terça-feira, novembro 30, 2004

ORIGINAL OLINDA FULEIRAGEM

Banda-arriação formada por quatro olindenses inveterados, e que tem como proposta tocar clássicos do reggae (Black Uhuru, Bob Marley, Horace Andy, Toots & The Maytals, Augustus Pablo, Burning Spear, Lee Perry, Peter Tosh) procura um nome, já que os próprios integrantes não conseguem achar nenhum decente. Favor postar as sugestões no comments. Obrigado.

segunda-feira, novembro 29, 2004

CONTO

Esse é um conto da lavra antiga. Notem que é de uma época em que Jorge Amado estava vivo, Sandy & Júnior estavam no auge, e quando Gilberto Gil tinha gravado aquele disco de forró. Gosto muito desse. Espero que vocês também curtam...


BAIANOS

Os baianos estavam reunidos em sua convenção anual, na casa de Jorge Amado. Fosse há dez anos, seria na de ACM, mas o velho Malvadeza já demonstrava que o apelido era a cada dia mais injusto. Cedeu ao autor de "Jubiabá" o direito de ciceronear a convenção, mas só porque este último andava meio adoentado.
A reunião era uma oportunidade para os baianos discutirem a quantas andava seu domínio sobre o Brasil e a conquista de territórios mundo afora. Traçavam metas e realizavam uma meticulosa contabilidade sobre sua influência no inconsciente do povo brasileiro. Àquela época um fato os incomodava: o É o Tchan estava vendendo cada vez menos discos e Ivete Sangalo estranhamente não arrumava mais namorado.
- 10 mil discos nos últimos três meses! Isso é um desastre! - exclamou Caetano
- Por que será que isso tá acontecendo, hein? - perguntou um incrédulo Jorge Amado - Vocês acham que o Brasil enjoou de nós?
- Hmmm....sei não - interveio ACM - Secretária! Me ligue com a Playboy! Vou sugerir a eles uma edição especial com as S(c)heilas, Carla Perez, Ivete, Gil e Márcia Freire! Eles vão ver o que é que a Bahia tem!
- O senhor vai "sugerir", Painho? - perguntou Carla Perez
- Não, minha filha. Mandar.
- Ah, bom. Esse é o Painho que eu conheço...
- Aproveita e diz pro Xandy que ele vai posar para aquela revista de....de...erh...vocês sabem! - ponderou o Síndico
- Mas Painho, o Xandy? Naquela revista de....de...boiola? Faz isso não Painho! Vão tirar muito sarro com a cara do pobrezinho! - choramingou Carla.
- Tá, tá. Então diz que é pra ele ir mais no programa da Xuxa. Ele tá aparecendo muito pouco na televisão....E você, minha filha, tá comentendo muitos erros de português e derrapando feio nos conhecimentos gerais. Você precisa passar uma imagem mais intelectual.
- "Inteli" o quê, Painho?
- Nada, meu bem. Esquece.
Nisso intervém Gal Costa..
- Caetano, meu filho, acho que você tá meio sumido do panorama artístico. Você é um expoente e tanto para a manutenção da nossa supremacia, querido. Temos que te levar de volta aos holofotes - sugeriu a cantora
- Ô Gal, o único jeito é eu gravar uma baladinha voz-e-violão. Tu me sugeres alguma?
- Hmmm....deixa eu ver..."Chuvas de Verão", do José Augusto!
- Boa...vou anotar. Mas me dá mais uma opção
- Sei lá. Pede pro Zezé Di Camargo compor uma música pra você!
- Mas ele não é baiano...
- Eu compro a música! Vira baiana na horinha! - berrou ACM
- Tá. Então liga aí pro Zezé....
Nesse momento, Carlinhos Brown entra na sala.
- Meia Lua Inteira, rebobeu dos timbales dourados! Pracundum! Tchan nan nan!
- Psssss! Comporte-se Carlinhos! Estamos discutindo o nosso futuro! - repreendeu ACM
- Desculpa, Painho...
- Estamos sem representação também no futebol. Temos que colocar um jogador nosso na Seleção Brasileira! - rugiu o Chefão
- O Bobô ainda tá jogando? - perguntou Durval Lellys.
- Claro que não, imbecil! O Bobô tá velho demais! Mas acho que o Bebeto ainda dá um caldo... - interveio Maria Bethania.
- É. O Bebeto. Deve estar com uns 40 anos, mas tem uma carinha de 38...
- África ultra-sônica, Máquina teotônica, Bragadá! Meia Lua Inteira! - cantarolou Brown
- Pssss! Quieto, Carlinhos! Dorival, o que você acha que deve ser feito para aumentar as vendas dos artistas de Axé Music? - perguntou Jorge Amado.
O Velho Caymmi estava absorto olhando o mar pela janela, mas disse, na lata:
- Bota a Sandy no lugar da Scheila Carvalho...
- Ei! Quer me derrubar, é velhote? Nem vem que não tem! - indignou-se a morena
- Calma, colegas! Não vamos nos dispersar! A energia cósmica afro-latina não pode ser diluída com mostras de rancor etno-psicótico.... - elucubrou Carlinhos
- Que foi que ele disse? - assustou-se Jacaré
- Nada...fica quieto, Brown! - interveio ACM - Bem, precisamos preparar nossas tropas de choque, caso seja necessário o uso da força. Como estão os Filhos de Gandhi e o Ilê-Ayê?
- Bem treinados, Painho. Uma ordem sua e eles invadem Brasília. Quer dizer, demora um pouquinho, né? Sabe como é, Brasília é longe e a rapaziada pára no caminho pra tomar aquela aguinha de coco...
- Sei, sei. Mas, e o Gil? Ainda não vi o Gil hoje. Ele também é de suma importância para o nosso domínio do Brasil - afirmou o patriarca do Dendê.
- Ah, Painho, o Gil agora tá tocando forró, baião, essas coisas de pernambucano - desdenhou Ivete - Até parece que ele virou casaca...
- Ah é? Miserável! Vai apanhar...Popó! Tenho um serviço para você, meu filho! - berrou ACM
- "Digue", Painho. Eu "rebento" quem o senhor quiser...
- É mesmo?
- Mesmo.
- Então começa pelo Carlinhos Brown.



