Sexta-feira, Julho 22, 2005

OS INIMITÁVEIS


Sério: fossem esses dois camaradas aí de cima nascidos nos States ou na Inglaterra, o negócio teria sido diferente, bem diferente. Beatlemaníacos, tremei, mas a verdade é que Roberto e Erasmo pouco devem a Lennon e McCartney no quesito genialidade. O grande problema, repito, foi terem nascido num país do Terceiro Mundo, e por isso fora do eixo dourado da emergente música pop. Claro, também não foram diretamente expostos ao desbunde da Swinging London ou da efervescência americana da segunda metade dos anos 50, acabaram só pegando a rebarba do que rolava por esses dois centros. Mas até mesmo por isso podem ser considerados mais geniais ainda.
Recomendo a quem tem paciência baixar o pacotão dos grandes discos de RC, dos singles de 1959 até o disco homônimo (como a maioria) de 1976. Nesses 18 anos é que se concentra o filé da produção de Carlos/Carlos, dos bolerões açucarados do final dos anos 50 até a fase do romantismo rasgado (ainda não brega) do final dos 70, passando pelo iê-iê-iê e pelas incursões do Rei pela soul music e pelo R&B. Vale a pena juntar uma rapaziada e, munidos de muita cerveja e um estéreo decente, tirar um dia para jogar conversa fora e se deliciar com o talento de RC/EC. Mas Rubens Botelho tem que estar presente, caso contrário eu não participo. Tenho dito.
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