segunda-feira, janeiro 31, 2005

IT´S CRAZY

No blog do inimitável Alexandre Da Maia http://www.damaia.blog.uol.com.br encontrei um belíssimo texto falando do foderoso desfile do Tá Maluco, ocorrido ontem em Olinda. Pois me fez lembrar há quantos anos a galera se encontra religiosamente nessa que é uma das mais legais agremiações carnavalescas de todos os tempos. Eu não me lembro bem, mas a primeira vez que fui ao Tá Maluco deve ter sido em 1993, por aí. Desde então, creio, se perdi dois anos do bloco foi muito.
O desfile de ontem teve um toque todo especial: foi a celebração do casamento de Samuel e Renata (vejam matéria no Diario de Pernambuco de hoje), duas figuras queridas da época do São Bento. E para prestigiar, uma legião de pessoas igualmente legais. Difícil foi sair de lá, mas quando se tem filho pequeno, é preciso deixar de lado a atitude "puta que o pariu" e ter um pouco mais de responsa. A farra começou às 10h, e eu saí às 16h30, com a impressão de que ainda estava começando. Parabéns a todos que fazem o Tá Maluco. A gente se vê no domingão de Carnaval.

sexta-feira, janeiro 28, 2005


Alanis Morrissette não foi a primeira artista da música pop a cantar o universo feminino-adolescente sob um ponto de vista mais subjetivo. Tampouco L7, Bikini Kill e Babes In Toyland inauguraram a era das bandas de rock feminino-bagaceira. As reais desbravadoras desses dois terrenos foram as distintas senhoritas mostradas acima.

As Runaways surgiram na Califórnia, em 1976, como um quinteto. Cherie Currie (voz), Joan Jett e Lita Ford (guitarras), Jackie Fox (baixo) e Sandy West (bateria) tinham ovários de sobra, pois faziam, em plena efervescência do rock progressivo, um hard rock pesadão e com letras sobre o universo adolescente de farras e tiração de onda. Para se ter uma idéia de quão marrentas eram as meninas, suas músicas tinham nomes como "Cherry Bomb" (foderosa), "Queens of Noise", "I Wanna Be Where The Boys Are", "Mama Weer All Crazee Now", "Born to Be Bad", entre outras. Depois de uma cacetada de sucessos - incluindo um disco gravado ao vivo no Japão, em 1977 - a doidona Cherie Currie deixou o grupo, e a gatíssima Joan Jett (está mais bonita hoje, quase cinquentona e ainda tocando a gravando discos) assumiu os vocais.

A banda acabou no início dos anos 80, quando Jett e Lita Ford começaram a divergir sobre o direcionamento musical do grupo. Lita, uma metaleira nata, queria aproximar as Runaways do Capeta. Joan, por sua vez, procurava escancarar a veia punk da banda. Resultado: as duas foram seguir carreira solo, cada uma no seu estilo particular. A malvada Lita Ford chegou a gravar com Ozzy e tudo mais, e Joan Jett até hoje grava discos com sua banda The Blackhearts.

É uma penas que as Runaways não passem de um rodapé na história do rock, pois o som delas era sensacional. Chegaram a tocar junto com Talking Heads e Television no CBGB´s, e tinham entre fãs cativos grupos à época iniciantes como Cheap Trick (notem que na foto acima a Joan Jett está com uma camisa deles) e Tom Petty & The Heartbreakers. Se vocês não conhecem, procurem conhecer. O editor-chefe do GG tem várias coisas das Runaways, e vai ter o maior prazer em mostrar-lhes.


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quarta-feira, janeiro 26, 2005


Dica para a garotada: nas Americanas do Shopping Tacaruna (acredito que deva ser em todas elas) estão vendendo, a R$ 12,90, uma cacetada de DVDs da Hard´N´Heavy, com clips e entrevistas de várias bandas. É mais ou menos assim: tem uma banda-chamariz na capa e várias outras contemporâneas. Ontem eu comprei a que ostentava o Nirvana como atração principal, tendo como coadjuvantes Public Enemy, Red Hot, Faith No More, Black Crowes, Megadeth e o inesquecível Jane´s Addiction (foto acima).

O disco retrata uma época muito produtiva de todos os artistas acima: os anos de 1991 e 1992. Mostra o Red Hot promovendo o Mother´s Milk e pertinho de gravar o Bloodsugar, o Faith No More no Brasil, ainda na turnê do The Real Thing, o Black Crowes divulgando o Shake Your Money Maker, o Megadeth com o Countdown to Extinction (sucessor do foderoso e já citado Rust In Peace), e o Jane´s Addiction com seu excelente Ritual de Lo Habitual. Já o Nirvana, bem, vocês sabem o que estava acontecendo com eles naqueles anos...

