos mais ousados" e "detalhes em verde", conforme li em algumas matérias. É o povo brasileiro, sempre maravilhado com macaquices e papagaiadas de toda espécie, quando deveria dar valor às coisas simples e belas da vida, como essa camisa aí em cima. Bom, mas o que mais me chamou atenção - isso na matéria que vi ontem no Jornal Nacional - foi a informação de que o uniforme tem detalhes ondulados na manga numa referência ao...calçadão de Copacabana! Sim, para os homens que comandam o nosso futebol este é o símbolo excelso de identidade nacional.

Não se pode, nem de longe, negar a influência cultural e política do Rio de Janeiro na criação de referências - nem sempre lisonjeiras - do Brasil no exterior. Politicamente por ter sido a sede dos dois reinados e a capital da República até 1960, quando Juscelino entregou Brasíilia. Culturalmente pela razões que todos nós conhecemos de cor: a geografia exuberante, o desencano do povo, o samba, o funk, a bandidagem, o Maracanã, Zico, Romário, Clarice Lispector, Noel Rosa, Tom Jobim, Carlos Lacerda, Ronaldinho, Chico Buarque, Villa-Lobos, Antônio Maria, Vinícius de Moraes, Cartola e tantos outros. Mas chega a ser desrespeitoso com a retumbante maioria de brasileiros não-cariocas deixar a cargo do Rio de Janeiro a tarefa de envergar o DNA do País no exterior.

Não sou sociólogo, antropólogo ou qualquer "ólogo" que o valha, nem tenho bagagem de leitura para me aprofundar nesse assunto. Mas por uma questão de bom senso (homenagem aos fãs do cigarro Free) é preciso reconhecer que o Brasil não tem "uma" identidade cultural, e sim um amontoado de culturas, costumes e valores tão diversos quanto sua geografia e as características étnicas do seu povo. Por isso, ao tacar um "calçadão de Copacabana" na camisa, a CBF ensejou a inserção de diversos outros símbolos nacionais. Já pensou uma camisa toda decorada com motivos como o Elevador Lacerda, um caboclo de lançaa, um gaúcho típico, uma tribo amazônica e uma foto da procissão do Círio de Nazaré? Acho que ficaria legal, principalmente se fosse com os "desenhos ousados" e "detalhes verdes" que o povo tanto pediu.
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quarta-feira, fevereiro 08, 2006

MUITO BARULHO POR NADA

Na boa, eu enchi os saco dos radicais muçulmanos. Não dá mais para tolerar a selvageria e a ignorância travestidas de "crença" dessa gente. O episódio das charges do jornal dinamarquês Jyllands Posten (www.jp.dk) é um exemplo cabal de que, por muito pouco, esses camaradas estão dispostos a muito "muito". Infelizmente, e por conta de alguma espécie de anestesia moral, nos acostumamos a ser complacentes com as imagens dos indefectíveis encapuzados brandindo suas principais armas - o Alcorão e o AK-47 - e jurando de morte os "difamadores do profeta Maomé". Na realidade o mundo virou cabaré: Bush pode invadir o País que quiser, e os árabes têm salvo-conduto para declarar guerra ao Ocidente quando bem entenderem, e pelos motivos mais banais.

Imaginem vocês as trocentas pilhérias que são feitas em cima de Jesus - as piadas sobre Jesus não são ótimas? -, da Virgem Maria, de Deus (o Deus cristão, barbudão e branquelo), o escambau. Elas de longe não são motivo para qualquer guerrinha religiosa, aqui e na parte civilizada do planeta. Sim, aqui vai algo beeeem politicamente incorreto: os árabes são, de fato, atrasados no que diz respeito à democracia, às liberdades individuais e aos direitos humanos, em que pese a pecha de coitadinhos que eles historicamente carregam. Isso, claro, não é culpa do próprio povo, uma vez que ele é - desde que o mundo é mundo - solapado por tiranias religiosas. Mas você há de concordar que não é por causa disso que o mundo vai passar a mão na cabeça desses malucos, dispostos a "matar geral" sempre que sua crença for alvo de quaisquer críticas.

E é justamente por essa complacência da comunidade mundial que os camaradas estão aí, barbarizando. Complacência sim, pois os árabes têm sob os pés o tesouro pelo qual George Bush tanto baba e manda marines para o deserto, valendo o mesmo para os demais líderes ocidentais. A equação não é difícil de entender: de um lado os engravatados ávidos por petróleo, e do outro, os donos do chão onde está escondido o "ouro negro", com livre trânsito para empreender sua cruzada religiosa contra o Ocidente.

