terça-feira, outubro 18, 2005


Esse é o disco novo de Lou Barlow, e é incrível. De fazer chorar. Um camarada, um violão e canções arrebatadoramente lindas. Recomendo de com força. Posted by Picasa

segunda-feira, outubro 17, 2005


Até para ser virtuoso é preciso ter estilo e atitude de roqueiro de verdade, e não de bicha exibicionista como a maioria dos guitarristas que se masturbam ao som de rock fusion. É por isso que eu gosto de Yamandú Costa e dos Hellecasters (foto acima). Tratam-se de artistas cuja técnica apuradíssima é usada apenas como um elemento para criar e executar boas canções, e não como um fim em si mesma, como que para mostrar aos wanna-bes "como se toca". Mais uma vez perdi um show de Yamandú aqui na terrinha, mas ando empenhado em sacar mais coisas dele. O gaúcho me lembra o Maradona dos velhos tempos, abusado, tecnicamente irrepreensível e com uma clara inclinação para a boemia. Nada a ver com o estereótipo dos caras que tocam na mesma praia que ele: o do sujeito caladão, careta e compenetrado, que passa 12 horas por dia tocando e lendo intrincadas partituras. Yamandú é um maluco doidão de primeira linha, e vÊ-lo tocar é um experiência muito gratificante. Eis o mesmo caso dos Hellecasters: Jerry Donahue, Will Ray e John Jorgenson são três guitarristas com anos e anos de experiência como músicos de estúdio e de palco para a nata do rock/pop mundial (George Harrison, Bob Dylan, Elton John, Fairport Convention), e que vez por outra se unem para gravar discos instrumentais. É mais ou menos como se Paganini, Wagner e Bach fossem um músicos de country e vivessem biritados em hipotéticos saloons do inferno. Mais uma vez vale o paralelo futebolístico, pois os Hellecasters estão para Ronaldinho Gaúcho assim como os Vais e Satrianis da vida estão para Denílson: é preciso ter habilidade, mas com objetividade e bom gosto. Firula por firula eu prefiro ir ver no circo. PS: quem tiver a fim de gravar os discos dos Hellecasters é só falar com papai. Abraços.  Posted by Picasa

segunda-feira, outubro 10, 2005


Bang-Bang tem tudo para ser a novela das 19h mais divertida e empolgante desde Que Rei Sou Eu. Não há uma fórmula mirabolante para o sucesso do folhetim, muito pelo contrário: o enredo fica nos manjados conflitos do Velho Oeste americano, como a rivalidade entre famílias, duelos na rua principal da cidade e, claro, as idas e vindas do par romântico protagonista. Mas o que dá o charme à trama é a produção esmerada, o indefectível toque cômico que as novelas das 19h precisam ter, e os excelentes personagens. Mario Prata caprichou ao conceber figuras hilárias e com nomes não menos estrambólicos como Aquarius Lane, Absurd Boy, Kid Cadillac, Jeff Wall Street, Jack Label, Vegas Locomotiv e Sheng Leng Júnior. A caracterização de personagens e paisagens do Oeste é de uma fidelidade absurda - muitas cenas são gravadas no deserto de Atacama, no Chile - e o capricho também se traduz nas animações: o fio condutor da história é o desejo de vingança de Ben Silver (Bruno Garcia), que teve toda a família assassinada a mando do fazendeiro malvadão Paul Bullock (Mauro Mendonça) quando era criança. A novela começou com uma excelente animação mostrando o assassinato. A cena foi bem violenta, uma imitação flagrante de Kill Bill, na parte em que a então pequena O-Ren Ishi tem os pais brutalmente assassinados na sua frente. Daí segue-se a saga de Ben, que se apaixona por Diana (na novela diz-se "Daiana") Bullock, filha do seu maior antagonista, e o cu-de-boi começa. O folhetim ainda tem situações hilariantes como a reclusão dos outrora famosos pistoleiros Jesse James (Kadu Moliterno) e Billy The Kid (Evandro Mesquita), que vivem ocultos e fantasiados de mulheres, como as irmãs Henaide e Denaide. Também há Sidney Magal fazendo o papel de Zorro, que na trama virou Zorrôh depois de consultar uma numeróloga. Outro papel divertido é o de Luís Melodia como Sam, o pianista cuca-fresca do saloon. Bom, é isso. Vale a pena, eu garanto. Posted by Picasa

quarta-feira, outubro 05, 2005

"HEY, GET OUT OF MY MIND"


