quarta-feira, novembro 30, 2005

“LONGE DE CASA HÁ MAIS DE UMA SEMANA...”

Eu sei que aqui no Rio tem coisas muito mais interessantes para se fazer do que ficar peruando pela internet, mas é por uma causa nobre. É para manter vocês informados sobre o que este humilde filho de Deus vem passando nessa rock trip. Algumas considerações.

Os Stooges fazem o melhor show de rock da atualidade. Eu sinceramente não acredito que possa haver no mundo uma banda que apresente a catarse que eu vi a poucos metros de mim em São Paulo. Não tocaram nada do Raw Power, mas quem se importa quando se é bombardeado com petardos como “Loose”, “1969”, “1970”, “Dirt”, “Real Cool Time”, “TV Eye” e, claro, “I wanna be your dog”, tocada duas vezes (uma no comecinho e outra no final do show, anunciada por Iggy Pop como “Double Dog”). Mas o momento mais emocionante e emblemático do show foi “No Fun”. O Iguana conclamou os malucos a subirem no palco para cantar com ele, e o que se viu foi o prenúncio do apocalipse. As portas do inferno abertas para a passagem da Besta-Fera. Dezenas de camaradas subiram e foram espancados pelos seguranças do festival. Os roadies dos Stooges entraram no pau e começaram a porrar os seguranças para que a malucagem pudesse curtir. Iggy foi cercado por fãs, roadies e seguranças, arrastado para dentro da platéia, mas em nenhum momento parou de cantar. No palco, um sujeito tocava air bass ao lado de Mike Watt (fiquei propositalmente na frente do Minute Man), que correspondia com um sorriso que ia aos dois extremos do seu bigodão. Loucura total, e eu me emocionei imaginando que em Detroit no início dos 70 a parada devia ser daquele naipe.
O “Aflitazzo” repercutiu aqui no Sudeste de uma forma impressionante. Em São Paulo e no Rio eu ouvi vários camaradas nas ruas se referindo à histórica amarelada. Se foi freqüente para mim ouvir referências à partida em andanças pelas duas longínquas cidades, eu imagino o que deve ter sido aí no Recife. O melhor comentário eu ouvi de um jornaleiro ontem, no Centro do Rio. Ele conversava com um camarada que contava o fato de estar treinando o time de várzea dele para uma possível decisão por pênaltis. Palavra do jornaleiro (reparem na escrita carioca, para ambientar vocês): “Puô! Só não ensina os muleque a bater pênaltchi feito os caras do Náutchico!”.

É isso, crianças. Papai volta na sexta. Abraços em todos.

segunda-feira, novembro 28, 2005

TEM COISAS QUE SÓ O MASTER CARD FAZ PARA VOCÊ...

- Passagem para São Paulo:
R$ 800,00

- Cerveja dentro do festival:
R$ 4,00 (Kaiser...)

- Ver o Santa dar a volta olímpica e perder o título dez minutos depois, mantendo a primazia do Sport em ser o ÚNICO CAMPEÃO BRASILEIRO DE PERNAMBUCO
- Ver a Casa da Barbie ruir depois de dois pênaltis perdidos e de levar um gol de um time com quatro jogadores a menos
- Ver os Stooges destruindo tudo
- Ver o Sonic Youth mostrando como a guitarra é um instrumento foderoso
- Ver o Flaming Lips salvando a humanidade com melodia e bom humor:
NÃO TEM PREÇO!!!!!!!!!!!!

PS>: Tô no Leblon tomando uma gelada e aproveitei para vir aqui digitar essas bem traçadas. Abraços em todos!

quinta-feira, novembro 24, 2005


Vou ali ver um showzinho e volto logo... Posted by Picasa

sexta-feira, novembro 11, 2005


�, quando voc� t� na night o bicho pega....(arte by Ricardo Pereira) Posted by Picasa

terça-feira, novembro 01, 2005

O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA...

Ganhei de presente do amigo Jarmeson um DVD com quase duas horas de gravação do antigo programa Canto do Mar, da TV Jornal, que em meados de 1993/94 abria espaço para as bandas da então emergente cena local. Tosqueira era bóia no programa, a começar pelo improvável cenário que misturava balcão de churrascaria com um terrível piso quadriculado. E o esquema era bastante simples: playback no quengo e a banda que se virasse para fazer qualquer palhaçada ou – incrível como tinha gente que levava a sério o negócio – fingir tocar mesmo.
Nesse segundo time aparecem o terrível Elétrons e Neurônios (espécie de Red Hot Chilli Peppers de quinta categoria), Academia do Medo (“Soooombraaaas!”, lembram disso?) e Tempo Nublado. Como nessa época ninguém à exceção de Chico e mundo livre tinha disco gravado, o som era basicamente das fitas demo das próprias bandas, o que aumentava a tosqueira. Mas há momentos divertidos como a sensacional interpretação do Paulo Francis Vai Pro Céu para Eu Queria Morar em Beverly Hills. O Gordo, que à época fazia jus ao apelido de uma forma contundente, ataca de vocalista, enquanto Balaio vira guitar hero, solando com a guitarra nas costas e tudo mais. Waldner e Roubada se revezam nas palhaçadas enquanto Christiano interpreta...Christiano.
Também é engraçado relembrar o Galera Impregnada, banda horrível mas que englobava caras que eram/são chapas de muita gente por aqui, inclusive meus: Pupilo e Jamilson na percussão, Márcio Bocão no baixo, Flávio Mamoha e Luís Tonca nas guitarras, e um vocalista cujo nome eu não lembro nem a pau.
Ainda vale a pena ver Conservados em Formol com a clássica formação Keops-Demo-Bigode-Diego atacando de Dê Myuzik, e o Eddie (na época Fabinho-Roger-Berna) com Tem Cupa Eu. E apesar de eu não ser lá um grande fã da banda, é boa a interpretação do Cavalo do Cão para Macaxeira e Sexo Turismo. Jorge Cabeleira e Devotos também tiveram boas idéias na hora de encarar o tenebroso playback do Canto do Mar: os primeiros promoveram um quebra-quebra de instrumentos ao estilo Pete Townshend. Já o Devotos colocou três molequinhos para tocar no lugar deles na música Futuro Inseguro (aquela do “criaaaanças abandonaaadas, pedem e rooooubam na calçaaada, sem amoooor se cariiinho, os pais morreram, estão sozinhos”).
Bom, eu já ri muito vendo essa parada e Jarmeson deve conhecer de trás-para-frente. Minha sugestão é de que a galera marque um dia para, munida de muita cerveja, dar outras tantas risadas. “Direto do túnel do tempo”.