Os defensores da imagem de pobres coitados que os árabes carregam vão certamente evocar as Cruzadas propriamente ditas, a mão-de-ferro dos EUA sobre a região, o Estado de Israel, entre outras baboseiras. Nada justifica esse ódio desmedido ao Ocidente. A coisa é tão orquestrada que, ao invés de atacar o jornal que publicou as charges, os sujeitos começam a queimar as bandeiras do País que sedia o veículo, como se o Estado dinamarquês tivesse uma ideologia anti-árabe, e não como de fato ocorreu: um grupo de cartunistas de um pequeno jornal nos cafundós da gélida Dinamarca resolveu usar de sua habitual arma - o humor - para retratar supostas faces de Maomé. Coisa mínima, barulho máximo. E vem mais por aí, infelizmente.


As charges podem ser vistas aqui: http://skender.be/supportdenmark/MohammedDrawings.jpg

E para que não me acusem de sanguessuga, esse post foi baseado num ótimo texto do escritor Janer Cristaldo que eu li não me lembro onde, sobre a mesma celeuma.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

É O MUNDIS




O Google Earth é a melhor invenção do homem, de longe. Nada pode ser mais útil e informativo, nem a revista Caras. É com essa engenhocazinha que você pode peruar por todo o mundis, vendo em detalhes sítios de diversas origens e importância histórica como o Reichstag, a Praça Vermelha, o Vaticano, o edifício Dakota, a casa em que morreu Martinho Lutero (para que porra um cara quer conhecer a casa em que morreu o reformista?), e por aí vai. Mas o bom mesmo é fuçar Los Angeles só para ver que Eddie Van Halen, Madonna, Geoge Clooney e Rod Stewart são quase vizinhos em Beverly Hills. Além disso dá pra ver a casa de Bob Marley em Hope Road, Kingston, o restaurante de Robert De Niro e o lugar onde Russel Crowe foi preso em New York. Coisas muito mais úteis e interessantes que essa baboseirada de História.

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segunda-feira, janeiro 23, 2006

ELE VEM!!!


Eu sei que Babau do Pandeiro não é mais novidade. Eu sei que não fui o primeiro a chegar com um disco do cara e dizer: "Ouçam isso aqui, vejam que foderoso!". Mas certas coisas precisam ser ditas: Babau vai estar entre nós na prévia carnavalesca da Trashdance, que acontece no Clube Líbano, no dia 10 de fevereiro. Oportunidade única para vê-lo, ao vivo, detonando clássicos como Bebe água Galinha, Somos Seis (Cavaleiros da "Táuba" Redonda), Bota a Cabra pra Berrar, A Coca-Cola no Municipal, e os novos hits como Baba do Cururu, Minha Bicicleta ("A minha bicicleta anda menos que um carro/E um carro anda mais que a minha bicicleta/Mas ela tem uma vantagem: anda mais do que quem anda a pé") e A Véia dos Peito Mole. Simplesmente imperdível.  Posted by Picasa

quarta-feira, janeiro 18, 2006

SEM FRESCURA, SEM DISFARCE, SEM FANTASIA




Não, eu não sofro desse saudosismo frenético pelos anos 80. Vá lá, eu até gostaria de poder ficar a tarde toda jogando bola na rua ou falando besteira com os amigos, sem ter preocupação com bulhufas, tal qual acontecia na "Década Perdida", mas sem essa de querer todas as cores, cheiros e sons dos Eighties de volta, por favor. Mas há coisas tipicamente oitentistas que fazem um falta danada, e uma banda com o espírito do Ultraje a Rigor é uma delas. Claro que eu gostava dos caras à época, quando era um moleque imberbe, mas ouvir as pérolas da gangue de Roger Rocha Moreira nos dias de hoje tem um sabor especial.
Pensem bem e cheguem à óbvia conclusão: num País tão assolado por bandinhas modernosas e cujas letras patinam invariavelmente pelo existencial-de-merda ou pela crítica-social-de-esquerda-de-bar - passando obviamente pelo romantismo-nerd-da-era-digital - as canções do Ultraje ainda se sobressaem por trazerem mensagens de uma contundência impressionante. Que compositor descolado, nos dias de hoje, escreveria algo tão simples e direto quanto "Ciúme"? Alguém saberia balancear bom humor e sacanagem para compor "Sexo" (que foi lançaada, é bom lembrar, em pleno processo de redemocratizaçao do País)? Que tal as óbvias pancadas no conformismo, como "Inútil" e "Rebelde Sem Causa"? De saco cheio dos políticos? Então tome "Filha da Puta", gritada com todas as letras e obviamente censurada nas rádios da época. Quem vai negar a certeira bordoada nos costumes do Brasil pós-Ditadura feita em "Pelado"? E o mais sublime: nesses tempos brabos onde grassa o politicamente correto, quem teria colhão suficiente para gritar "Eu Gosto é de Mulher" sem receber chapuletadas de ONGs e outros patrulheiros de plantão? Roger é um compositor diferenciado, uma espécie de Nelson Rodrigues do rock nacional. Fez críticas sociais como nem Renato Russo e Herbert Vianna (para citar os dois mais prolíficos compositores da época) conseguiram, e com o charme de nos fazer rir da desgraça. Falou de putaria como nenhum outro teria coragem de falar (fazer todo mundo faz, né?). Atualmente a banda reformulada - só Roger e Serginho remanescem da clássica formação, e mesmo assim este último só voltou mais recentemente - até tem conseguido emplacar algum espaço na mídia por conta do Acústico MTV, mas tudo graças às inesquecíveis canções perpetradas nos anos 80. E para nossa infelicidade o Sr. Rocha Moreira é hoje absurdamente tido como uma coisa menor na história do rock brasileiro, em cujo Olimpo só é permitida a entrada de "gênios atormentados" como o próprio Renato Russo e Júlio Barroso. Sinal de que não temos mesmo salvação.


