Ganhei de presente do amigo Jarmeson um DVD com quase duas horas de gravação do antigo programa Canto do Mar, da TV Jornal, que em meados de 1993/94 abria espaço para as bandas da então emergente cena local. Tosqueira era bóia no programa, a começar pelo improvável cenário que misturava balcão de churrascaria com um terrível piso quadriculado. E o esquema era bastante simples: playback no quengo e a banda que se virasse para fazer qualquer palhaçada ou – incrível como tinha gente que levava a sério o negócio – fingir tocar mesmo.
Nesse segundo time aparecem o terrível Elétrons e Neurônios (espécie de Red Hot Chilli Peppers de quinta categoria), Academia do Medo (“Soooombraaaas!”, lembram disso?) e Tempo Nublado. Como nessa época ninguém à exceção de Chico e mundo livre tinha disco gravado, o som era basicamente das fitas demo das próprias bandas, o que aumentava a tosqueira. Mas há momentos divertidos como a sensacional interpretação do Paulo Francis Vai Pro Céu para Eu Queria Morar em Beverly Hills. O Gordo, que à época fazia jus ao apelido de uma forma contundente, ataca de vocalista, enquanto Balaio vira guitar hero, solando com a guitarra nas costas e tudo mais. Waldner e Roubada se revezam nas palhaçadas enquanto Christiano interpreta...Christiano.
Também é engraçado relembrar o Galera Impregnada, banda horrível mas que englobava caras que eram/são chapas de muita gente por aqui, inclusive meus: Pupilo e Jamilson na percussão, Márcio Bocão no baixo, Flávio Mamoha e Luís Tonca nas guitarras, e um vocalista cujo nome eu não lembro nem a pau.
Ainda vale a pena ver Conservados em Formol com a clássica formação Keops-Demo-Bigode-Diego atacando de Dê Myuzik, e o Eddie (na época Fabinho-Roger-Berna) com Tem Cupa Eu. E apesar de eu não ser lá um grande fã da banda, é boa a interpretação do Cavalo do Cão para Macaxeira e Sexo Turismo. Jorge Cabeleira e Devotos também tiveram boas idéias na hora de encarar o tenebroso playback do Canto do Mar: os primeiros promoveram um quebra-quebra de instrumentos ao estilo Pete Townshend. Já o Devotos colocou três molequinhos para tocar no lugar deles na música Futuro Inseguro (aquela do “criaaaanças abandonaaadas, pedem e rooooubam na calçaaada, sem amoooor se cariiinho, os pais morreram, estão sozinhos”).
Bom, eu já ri muito vendo essa parada e Jarmeson deve conhecer de trás-para-frente. Minha sugestão é de que a galera marque um dia para, munida de muita cerveja, dar outras tantas risadas. “Direto do túnel do tempo”.
Terça-feira, Novembro 01, 2005
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