quinta-feira, novembro 25, 2004

TER AMIGOS É TUDO...


Ron Wood nunca brincou em serviço. Pode ser considerado o melhor sideman da história do rock, por ter no currículo passagens pela banda de Jeff Beck - na época em que Rod Stewart era responsável pelo microfone -, Small Faces, e posteriormente, o melhor emprego do mundo sob a relação custo-benefício: guitarra-base dos Stones.

Em 1974, quando já desfrutava de absoluto prestígio no meio musical, resolveu sair da sombra e lançar o disco retratado aí em cima. O título não poderia ser mais emblemático: com "I´ve got my own album to do", Wood se mostrou como um inspiradíssimo compositor e, principalmente, um sujeito entrosado. Para gravar o disco, chamou Keith Richards - amigo de longa data e principal responsável pelo posterior ingresso de Ronnie nos Stones - , o tecladista dos Faces, Ian McLagan, o negão Willie Weeks no baixo, e o batera Andy Newmark. O resultado é um tremendo disco de rock, sacana e suingado como os grandes álbuns dos Stones.

O cartão de visitas é "I can feel the fire", que traz a primeira sacanagem do disco. Apesar de não estar creditado no encarte, é perfeitamente possível ouvir Mick Jagger cantando ao longo da música. "Far East Man" é mais uma prova de como Ronnie era descolado, pois trata-se de uma parceria dele com ninguém menos que George Harrison. Outra: George não é creditado no disco, mas aquela guitarrinha que sola durante a maior parte da música...sei não. "Mystifies Me" (coverizada pelo Son Volt no disco de estréia dos caipiras) é provavelmente uma das mais belas canções de amor já feitas. "Take a Look At The Guy" também foi alvo de uma cover recente, mas bem menos inspirada, por parte de Izzy Stradlin, mas isso deixa pra lá.

Ron Wood ainda recebeu da grife Jagger/Richards duas canções fresquinhas para o álbum. A belíssima "Act Together", com vocal gospel, poderia ter figurado em qualquer bom disco dos Stones. Já "Sure The One You Need", cantada por Keith Richards, soa como uma sobra do Exile On Main Street. No mais, os destaques ficam para "Shirley", do próprio Wood, e para "Crotch Music", de Willie Weeks, uma sensacional canção instrumental onde o negão dá uma aula de baixo aos Stuart Ham da vida.

É mais ou menos isso. Eu desenterrei esse disco ontem à noite, ouvi de cabo a rabo e pensei: "Tenho que escrever sobre isso aqui. E se ao menos um dos malucos que lêem o GG se instigar a ouvir, vou ser um cara satisfeito". Quem se habilitar a me tornar um sujeito mais satisfeito, favor avisar.

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quarta-feira, novembro 24, 2004

SOLTO A VÓ NA ESTRADA...

