quarta-feira, julho 27, 2005

CELULITE É PRECISO

Não tem jeito: brasileiro se anima pra valer quando a conversa é sobre sacanagem. E nos comments do post anterior, a rapaziada esperta que freqüenta o GG se mostrou ligada com relação às coisas – literalmente – boas da vida. Esse papo todo sobre as prováveis aparições de Karina Somaggio e Dona Renilda nas páginas da Playboy me fez lembrar de uma conversa que eu tive há pouco tempo com o Mago (que aqui no GG grifa “Bob”) sobre a estética das mulheres gostosas de hoje. Tá, mulher gostosa é mulher gostosa, aqui ou no Cazaquistão, mas quem for ligado vai notar que a diferença entre as curvilíneas que adornam as páginas das revistas de hoje e aquelas de, sei lá, vinte anos atrás não se restringe apenas ao famigerado Adobe Photoshop.
A minha próxima declaração vai ser polêmica, eu sei, mas o fato é que celulite é preciso. Desesperadamente preciso. Ninguém discute o fato de uma Feiticeira da vida ser gostosa, mas mulheres do tipo dela costumam se aproximar de uma coisa na qual eu não viajo: homem. As figuras ficam tão malhadas, tão definidas, tão milimetricamente siliconadas que perdem aquela coisinha macia que a mulher tem que ter (favor não confundir maciez com flacidez). E aí quando posam para as revistas ainda recebem uma generosa carga de Photoshop para que tudo fique ainda mais perfeito. Arnaldo Jabor de certa feita afirmou que provavelmente brocharia caso fosse para a cama com a Feiticeira, pois ela é tão intimidante que não ia haver jeito do “astral” dele subir...
Comparar uma Playboy atual com as clássicas Ele & Ela dos anos 80 é uma covardia: o filhote tupiniquim da cria de Hugh Hefner perde de goleada. Nas antigas edições da Ele & Ela (vá lá, da Playba também, mas o “controle de qualidade” deles sempre foi maior) é possível encontrar mulheres como aquelas que você vê diariamente nas ruas, com imperfeições que as dão um apelo ainda mais erótico. Sim, falo de celulite pululando pelo corpo, seios naturais (ah, os seios naturais!) e produções vagabundas. O padrão vigente de mulher malhada e com tudo em cima também não permite que as “reais” dêem as caras no cinema e na TV hoje em dia. Quero ver é essa mulherada de hoje ter a “competência” de Helena Ramos, Matilde Mastrangi, Aldine Muller, Lucia LeGrand, Magda Cotrofe e tantas outras, quando não se tinha silicone, academia de ginástica e nem Photoshop.
Trocando em miúdos: não tenho nada contra uma mulher cuidar do corpo e retardar os inevitáveis efeitos da gravidade, muito pelo contrário. Mas fica a saudade de uma época em que pelo menos as “de revista” eram mais parecidas com as “nossas”. Ou alguém aqui namora uma Feiticeira da vida?

terça-feira, julho 26, 2005

É O FIM...

Definitivamente, o Brasil está indo para as cucuias. Hoje eu vi que a ex-secretária-bomba do publicitário-parará Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio, está em negociação com a Playboy. Isso mesmo, ela não vai ser secretária do editor-chefe, não. Vai entrar para o mesmo panteão de centenas de mulheres deslumbrantes, e que já fizeram os dias de muita gente mais felizes. Mais uma vez: você não está sob o efeito de drogas. O editor da revista, Ricardo Vilella, confirmou o interesse, mas negou já ter feito a proposta. Fernanda Karina posaria posar para a Playboy para financiar sua candidatura a deputada federal. Puta que o pariu, essa é demais! E olha o topete da moçoila: ela pediu R$ 2 milhões para tirar a roupa e soltar o indefectível cabelo lambido. Disparate total, uma vez que Grazielli Massafera, com tudo aquilo que Deus e os cirurgiões plásticos a proporcionaram, papou R$ 1,2 milhão para estrelar a próxima edição da revista. Eu não sei o que esses editores da Playboy esperam, sinceramente. É verdade que eu também não consegui reparar o que Somaggio esconde por trás dos terninhos de secretária, e que, no final das contas, é o que realmente importa. Mas não acredito que seja grande coisa. Mas vá lá, até Hortência e Marta, do basquete, já foram capa da revista. Sinal de que o Brasil está fodido há muito tempo.