Na foto acima, a clássica formação do Ultraje a Rigor: Leospa (bateria), Roger (guitarra/voz), Serginho (guitarra) e Maurício (baixo).
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segunda-feira, janeiro 09, 2006


Que eu sou uma espécie de papa-biografia todo mundo sabe. Acontece que invariavelmente leio sobre pessoas cujas vidas e obras de alguma forma me interessam, como Bob Dylan, Maradona, Bob Marley e por aí vai. Quando o livro de memórias de Danuza Leão aterrissou sobre o meu colo (cortesia da minha sempre antenada mulher), confesso que já estava curioso, mesmo não tendo qualquer vínculo sensorial-imagético-afetivo com a figura. Curioso pelo simples fato de Danuza ter, todos sabem, vivido uma Vida com esse "V" maiúsculo mesmo, permeada por glamour, dureza, grandes paixões, tragédias singulares, um enredo de filme, enfim. E some-se a essa história fascinante o fato de o livro ter sido escrito com o texto peculiaríssimo de Danuza, cheio de bom humor e fina ironia. "Quase Tudo" (título genialmente bolado por Millôr) funciona como um delicioso mosaico de tudo que aconteceu no Brasil e no Mundo dos anos 50 para cá, tudo entremeado pela cativante figura de Danuza. E sobram belas histórias "lado B" da sociedade e do poder, como a revelação de que João Goulart tinha uma namorada stripper, que Marlon Brando teve um caso gay e que colocou o nome do primeiro filho - Christian, aquele que matou a mulher ou a mãe, sei lá - por conta dessa paixão, entre outras. Celebridades atemporais como Kim Novak, Miles Davis, Juscelino e até Mao Tsé Tung também cruzaram o caminho de Danuza. Mas o fio condutor do livro são os três casamentos da modelo-promoter-jornalista: o primeiro com Samuel Wainer (o homem que, sem exagero, revolucionou a Imprensa brasileira), depois com Antônio Maria e por último com Renato Machado. Os detalhes - muitas vezes sórdidos - dos relacionamentos são expostos sem qualquer pudor, mas sem que isso ofenda nenhum dos envolvidos. Renato Machado, por exemplo, recebeu o maior queima-filme, mas tudo na maior elegência, típica de Danuza: ela afirma que a relação foi para as cucuias por conta do apreço exagerado do apresentador do Bom Dia Brasil por um rabo-de-saia. E há as tragédias, claro, pois até nisso a vida de Danuza foi agitada. A maior foi a perda do filho Samuca, num acidente de carro com a equipe da TV Globo, onde ele era repórter. Tem ainda os detalhes da luta de Nara Leão (aos mais desavisados: a musa bossa-novista era a única irmã de Danuza) contra um câncer na cabeça, e que foi perdida após alguns anos. Vale a pena conhecer a vida de quem a viveu para valer, de peito aberto, pronta pro que desse e viesse. "Quase Tudo" não deixa de ser uma lição para muita gente que não vive.  Posted by Picasa

sexta-feira, janeiro 06, 2006

SE VOCÊ SOUBESSE...

Esse Big Brother é realmente um barato. Como bom fã que sou do reality show fui logo conferir os novos candidatos a instant-celebrity do Brasil, e eis que, mais uma vez, não há surpresas no perfil da rapaziada. Eu até acho que Boninho deve selecionar a galera por cotas: tem a cota da gostosinha inocente, a da gostosona fatal, a do gay, a do negão, a do lutador, e por aí vai. Já imaginaram como deve ser um diálogo entre o chefão do programa e seus subordinados?