Admiro quem sabe cantar. Deve ser porque eu sou, reconhecidamente, um mau cantor. É extremamente desconfortável para mim ouvir o som da minha própria voz num registro gravado. Sim, eu acho que melhorei um pouco ao longo desses anos todos, mas ainda falta um bocado para eu me sentir satisfeito com o meu gogó. Mas alguns dos meus artistas preferidos são cantores pavorosos, o que obviamente me encoraja a continuar nessa brincadeira. Ontem eu pensei em fazer esse post sobre os meus vocalistas prediletos, mas cheguei à conclusão que fica melhor dividir alguns deles (as) por peculiaridades, ao invés de simplesmente dizer quem é o bam-bam-bam e pronto. Sendo assim, eis a lista:

1 - EU CANTO MUITO E A MULHERADA AINDA PAGA PAU PARA MIM - Chris Cornell, Robert Plant, Mike Patton, Nick Drake, Eddie Vedder, Jeff Buckley
2 - EU CANTO MUITO E SOU PROPORCIONALMENTE FEIO - Bob Marley
3 - EU TENHO UMA PUTA VOZ AGRADÁVEL - Lou Barlow, Lauryn Hill
4 - EU CANTO MAL PRA CARALHO, MAS SOU TÃO FODEROSO QUE A GALERA ME VENERA MESMO ASSIM - Bob Dylan, Neil Young, J Mascis, Chico Buarque
5 - EU CANTO BEM, MAS GRITO MELHOR AINDA - Frank Black, Phil Anselmo
6 - OLHA COMO EU SEI FAZER FALSETE - Curtis Mayfield (menção honrosa para J Mascis)
7 - QUERO VER ALGUÉM IMITAR A MINHA VOZ - John Fogerty
8 - EU NÃO CANTO BEM, MAS TENHO CARISMA E MINHA BANDA É FODONA NA HISTÓRIA DO ROCK - Mick Jagger, Joey Ramone
9 - EU SOU UM VOCALISTA MEDIANO, MAS MINHA BANDA ERA TÃO FODEROSA QUE EU ACABEI FICANDO FODÃO POR TABELA - Roger Daltrey
10 - ALÉM DE NÃO CANTAR NADA, EU SOU UM CHATO DO CACETE - Henry Rollins

terça-feira, novembro 23, 2004


Ter filho é empreender divertidas voltas à infância, e a todo instante. Desenterrar o disco do Plunct-Plact-Zum foi uma das mais legais, bem como observar, do alto de sua "adultez", como aquilo era uma grande putaria. O disco é lisérgico do início ao fim e, fora as fuleiragens de Maria Bethânia e etc, é a maior gréia. Na música das formigas, o cara diz que "meus olhos já estão pegando fogo". Na do Gang 90, o camarada fala que "o elefante aspira fundo", e ainda pergunta "será que o King-Kong é macaca?". Ainda tem o tal do "Planeta Doce" (eita bandeira da porra...).Ah, o time que gravou o álbum deve explicar a doideira. Na produção, ninguém menos que Guto Graça Mello. Tocando bateria em várias faixas, Lobão. E mais Raul Seixas, Júlio Barroso, Jô Soares, etc. E pensar que fomos crianças ouvindo essas mensagens subliminares. Olha aí o resultado...
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sexta-feira, novembro 19, 2004

LEÃO, RATINHO, GIMENEZ E EU

Ontem à noite finalmente descobri, graças ao Gilberto "Leão" Barros, o que me atrai tanto aos programas noturnos de auditório da nossa televisão. Na verdade, eu não os assisto com regularidade, e nem deixo de fazer coisas interessantes como ler, tocar ou escutar música para me plantar na frente de Luciana Gimenez, Ratinho ou do próprio Leão. Apenas, como já disse aqui antes, tenho o pavoroso hábito de comer em frente à telinha, e quando chego do treino para jantar já se vão altas horas da noite. Por isso, vez por outra, me pego hipnotizado por esses sujeitos.

E por que diabos isso acontece? Fácil. Esses programas tratam de temas corriqueiros com "debatedores" que você encontraria facilmente nas mesas de bar e até mesmo naquela ala mais modorrenta e conservadora da sua família. É um banquete de hipocrisia cujo apelo é certeiro. Afinal de contas, quem ficaria indiferente ao ver, tratando do "tema" DROGAS, figuras como Adriano, do BBB (o baiano encrenqueiro), Norton Nascimento e uma patricinha paulista?