O DVD abre com uma entrevista-cabeça do dodói Perry Farrell (o de camiseta branca, chapéu e olhos esbugalhados na foto), entremeada pelo não menos doente clipe de “Stop” - na minha opinião a melhor música deles. Farrell chega a chorar lembrando como é linda a troca de energia entre banda e público. Típico hippie californiano...
O Red Hot, como era de se esperar, é só gréia na entrevista. Se abraçam, choram, declaram amor uns pelos outros e...falam do Mother´s Milk um pouquinho. O clipe que rola é o de “Good Time Boys”. Depois vem o Nirvana lançando o hoje ultra-clássico vídeo de “Smells Like Teen Spirit”. Engraçado é ver, nos dias de hoje, uma banda tão mítica fazendo o indefectível “oi, eu sou Kurt, toco guitarra e nós somos o Nirvana”, típico das bandinhas iniciantes. Chris Novoselic (principalmente) e Dave Grohl tiram onda do início ao fim da matéria. Cobain só faz rir das gréias dos dois.
O Faith No More é entrevistado em pleno Rock In Rio II. Sentados à varanda do hotel, Mike Patton e Rody Bottum descascam o pobre repórter. O primeiro, quando perguntando sobre “o projeto paralelo Mr Bungle” taca um “side-project my ass!”. Já o tecladista ironiza sobre o Rio de Janeiro. “Me disseram que eu veria tiroteios e crimes a toda hora. Ainda não vi um tirinho sequer. Estou decepcionado”. Ah, o clipe é o de “Falling to Pieces”.
Essas são as melhores entrevistas. Depois tem o Black Crowes com “Twice as Hard” (música bacana, mas com um clipe horrível), e o Megadeth com “Symphony of Destruction”. Dave Mustaine e Nick Menza, numa demonstração de senso crítico, desancam com a estrutura política dos EUA e malham George Bush (o pai, que era o presidente na época).
Bom, tem DVD dessa série para todos os gostos. Vão lá e façam a festa.

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terça-feira, janeiro 25, 2005

ROCK´N´ROUPA (Parte 2 - Minhas reminiscências)

Lembro como se fosse hoje da primeira camisa de banda que eu tive: era do Megadeth e foi comprada via Correios pela Rock Brigade. Isso foi na época do Rust In Peace (1991), disco do qual gosto muito até hoje. Eu tinha acabado de comprar o vinilzão e de tão pirado que estava na banda, juntei dinheiro por um bom tempo e comprei a camisa (vale lembrar que naquela época a dureza era grande). O fato mais engraçado que rolou no tempo de vida útil dessa peça foi uma festinha de São João a que fui, na casa de não-me-lembro-quem (sei que era uma menina amiga de um amigo de um amigo ou coisa que o valha). Naquele longínquo 1991 o reinado da playboyzada ainda era amplo e lá estava eu, no meio dos malucos de Forum e Fido Dido, com minha camisa do Megadeth. E ainda dancei quadrilha com a dona da casa. Bendito Dave Mustaine...

Depois, ainda nos meu “metal years”, veio uma camisa do Metallica: a caveira do single de Damage Inc, comprada na velha Vinil Alternativo. Essa me acompanhou até o início da minha “desmetalização”, da adesão incondicional ao punk rock e à descoberta do tal rock alternativo. A camisa era preta, claro. Anos depois, cortei as mangas, para ficar mais brabo.

Também na Vinil, em 1992, eu comprei minha inesquecível camisa dos Ramones. Era branca, com a foto da capa do Rocket to Russia em preto e o logo vermelho logo acima. Essa danada foi provavelmente a mais usada e abusada das minhas roupas de banda. Acompanhou fielmente toda a carreira dos Dreadful Boys. Só não sei que fim levou. Provavelmente foi jogada fora, assim como a do Metallica e a do Megadeth. Ainda nesse mesmo período eu tive uma camisa do Bob Marley, feita a mão por Alexandre “Xandera”, um maluco lá das Olindas.

Tive uma camisa bacana do Pearl Jam, que durou pouco (era ordinária pra burro), e uma custom-made do Dinosaur Jr. Belo dia, nos idos de 1993, eu e Zé resolvemos homenagear nosso ídolo J. Mascis com uma camiseta. Fizemos um desenho maluco, copiamos o logo da capa do single de “Just Like Heaven” (para os não-iniciados em Dino: sim, é a música do The Cure, espetacularmente coverizada pelos caras) e voilá: tacamos um “I Live For That Look”, nome de outra música da banda, e que no final das contas tinha a ver com a história toda da camisa. Essa bendita roupa me rendeu uma amizade curta, mas bem legal. Estava eu na aula de Inglês Instrumental da turma do primeiro período de Publicidade – coincidentemente onde conheci nossa querida JuLisboa – e no final veio um maluco me perguntar: “Meu irmão, tu gosta de Dinosaur Jr? Porra, eu não conheço ninguém aqui no Recife que goste!”. Era um figuraço gente-fina chamado Luciano Lincoln, que ao que me parece é hoje um publicitário de sucesso em Sampa. O cara então me contou que morou uma cacetada de anos na Inglaterra e lá ficou pirado no Dino, coisa e tal. Ele gravou pra mim o “Whatever´s Cool With Me”, que era praticamente impossível de chegar aqui naquela época. E eu o catequizei em Led Zeppelin. Engraçado como ele não conhecia essas coisas mais antigas do rock.