sexta-feira, julho 22, 2005

OS INIMITÁVEIS


Sério: fossem esses dois camaradas aí de cima nascidos nos States ou na Inglaterra, o negócio teria sido diferente, bem diferente. Beatlemaníacos, tremei, mas a verdade é que Roberto e Erasmo pouco devem a Lennon e McCartney no quesito genialidade. O grande problema, repito, foi terem nascido num país do Terceiro Mundo, e por isso fora do eixo dourado da emergente música pop. Claro, também não foram diretamente expostos ao desbunde da Swinging London ou da efervescência americana da segunda metade dos anos 50, acabaram só pegando a rebarba do que rolava por esses dois centros. Mas até mesmo por isso podem ser considerados mais geniais ainda.
Recomendo a quem tem paciência baixar o pacotão dos grandes discos de RC, dos singles de 1959 até o disco homônimo (como a maioria) de 1976. Nesses 18 anos é que se concentra o filé da produção de Carlos/Carlos, dos bolerões açucarados do final dos anos 50 até a fase do romantismo rasgado (ainda não brega) do final dos 70, passando pelo iê-iê-iê e pelas incursões do Rei pela soul music e pelo R&B. Vale a pena juntar uma rapaziada e, munidos de muita cerveja e um estéreo decente, tirar um dia para jogar conversa fora e se deliciar com o talento de RC/EC. Mas Rubens Botelho tem que estar presente, caso contrário eu não participo. Tenho dito.
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terça-feira, julho 12, 2005

O LIVRO MAIS ESPERADO DO ANO...

...não vai ser da lavra de JK Rowling, Paulo Coelho ou John Grisham. O autor é um camarada de uns quase dois metros e cento e tantos quilos, repleto de tatuagens e muito gente boa. Ajax é o vocalista da foderosa banda punk Os Cachorros e está escrevendo um tratado sobre o que ele chama de lado obscuro da cena musical pernambucana. O cara merece aplausos já pelas palhas que deu na matéria do DP sobre o livro. Quem aqui teria coragem de falar no nome de Chico Science num tom que não fosse de pura adulação? Pois Ajax afirma - coberto de razão, é bom frisar - que Chico foi um bem que acabou causando muito mal à dita "cena". Ssegundo o vocalista d´Os Cachorros, depois do sucesso de Chico a "cena" passou para um nível de puro hype, e o público perdeu totalmente a sintonia com a música. Em outro petardo, ele fala que o Mombojó é uma banda de "discurso vazio", e que por isso o bafafá em torno deles vai acabar logo.
As bordoadas de Ajax bem que poderiam ser interpretadas como ressentimento ou fruto de quem não atingiu o mesmo "sucesso comercial" de alguns artistas mangue. Mas estão longe disso: o discurso do gigante punk é altamente coerente e embasado. É um fato que o advento da "cena" mangue trouxe dividendos, mas formou preconceitos e panelinhas na mesma proporção. Outra: como afirma o vocalista, o público do Recife também não está nem aí para a música, quer mesmo é saber da badalação das festinhas com as bandas e djs "descolados". Esse é talvez o ponto mais nobre defendido por Ajax: o direito de ter um público realmente sintonizado com o que o artista está fazendo.
Palmas para ele pela coragem de falar o que pouca gente aqui ousaria, sob pena de ser "queimado" pelos sumos pontífices do mangue. Mas como o próprio Ajax fala em uma das melhores músicas d´Os Cachorros: "puta que o pariu!" para todos.