O manjar de hipocrisia é tão saboroso que você não resiste e fica grudado na telinha, ávido por mais e mais. A certa altura, o artista plástico Didi (é assim que chamam o baiano, não pensem que eu sou íntimo do cara) se disse a favor da descriminalização da maconha. Pronto. Leão só faltou expulsar o cara do auditório, sob a alegação de que a erva era nociva, porta de entrada para outras drogas e outros clichês que, se por um lado têm fundamento, são empregados por pessoas que desconhecem esses fundamentos, falando apenas em nome da "moral" e dos "valores familiares". O pobre Adriano lutava sozinho para dizer que, para ele, o problema não era o cara que fumava tranquilamente seu baseadinho, e que esse camarada, caso pego pela Justa, deveria ser encaminhado a tratamento, e não à cadeia. Continuou tentando explicar às macacas do auditório e aos colegas de "debate" que a questão das drogas é muito ligada ao conservadorismo e ao monopólio das indústrias tabagista e alcoólica. Tentou falar que o ser humano altera a consciência há pelo menos cacetadas de milhares de anos, e ainda tentou deixar claro que isso não justificava a terrível indústria do tráfico que existe hoje. Uma posição correta e equilibrada, que se resume em: faz mal, sim, como tantas outras coisas, mas é preciso se livrar de certos preconceitos e ter um sistema judicial e de saúde pública em perfeito estado de funcionamento para tratar da questão. Mas não houve jeito. Didi já tinha sido rotulado - pelo auditório, pelo apresentador, pelos demais "debatedores", e principalmente pelo público - como um maconheiro, corruptor da família de dos valores morais, num linchamento moral semelhante ao que vitimou Soninha.

É mais ou menos isso que você vê nas ruas, nos ônibus, nas filas de banco, no inconsciente da população média do Brasil. Uma hipocrisia que revolta, e ao mesmo tempo alimenta - nas pessoas de senso crítico - aquela vontade de responder à altura. E, sinceramente, entre o Café Filosófico e o Super Pop, eu retiro mais ensinamentos e reflexões do segundo.

quinta-feira, novembro 18, 2004

EXTRAPOLOU

Mais uma de fuleiragem (tá rolando muita música ultimamente, é preciso dividir o espaço entre as duas diretrizes editoriais):

Tudo bem esse negócio de ser um homem moderno, gostar de se vestir e se cuidar, coisa e tal. Nada contra, acho salutar inclusive, embora não seja praticante. Mas tem gente que extrapola. David Beckham - bem definido por Zé como o "paradigma do metrossexualismo" - tatuou o próprio nome...na bunda. Sério, a foto tá na Folha de Pernambuco de hoje. Eu até achava que o camarada era só afeito a essas coisas por ser "muderno", descolado, exótico. Depois dessa, pra mim ele é um tremendo de um goba mesmo...


Empolgado com o desempenho de Ronaldo nos jogos contra a Argentina e Bolívia, lembro que escrevi um conto em que os principais líderes do mundo, capitaneados por Néstor Kirchner, tentavam seqüestrar Daniela Cicarelli. A medida visava frear o ímpeto do atacante brasileiro. Pelo visto, acho que conseguiram. Visivelmente mais gordo e sem correr cinco metros seguidos, Ronaldo foi o maior vexame do jogo de ontem. Cadê a Cica pra dar um jeito nele agora?
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quarta-feira, novembro 17, 2004

BUÁ

Tem horas que é difícil segurar o choro. Saber que o Wilco vai tocar na noite de reveillón no Madison Square Garden e que você não vai é uma delas...

Vejam o www.wilcoweb.com e constatem que eu não estou mentindo. Agora é bom ter uma caixinha de Kleenex ao alcance...

VYNIL WORLD TOUR

Já se vai um tempo desde que eu era um intrépido repórter automobilístico num renomado periódico da cidade. Viajava pra dedéu, e assim conheci bons pedaços desse Brasilzão. E comprei discos também. Minha curtição preferida, sempre que chegava num canto, era perguntar onde eram os sebos de vinil. E lá ia eu, sempre que as competições e test-drives davam um tempinho, fuçar as bolachas da cidade em questão. Algumas dessas incursões foram frustradas - não tinha nada melhor que o Brothers in Arms, por exemplo - mas outras me renderam grandes frutos para a minha coleção. E esses discos acabam, inconscientemente, me lembrando as cidades onde os adquiri. Para mim, por exemplo, Curitiba é a cara de:

- George Thorogood and The Destroyers - Idem
- Mandrill - The Beast of the East
- The Cars - The Best of
- Trefethen - Am I Stupid or Am I Great?