Bom, hoje só restou a já aludida camisa do Motorhead. E essa, como eu já disse, vai para a tumba comigo.

ROCK´N´ROUPA

Uma passadinha pelo bomtom da amiga Débora-Renascimento-de-tantos-textos-legais me fez pensar num negócio cabuloso ao ver aquela foto da Pivete com a camisa dos Ramones. Nessa putaria chamada indústria cultural até os nossos maiores símbolos de rebeldia e resistência à caretice viram moeda podre nas mãos de pessoas que nunca tiveram a menor identificação com eles.

No caso dos Ramones deve estar rolando uma febrezinha do tipo "um-estilista-usou-por-achar-chiquéééérrimo-e-aí-os-fashionistas-passaram-a-usar-também", isso porque eu já vi fotos de várias celebridades estampando o logo dos nerds de NY como se fosse um grife da moda. Mas o que mais me deixou espantado foi ver na C&A umas blusinhas de mulher com o logo do The Who. Já vi algumas menininhas suburbanas com a tal camisa, e aí eu pensei: "é, fodeu".

Não cabe aqui nenhum rancor idiota, nenhum idealismo no sentido de manter imaculados nossos símbolos de juventude. Afinal de contas, os Ramones, o The Who e tantas outras bandas estavam lá para serem consumidos mesmo (embora essa não fosse a intenção inicial). O problema é vê-los virar grife do efêmero (caralho, pense num título de livro: "Grife do Efêmero", de Felipe Vieira), até o dia em que serão descartados como uma camiseta velha, o que nós nunca faríamos. Lá em casa já chegaram para mim com a minha velha camisa do Motorhead à mão. O migué foi o seguinte: "Essa camisa não está velha? Chega está desbotada". Agarrei-me à peça de roupa e disse: "Nem pensar. Pode deixar ela aqui. Se quiser jogar fora essas de botão aí, vai fundo. A do Motorhead não".

É mais ou menos isso....

segunda-feira, janeiro 24, 2005


Dia desses, durante essas minhas primeiras férias em três anos, André Negão, Galo e Karina apareceram lá em casa para uma sessão do How the West Was Won, o foderoso DVD mais recente da banda mostrada aí em cima. Trata-se de um mimo imprescindível para quem é fã desses camaradas, pois mostra várias etapas da carreira deles. Dos primeiros shows em pequenos clubes e estações de TV até apresentações em megafestivais, já em 1979 (Knebworth) e com Bonham gordo como uma porca. Só tem um inconveniente: o repertório é meio repetitivo. Tem umas trocentas versões de Dazed and Confused (todas com aquela porra daquele solo com arco de violino), outras tantas de Communication Breakdown e mais uma penca de Whole Lotta Love. Mas no cômputo geral, tá valendo demais. Bom, fiquem agora com as coisas mais foderosas e as mais insuportáveis do Zep.


AS COISAS MAIS FODEROSAS DO LED ZEPPELIN

1 - John Bonham
2 - O solo de Jimmy Page numa das versões de Stairway to Heaven capturadas no DVD
3 - A atitude "Sou roqueiro, rico, tenho um boeing e quebro hotéis. E não vai demorar cinco minutos até você dar para mim"
4 - As histórias de maluquices na estrada, que se tornaram uma espécie de pardigma da mitologia roqueira
5 - Os teclados de John Paul Jones em "No Quarter"
6 - Misty Mountain Hop
7 - A inauguração do que, posteriormente, viria a ser a estética unplugged. Os sets acústicos do Led Zep eram tão poderosos quanto as coisas "plugadas".
8 - John Bonham

AS COISAS MAIS INSUPORTÁVEIS DO LED ZEPPELIN

1 - O solo de arco de violino de Jimmy Page em "Dazed and Confused"
2 - A atitude "Sou roqueiro, rico, tenho um boeing e quebro hotéis. E não vai demorar cinco minutos até você dar para mim". Às vezes é legal, mas tem horas que é um saco.
3 - As "viagens" mostradas no The Song Remains the Same. Haja culhão para ver aquele negócio...
4 - A afetação de Robert Plant. Pode lá ter sua graça para moçoilas mais afoitas, mas é geralmente uma frangagem sem tamanho.
5 - Tá bom parar por aqui, afinal de contas Led Zep é Led Zep. Não fica bem arrumar defeitos para eles...


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