quinta-feira, julho 07, 2005


Existem canções de amor e CANÇÕES DE AMOR. As primeiras, com suas melodias doces, apenas nos fazem cantarolar despretensiosamente e, a depender do gosto do ouvinte, ensaiar um "que musiquinha mais baba". Já as últimas têm o arrebatador poder de nos sacar da realidade e nos fazer pensar sobre o...amor. Esse é o caso de "I Believe", de Stevie Wonder.
Essa canção fecha majestosamente o não menos sensacional "Talking Book", de 1972, no qual Maravilha, aos 22 anos, tocou quase todos os instrumentos. A delicada letra é de autoria de Yvonne Wright, irmã da então mulher do cantor, Syreeta Wright, e tem belas passagens como "the many sounds that meet our ears/ the sights our eyes behold will open up our melting hearts and feed our empty souls", e a contundência do refrão "I believe when I fall in love with you, it will be forever".
E a música que Wonder criou para a bela letra é um caso para cinema: tem uma melodia tão serena quanto improvável para os padrões da então emergente música pop. A interpretação do negão também é para arrepiar o cocoruto das moçoilas, e fica difícil imaginar uma que não tivesse caído em seus braços numa hipotética situação "ei, baby, ouve isso aqui que eu fiz para você". "I Believe" é uma singela canção de amor, mas que também evoca o lado sexy do negócio, muito diferente dos novelescos e assépticos "eu te amo" dos ditos cantores românticos. Lá pelas tantas, Wonder começa a repetir exaustivamente o genial refrão, em meio a uma confusão de vozes sussuradas e gritos, e você fica resignado esperando o fade out que fatalmente virá. Mas não se trata de um artista qualquer, muito menos de uma canção pop convencional, e a surpresa vem quando o cabra dá uma guinada sensacional na música e tasca outro refrão, totalmente diferente da melodia inicial, e que se repete - agora sim - até o fatídico fade out. A frase: "Come on, let´s fall in love/ You´re the one that I´ve been waiting for/ Don´t you wanna fall in love?". Coisa de quem entende, e muito, do traçado dessas duas maravilhas da vida: música e mulher.
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terça-feira, julho 05, 2005


Eu esperei muito por esse dia, e finalmente ele chegou. Já tenho em minhas mãos o disco do Crazy Horse SEM Neil Young. Datado de 1971, "Crazy Horse" é uma cacetada para quem gosta de rock ROCK. Foi feito no hiato que separou o After The Goldrush (1970) e o Harvest (1972), período no qual Neil Young fez muitas coisas com Crosby, Stills e Nash (o lendário Deja-Vu, por exemplo). Os malucos do CH resolveram aproveitar a folguinha para fazer o próprio disco e, acompanhados de gente do naipe de Jack Nietszche, Nils Lofgren, Ry Cooder e do próprio Neil Young, se saíram com esse clássico. Não dá pra ficar comentando assim, não. É muito sério. As pessoas têm que ouvir. Ponto. Posted by Picasa

segunda-feira, julho 04, 2005

LÁIV ÊIT...

O MELHOR

- Brian Wilson roubando tudo em Good Vibrations
- A Jazzmaster amarela de Paal Waktaar no show do A-ha
- A saia (ou a quase-ausência dela) de Beyoncé

MOMENTO PURPURINA

- Micheal Stipe, pela máscara azul
- Elton John, por existir.
- Pet Shop Boys, idem.

MOMENTO COLHÃO

- Duran Duran tocando Save a Prayer


MOMENTO “NOJEEENTO!”

- Richie Sambora babando a mangueira do talk-box em Living on a Prayer.


MOMENTO MALETAS-RICAS-E-FILANTRÓPICAS-APARECENDO-MAIS-UMA-VEZ

- Bono e Paul McCartney cantando Sgt Peppers.


MOMENTO “O DONO DO MUNDO”

- Severino Portões anunciando doações milionárias para os pobres da África.