Já Belo Horizonte tem cheiro de:

- Crosby, Stills, Nash & Young - 4-Way Street
- The Troggs - Cellophane

Gramado, além de chocolate e vinho, me recorda um disco doidão do Dicró. Em Goiânia (não confudir com a capital mundial do Gadelhismo, pois estou me referindo à capital de Goiás) eu descolei uns discos muito viajados de violeiros locais. E por aí vai. Pena que, hoje em dia, eu só saia de casa pra atravessar o Estado a bordo de um Gol. Minha coleção estagnou legal...

EVERYBODY WANTS KUNG-FU FIGHTING

E eu, incrédulo, a me perguntar porque diabos estava aumentando tanto o número de alunos lá no templo nos últimos meses. Dia desses me veio a luz. "Claro, porra! Kill Bill! Esse Tarantino é um filho da puta mesmo!". Tomara que o próximo filme dele seja sobre jovens descolados que cometem suicídios em massa...


terça-feira, novembro 16, 2004


Taí a prova da grande trip. Maurício e eu na divisa entre PE e PI. Atrás das lentes está o grande Preá. Notem que uma moto vem vindo lá longe. Se Preá não fosse rápido no gatilho, acho que o negão estaria fazendo versões de clássicos da música pop diretamente para São Pedro...
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Pouco depois de voltar da minha mais recente aventura sertaneja, baixei pela casa de André Negão, levando a tiracolo o DVD que eu comprei (pasmem) em Salgueiro: um showzaço de Bob Marley no Santa Monica County Bowl, em 1979. Mas eis que o DVD de Negão deu um piti. Teve galho não: fomos de “Classic Albums”, aquela série que passa no Multishow, e o disco em questão foi nada menos que esse que você vê aí em cima.

Há tempos André tinha me dito que havia gravado a parada e marcava para a gente ver, mas sempre rolavam desencontros nas agendas de ambos. Dessa vez eu matei a curiosidade de ver como foi gravado esse que é um dos meu álbuns prediletos de todos os tempos.

O vídeo segue a mesma receita: mostra depoimentos de músicos e produtores, sempre intercalados de imagens da época em que foi gravado. O que mais me chamou atenção foi o foco nos Wailers como sendo apenas Bob, Peter Tosh e Bunny. Certo, eles fundaram a banda, mas os irmãos Aston “Family Man” e Carlie Barrett eram nada menos que a fundação musical sobre a qual surgia o som da banda. No vídeo eles são meio que relegados a um segundo plano, o que eu não achei legal.

Os fãs do Catch a Fire (existe alguém que, tendo ouvido esse disco, não tenha gostado?) vão se deleitar com versões “voz e violão” das imortais canções do álbum. Tem Bob Marley, num ensaio, levando “Stir It Up” como se fosse uma balada (ficou bom pra cacete), e uma impagável versão de Bunny, ao violão, para “Concrete Jungle”. E o sósia de Luís Melodia rouba a cena com os depoimentos mais pauleira e irônicos do documentário. Quando Bunny abre a boca, sobra para Chris Blackwell, Peter Tosh, a Babilônia, entre outros.

Outro depoimento engraçado é o de Martin alguma-coisa, o gringo que gravou o foderoso solo de guitarra de “Concrete Jungle”. Com indefectível jeitão redneck, o cara conta que não conseguia entrar no tempo da música, mas quando acertou o solo, Bob Marley veio a ele com um baseado do tamanho de um trem, tentando enfiar em sua boca e gritando: “É isso! É isso! Muito bem!”.
Caceta, como essa série Classic Albums é boa. Eu tenho a do “Transformer” e ainda não vi a do “Dark Side”, que a galera toda comenta. Para terminar, uma pergunta: que “Classic Álbum” você queria ver documentado?


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segunda-feira, novembro 15, 2004

SERTÃO SOUNDZ

E quem disse que o sertão de Pernambuco é feito só de forró e brega? Tá, essas pragas ainda dominam, mas há momentos musicais interessantes em meio à caatinga. Vejam os que presenciei:

1 - "My Sweet Lord" rolando num bar de Salgueiro
2 - "These Boots (were made for walking)" tocando a toda num caminhão parado num posto em Araripina
3 - "New Year´s Day" a todo volume, e cantada por um punhado de matutos num bode lá mesmo em Araripina

Diálogo travado entre eu, Preá (fotógrafo) e Maurício (motorista), na altura de Arcoverde. No som rolava "Girls Just Wanna Have Fun".