Boninho - Já selecionaram o negão?
Produtor - Olha, seu Bonifácio, tem uns três negões aqui que a gente acha que pode emplacar...
Boninho - Tem que ser negão americano: alto, forte e fashion. Negão pobre não dá Ibope, porra...
Produtor - Tá, tá, então a gente tem um aqui.
Boninho - E a gostosinha inocente?
Produtor - Tem de tuia. Precisa ser inteligente?
Boninho (irritado) - Precisa é ser gostosa, caralho!
Produtor - Até porque não tem inteligente mesmo...ah, tem uns lutadores aqui que a gente andou selecionando. O senhor quer ver?
Boninho - Porra nenhuma, bota qualquer um. É só pra arrumar confusão mesmo...
Produtor - Agora, seu Bonifácio, tem o caso mais delicado...
Boninho - O que é?
Produtor - É a vaga de gay...
Boninho - Porque é complicado? Tá cheio de veado por aí, caralho! Pega um puto desses e bota no programa!
Produtor - Mas...é que...o senhor vai querer um gay inteligente como o Jean, afetado como o André Gabeh ou enigmático como o Harry?
Boninho - Ih, rapaz, agora você me pegou....ah, bota qualquer um nessa porra! Tendo mulher gostosa tá limpo!
Produtor - O senhor sabia que tem uma das escolhidas para a vaga de gostosa que já posou para a Playboy?
Boninho - Caralho! Já tão se antecipando? Antigamente posavam depois do programa...mas vá lá, você viu a moça?
Produtor - Vi...
Boninho - É gostosa?
Produtor - Ô...
Boninho - Então deixa. E me traz a Playboy dela.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Se tem uma coisa que eu acho um saco é essa discussão sobre que década foi mais interessante no que tange à música: 80 ou 90. De um lado a galera que ainda queria estar usando bolsa da Company e camisa de ombreira, e do outro a rapaziada dos cabelos compridos, camisas de flanela e streetwear. O que eu acho mais estéril nesse debate é o fato das preferências estarem intimamente ligadas à infância/adolescência das pessoas em questão, ou seja: eram as coisas que se curtiam em determinada época das vidas delas. Ponto. Não precisa ficar dizendo que isso é melhor que aquilo só porque foram separados por alguns anos. A discussão frenquentemente descamba para a idiotice completa. É ridículo dizer que os anos 80 foram "trash" só por causa das roupas rosa-shocking, verde-limão, dos mullets, do Menudo e de Eddie Murphy. Ao mesmo tempo é de proporcional ignorância conferir aos anos 90 a pecha de "década da alienação e da afirmação da individualidade" por conta do niilismo do pop-rock da época. Não sei se essa minha opinião é fruto de visão crítica ou se é obra do acaso, uma vez que eu me encontro no meio do caminho das duas décadas. Até hoje ouço - e gosto muito - de coisas oitentistas como Bruce Springsteen da fase Born In The USA, Cure, Smiths, Michael Jackson (fase Thriller), e até mesmo os one-hit wonders do período. Por outro lado eu acompanhei atentamente toda a revolução do pop nos anos 90, a emergência do rock alternativo, do hip-hop, do mangue. E olhe que os detratores de cada década cagam feio no pau em alguns quesitos. Quem gosta de rock indie e diz odiar os anos 80 se esquece que foi essa década que pariu Sonic Youth, Dinosaur Jr, Pixies, Flaming Lips, Nirvana (sim, o primeiro disco deles é de 1988), entre outros. Já a rapaziada festeira oitentista e que odeia o tal rock alternativo também baba com coisas essencialmente dos 90 como Beck, Red Hot (fase Blood Sugar), Counting Crows, Hip Hop em geral e por aí vai. Eu sei que escrevi demais, tentei dar um verniz acadêmico para esse negócio mas é bom terminar com uma velha máxima matuta: gosto é que nem cu, cada um tem o seu. E que sejamos felizes com os nossos (gostos e cus).

A COISA MAIS LEGAL DOS ANOS 80
- O desencano, a leveza e o bom humor da maioria das canções da época.

A COISA MAIS LEGAL DOS ANOS 90
- A volta do espírito punk à música.

A COISA MAIS CHATA DOS ANOS 80
- A quantidade de efeitos que se usava nas músicas. Durante um tempo funcionou como linguagem, mas depois cansou.

A COISA MAIS CHATA DOS ANOS 90
- A procura incessante por um som "cru". Durante um tempo funcionou como linguagem, mas depois encheu o colhão.