
O Pânico é, de longe, a melhor coisa que surgiu na TV aberta do Brasil em muitos anos. Perto deles o Casseta e Planeta é chato, enfadonho e com as mesmas piadas de sempre. O humorístico da Rede TV! desfruta de ibopes altíssimos - já encosta (ops!) em Gugu e ameaçaa Fausto Silva - e está, literalmente, na boca do Brasil. Percebi isso ontem, quando o indefectível Galvão Bueno, ao narrar uma jogada do ataque brasileiro no jogo contra o Paraguai, deixou escapar o bordão criado pelo excelente Merchan Neves (sim, para quem nãoo conhece é uma paródia perfeita de Milton Neves, o apresentador que faz mais propaganda que qualquer coisa) que virou febre no País: "Pedala, Robinho!". O programa chegou a um patamar perigoso, onde nãoo dá para se ter mais a tosquice dos primórdios (os anunciantes estão ficando cada vez mais variados). O perigo seria, obviamente, "aliviar", coisa que os caras ainda não estão fazendo. Pelo contrário, estão se saindo com ótimas tiradas para "protestar" contra a grande audiência que têm recebido. A sacada de colocar um locutor vestido de smoking recitando um poema e Fenando Pessoa por dez minutos ininterruptos foi simplesmente genial. Por outro lado, aquele desconforto que Silvio Santos e Vesgo causavam nas celebridades nos primeiros meses do programa hoje está ameaçando se inverter, pois muitas das "estrelas" já fazem questão de serem entrevistadas pelos caras. Criatividade eles têm para não deixar a peteca cair e ficarem iguais aos moribundos do Casseta. Resta saber quem vence no embate "humoristas-toscos X esquema-da-grande-mídia".