Preá - Que porra de mulher gasguita é essa?
Maurício - Cindy Lauper...
Preá - O quê?
Maurício - Cindy Lauper, porra! Sandra Lopes!
Felipe - AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

"Sandra Lopes" foi simplesmente genial! E o cara ainda conseguiu fazer uma hilariante versão de "Molina", do Creedence, cuja fita a gente ouviu quase até rasgar. Vejam a sagacidade do sujeito. "Moliiiiiiiina, where you´re going to?" virou "Oliiiiiiinda, David Copperfield!". Esse cara é meu novo ídolo...

quarta-feira, novembro 10, 2004

COUNTRYSIDE BOUND

Posts novos no GG só sexta-feira. Estou indo para Arararipina City, esse lindo pedaço de terra que faz divisa com o Piauí. Caralho...Piauí. É longe, fio...

terça-feira, novembro 09, 2004

LIVE AT BUDOKAN

Quando eu comecei a escutar som, minha grande viagem eram os discos ao vivo dos artistas que eu curtia. Acho que era para compensar aquela velha impossibilidade de ver, in loco, a performance das figuras em questão. Mas depois de macaco velho eu tomei um abuso feladamãe do tal do disco ao vivo. Isso por um motivo bem simples: não é toda banda/artista que se garante tocando para um platéia. Certos músicos soam muito direitinho dentro do estúdio, mas ao vivo ficam uma tranqueira sem tamanho. O Nirvana era aquele furacão em disco. Já ao vivo eu não achei grande coisa. O Pearl Jam soa correto em estúdio, mas ao vivo eles se transformam em quinze! O Barão Vermelho é uma merda de qualquer jeito, mas o disco ao vivo deles tem até um ou outro momento interessante, mais pelo aspecto "rock" da coisa que pelas músicas em si.

O The Who, por motivos que todos nós conhecemos, era a melhor banda ao vivo do planeta. Jimi Hendrix era um cara essencialmente "ao vivo", pois não gostava de repetir o que registrava em estúdio, e estava sempre mudando as músicas. O Dire Straits ao vivo é uma das coisas mais pavorosas do universo. À banda de quatro caras eram acrescidos, uma terceira guitarra, duas percussões, pedal steel, naipe de metais, Phil Collins, Eric Clapton, além do Bob Geldof fazendo a social. E o Mark Knopfler insistia em mudar as melodias originais das músicas (sou puto com quem faz isso).

Do Iron Maiden ao vivo ninguém pode reclamar, pois as músicas saem do mesmo jeito em que estão nos discos, até aquelas guitarrinhas em terça. Neil Young ao vivo é um negócio do outro mundo. Led Zeppelin também é foderoso, até os 15 primeiros minutos do solo de arco de violino do Jimmy Page, que eu acho um saco. Rush ao vivo é como colocar os discos para tocar (o que não é demérito à banda canadense). Megadeth ao vivo tem o Dave Mustaine babando. Teenage Fanclub ao vivo é o toque de Deus sobre as cabeças dos mortais.

Meus discos ao vivo preferidos:

The Who - Live at Leeds
Jimi Hendrix - Live at The Isle of Wight
Cheap Trick - Live at Budokan
Crosby, Stills, Nash & Young - 4-way Street
Bob Dylan - Hard Rain
Neil Young - Live Rust
Led Zeppelin - The Song Remains the Same
Peter Tosh - Live and Dangerous
DFC - Farofa Kind
Ramones - It´s Alive!
Stones - Get yer Ya Yas out

segunda-feira, novembro 08, 2004


Meet Tony Montana. O verdadeiro MESTRE DO UNIVERSO. Com ele, encerra-se a saga. Não haverá votação. Amém.
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Ontem à noite, por golpe do destino, passei em frente à tv no momento em que Boneca Camargo anunciava, como a maior novidade dos últimos anos, o novo clipe do U2. Obviamente, parei para ver, dada a eloqüência com que o vídeo foi apresentado, e cheguei à conclusão de que Bono e Cia estão a cada dia mais ridículos. A música em questão - chamada "Vertigo" - é um pé-no-saco, parece que os caras, com tantos anos de estrada e um reputação a zelar, resolveram virar o The Hives, The Vines, The Lives, The Wines, e todas essas bandinhas de "rock simples e esperto" que vicejam por aí. Um riffzinho muito do sem-vergonha, um climinha "descolado", um vídeo cheio de efeitos e...vá se foder. A única coisa boa é que tudo é muito bem gravado, como todas as coisas do U2. No mais, lixo.