A internet é, definitivamente, um celeiro de doidos, onde meras fofocas assumem a proporção de lendas urbanas. E o pior é quando essas lendas permanecem não-desmentidas ou não-confirmadas, como no caso do suposto romance colegial entre J Mascis (a.k.a. O Mestre) e Uma Thurman. Reza a lenda que os dois foram high-school-sweethearts no início dos anos 80, quando estudavam na mesma escola da pequena Amherst, Massachusetts, onde fica o campus da U-Mass. O boato começou a rolar nos fóruns destinados a discutir a obra d´O Mestre, e dão conta de que, quando Uma resolveu deixar Amherst para seguir carreira de atriz, o sujeito ficou arrasado para todo o sempre. De acordo com as fofocas, as letras do cara - sempre sobre relacionamentos fracassados e a mulher que se foi - nada mais são do que reflexos do final do namoro. Claro que pode ser tudo uma grande viagem, mas alguns pontos da história batem. O primeiro e mais importante: J e Uma de fato foram contemporâneos em Amherst, e levando em conta o fato de se tratar de uma cidade pequena, é bem provável que realmente tenham estudado na mesma escola, até porque a diferença de idade entre eles é de apenas quatro anos (Uma tem 35, e O Mestre, 39). Outra: no clássico filme THE YEAR PUNK BROKE é possível ver uma cena onde Kim Gordon pergunta ao camarada "como está Uma", no que ele diz que a cidade nunca mais foi a mesma desde que ela partiu. Pode ser uma grande gréia, já que todos sabem que eles estudaram na mesma escola, e na mesma época, mas quem sabe não é? E tem mais: na versão que fez para QUICKSAND, de Bowie, O Mestre reescreveu a frase "Im the twisted name on Garbo´s eyes" para "I´m the twisted name on Uma´s eyes". Para quem for curioso, o Pitchfork Media tem uma matéria sobre o caso, que muitos fãs dizem não passar de uma grande viagem, mas que também nunca foi desmentida por nenhum dos dois. Prestem atenção da suposta carta que Uma teria escrito na tentativa de demover O Mestre de seu eterno amor por ela. Leiam : www.pitchforkmedia.com/record-reviews/ m/mascis_j/free-so-free.shtml
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terça-feira, outubro 04, 2005

Dia desses eu almocei ao som de Lulu Santos, e isso não foi, obviamente, uma escolha minha. Calhou de o dono no restaurante onde eu fazia a - na minha opinião - refeição mais importante do dia ter um greatest hits do camarada, e aí já viu. O que eu percebi durante o almoço é que Lulu está longe de ser uma coisa nociva à música brasileira. É só pensar um pouco: o cara é um hit maker perene, daqueles que conseguem emplacar sucessos com uma regularidade impressionante. Luís Maurício é o tipo do artista que pode se dar ao luxo de fazer um show de três horas e ter apenas hits para levar o público à loucura. E, noves-fora a chatice de algumas canções do sujeito, dá para perceber que não são simplesmente musiquinhas descartáveis. Outro ponto a favor dele é o gosto por belas guitarras. A coleção do camarada tem todos os modelos clássicos que você pode imaginar: incontáveis Stratos e Teles, algumas Les Pauls, Rickenbakers, e mais recentemente ele tem se aventurado pelas guitarras ditas "alternativas" da Fender, como Jaguar (a da foto acima) e Jazzmaster (que ele usou no fatídico dia da briga com Faustão). Trocando em miúdos, pode-se dizer que Lulu Santos está no meio do caminho que separa Zezé di Camargo e Marcelo Camelo: nem tão rasteiro e nem tão cabeça. Um artista que sabe ser pop com classe.