Eu até gostei de "All that you can´t leave behind", trata-se de um bom disco pop, como os caras não faziam há uma data (tanto que metade das músicas encheram os colhões e ovários de quem escutava rádio). Mas Bono Vox tá velhinho demais pra brincar de roqueiro "muderno". E The Edge está careca de saber que isso não dá certo...
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sexta-feira, novembro 05, 2004


Minha mulher, definitivamente, sabe o que faz. Um dos presentes que recebi dela por ocasião do meu 29° aniversário foi a autobiografia de um dos maiores ídolos da minha infância, e cuja trajetória eu ainda acompanho com admiração: Diego Armando Maradona.

Yo soy El Diego de la gente é um relato em primeira pessoa, resultado de quase um ano de entrevistas concedidas por Don Diego aos jornalistas argentinos Daniel Arcucci e Ernesto Cherquis Bialo. Para ser sincero, eu ainda estou na página 22, e por isso não vou me meter a fazer uma resenha da obra.

A foto acima é uma demonstração clara do que representava Diego Maradona no auge de sua carreira. Veja o pânico estampado na cara de seis belgas - mais da metade do time ligada em um único jogador - enquanto Diego domina a bola com a canhota magistral. Lembro bem de que vi, ao vivo (pela tv, obviamente), AQUELE gol contra a Inglaterra. Dezoito anos se passaram e a cena ainda é nítida na minha mente: eu ligado na televisão e meu pai tirando um cochilo no tapete da sala. De repente Maradona domina a bola em seu próprio campo, dá um giro que entorta dois ingleses e segue em frente. Dribla um, dois, três, entra na área, passa por Peter Shilton e pimba! À medida que ele ia driblando, eu ia me levantando do sofá, quando ele já estava na boca da área, eu não resisti e comecei a cutucar o coroa, já que antevia o desfecho genial da jogada. “Acorda, pai! Acorda! Vê que gol do caralho!” Ele acordou, todo rabugento. “Ora porra, o que foi?”. E eu: “O gol! O gol! Vê que golaço!”. Aí a tv já mostrava o replay, e a cara do meu velho foi mudando, da rabugice para aquele espanto de quem se depara com uma obra-prima. Até hoje me lembro do: “Porra...golaço mesmo” que o velho proferiu, para depois se deitar e voltar à soneca.

Quem acompanha futebol sabe de todas as etapas da carreira de Maradona. O coice em Batista, que o expulsou das oitavas da Copa 82, a Copa do México, ganha por um homem só (adivinhem quem), o passe fatal para Caniggia sepultar nosso sonho em 1990, a cara de mau ao gritar para as câmeras da tv em 1994, a expulsão da mesma Copa, os problemas com drogas, a espingardinha de chumbo, Cuba, Fidel Castro, Pelé...

Maradona é um ídolo, mas transcende essa esfera angelical que se costuma conferir aos ídolos. Ele não é, nunca foi, e provavelmente, depois de velho, nunca será exemplo de conduta adequada para as criancinhas e jovens. Maradona é um ser humano, dotado de um talento extraordinário em sua profissão, mas que também deixa claro que é de carne e osso, tem defeitos e luta contra seus demônios numa agonia pública acompanhada por todo o mundo.

Li recentemente um artigo de um jornalista inglês, publicado no Mais!, da Folha, sobre a biografia de Don Diego. O camarada (esqueci o nome agora) diz que Maradona morre lentamente a cada dia, para que todos possam ver, e parece não estar nem um pouco incomodado com isso. A analogia que ele faz para esse processo público de autodestruição é engraçada: “Em todo gordo existe um magro tentando sair. No caso de Maradona, parece que existe um mais gordo ainda tentando entrar”.

Bom, estou vendo que esse texto não tem muito sentido e nem está bem amarrado. Mas não é todo dia que se consegue fazer as coisas a contento. Paciência.
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quinta-feira, novembro 04, 2004


Como eu tinha prometido, lá vai o Temple of the Dog...

Na foto acima estão, clockwise from the top, Matt Cameron, Stone Gossard, Mike McCready, Chris Cornell, Jeff Ament e Eddie Vedder (este no centro). Isso perfaz 80% do Pearl Jam e 50% do Soundgarden. À época (1991/92) eles montaram essa brincadeirinha e a chamaram Temple of the Dog. A intenção inicial era gravar duas músicas que Cornell havia composto em homenagem ao amigo Andrew Wood, vocalista dos lendários Green River e Mother Love Bone, ambos precursores da cena grunge de Seattle, e que pereceu fulminado por uma overdose de heroína em 1990.

Mas o projeto tomou vulto e acabou virando o disco homônimo, que saiu praticamente na mesma época em que os clássicos das duas bandas: Ten, do PJ, e Badmotorfinger, do Soundgarden. Transformou-se num projeto de luxo dos caras, e fez um grande sucesso naqueles tempos. Começava com “Say Hello 2 Heaven”, uma das músicas compostas para Andy Wood, e provavelmente o réquiem mais bonito já feito. Depois tinha “Reach Down”, a outra canção feita para o cara, uma viagem de quase 12 minutos, mas que vale pelos solos do Mike McCready. A terceira música foi o grande hit: “Hunger Strike”, além de ser uma puta canção, trazia, para delírio das menininhas, os dois maiores galãs do grunge terçando vozes. É bom esclarecer que Eddie Vedder, apesar de estar na foto acima, não era um membro permanente do TOTD - ele apenas canta em “Hunger Strike”. O resto do disco mostra que Cornell estava mesmo à frente da criação, pois tudo soa como um LP do Soundgarden, pesado e arrastadão, mas sem outras canções tão marcante quanto as três primeira (“Wooden Jesus” talvez seja a melhorzinha...).

Pois é. Depois disso os caras ficaram milionários e o Temple of The Dog nunca mais deu as caras. Já faz um bom tempo que o Soundgarden acabou, e Matt Cameron pulou para o Pearl Jam, onde está até hoje. Já Chris Cornell, vocês bem sabem, grava “Ave Maria” e empresta o privilegiado gogó para os caras do Rage Against the Machine, na baboseira conhecida como Audioslave. Soundgarden de volta, por favor!!!!

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quarta-feira, novembro 03, 2004

AINDA AS ELEIÇÕES DOS EEUU

Alguém aí viu a grande cobertura que o Jornal Nacional fez ontem? Impecável de cabo a rabo, da estrutura física montada pela emissora até o conteúdo das matérias. Foda foi ter que me dividir entre o JN e o TV Fama, que prometia detalhes exclusivos do casamento de Luciano Huck e Angélica. Assuntos de importância mundial.

DEMOCRACIA?

Tentar entender as eleições dos Estados Unidos é se deparar com os grandes enigmas da humanidade, como a final da Copa de 98, e a pérola Gadelhista "porque ´tudo junto´ é separado e ´separado´ é tudo junto?". Juro que eu já li e reli uma cacetada de coisas a respeito e continuo sabendo do pleito ianque tanto quanto sei de Mecatrônica. Até os tradicionais guias da Folha de S. Paulo, sempre tão didáticos, não conseguiram me colocar a par do sistema. Sinal de que o negócio é complicado mesmo.

Mas esqueçamos esse troço de Colégio Eleitoral, a votação proporcional por Estados e outros melindres. O que me assusta é o processo eleitoral em si, cheio de brechas para todo o tipo de maracutaia. Caceta, a maior potência econômico-militar-tecnológica do planeta ainda vota em cédulas de papel, em dias diferentes, e permite que correligionários dos candidatos circulem livremente pelas seções de votação, com o claro objetivo de intimidar os eleitores. Ainda tem a tal da Suprema Corte que, segundo consta, pode mandar tudo para a puta que o pariu e eleger o presidente que lhe convier, tal como fizeram no imbróglio da Flórida, dando a Bush o mandato a que ele não teria direito.

Conversávamos sobre isso, eu e minha mulher, quando ela se saiu com uma ótima explicação para o fato de "republiquetas de bananas" - como eles se referem a países do Terceiro Mundo - como o Brasil terem pleitos rápidos, eficientes e informatizados, enquanto potências como eles ainda votam de uma forma amalucada. Segundo ela, o conceito moderno de democracia nasceu nos Estados Unidos. Trata-se de um país que nunca conviveu com ditaduras ou regimes totalitários. Ou seja, o civismo e a democracia são tão intrínsecos à vida dos americanos que eles não se dão ao trabalho de fiscalizar os pleitos. É algo do tipo "somos, por natureza, a terra da liberdade e da democracia, então não há porque temer roubalheiras nas eleições". Faz um enorme sentido, se analisarmos que os mecanismos de controle dos sufrágios ianques são medíocres. Já a tendência a se fazer maracutaia, por sua vez, não é exclusiva das "repúblicas de bananas". Aqui, escolados por tanta sacanagem, pelo menos já temos um sistema eleitoral eficiente. Se continua o clientelismo, a troca de votos por dentaduras, os currais eleitorais, isso é outra história, que deve ser combatida aos poucos. Mas eu juro que, a partir de agora, toda vez que for votar na maquininha e conhecer o resultado no mesmo dia, vou lembrar das filas americanas, e das eternas lambanças na apuração. Bananas pra eles!