sexta-feira, outubro 29, 2004

89 FM: A RÁDIO RRRRROCK!!!!

A quebra do cd player lá de casa tem me proporcionado momentos interessantes junto aos meus discos de vinil e, principalmente, às minhas velhas fitas cassete de guerra. E foi numa delas que eu achei gravações feitas diretamente da saudosa 89 FM, a Rádio Rock. Em 1992/93, a famosa 89 FM de São Paulo – que toca 24 horas diárias de rock e derivados – resolveu abrir filial aqui no Recife, talvez impulsionada pelo então nascente Manguebeat, ou até mesmo por uma prospecção de mercado.

Naqueles tempos de grana curta para comprar discos e onde ninguém sequer sabia que a internet iria virar tudo de ponta-cabeça, ouvir a Rádio Rock era saborear o manjar dos deuses. Mal havia comerciais (e isso obviamente decretou o luto da 89 FM na capital pernambucana), e o som que rolava era de primeiríssima. Vivíamos o auge do grunge e o surgimento “comercial” do tal rock alternativo, e tudo que você pudesse imaginar dessa laia rolava o dia inteiro no dial da Rádio Rock. Imagine você, em pleno ano de 1993, poder ligar o aparelho e ouvir Pearl Jam, Soundgarden, Screaming Trees (“Nearly Lost You” era bóia, rolava a toda hora), TAD, Mudhoney, Nirvana, R.E.M., Dinosaur Jr (gravei “Keep the Glove” ao vivo, sensacional), My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Pixies, Sonic Youth (da época “pop” do Dirty), entre outros.

Como frisei acima, a falta de anunciantes abreviou a brava empreitada da 89 FM em plagas pernambucanas. Mas valeram as tardes que passei grudado ao rádio, com a fita pronta para gravar QUALQUER COISA que rolasse, pois seria de qualidade.

Obs: Esse post foi, inicialmente, para falar do Temple of the Dog, cujas músicas achei na tal fita, mas acabou derivando para a Rádio Rock em si. Prometo escrever sobre eles logo na seqüência.

VALEU!

Aos amigos que foram à fuleiragem de ontem, meu muito obrigado. Aos que não foram, não se preocupem. Começa, a partir de hoje, a contagem regressiva para a festa que vai acabar com a Região Metropolitana: os meus 30 anos. Programem-se desde já.

quinta-feira, outubro 28, 2004

É HOJE

O editor-in-chief deste renomado espaço completa hoje 29 anos de praia. Aos amigos fica o aviso: uma grade já paga e outra em vias de estar (ainda estou fechando a linha de crédito que vai garanti-la). Local: bar Biographia, em Olinda. Não tem erro: vindo pela beira-mar, passa o Fortim do Queijo e o bar fica na curva que se segue, do lado esquerdo. Estarei lá às 19h. E quem quiser beber das grades pagas, que chegue cedo!

Felipe Vieira
Editor-in-chief

terça-feira, outubro 26, 2004

MAIS UM

John Peel morreu. E com ele a minha esperança de gravar um "Badminton: the Peel Sessions". Paciência, acontece.

De tanto falar n´O Mestre e em Lou Barlow, de repente bateu a secura de escutar Sebadoh (foto acima). E sinceramente, isso é algo que as pessoas deveriam fazer mundo afora. Com certeza esqueceriam problemas, dívidas, crises existenciais, etc. Ao contrário do Dinosaur Jr - sempre grandiloqüente e bem tocado - o Sebadoh é o que pode ser chamar de "Putaqueopariu Music", com suas canções de três acordes (vá lá, algumas têm quatro) e muitas viagens. Não se supreenda ao encontrar alguns instrumentos levemente desafinados ou viradas de bateria que não voltam no tempo certo da música, isso é absolutamente normal para Barlow (o de cabelo grande e óculos na foto acima) e Cia. O cara é, inclusive, um compositor tão bom quanto o ex-desafeto, só que trilha outra praia. As cançoes d´O Mestre são sempre sobre amores impossíveis e desilusões afetivas. Já as de Barlow têm o humor ácido das pessoas obscuras, nerd e sarcásticas, os famosos "losers". O cara tem um site próprio bem interessante (www.loobiecore.com), além do site oficial da banda (www.sebadoh.com). E dessa vez eu não vou pedir para você comprar a coleção inteira deles. Afinal de contas, você já deveria estar se mexendo para fazê-lo.
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segunda-feira, outubro 25, 2004

BOA SACADA

O GG não é bem um espaço para embates futebolísticos, e eu também não quero tripudiar publicamente do sofrimento dos amigos alvi-rubros (só dos amigos, os outros alvi-rubros que se lasquem pra lá). Mas essa da Sportnet foi simplesmente genial. Criatividade à toda prova. Copiem o link, aumentem o som do PC e se preparem para rir muito...

www.sportnet.com.br/natacao.html

sexta-feira, outubro 22, 2004

ALEGRIAS E TRISTEZAS MUSICAIS

Legal acompanhar os sites dos amigos, pois sempre surgem idéias bacanas para o seu. Acabei de vir do sítio de Wilfred Gadelha Júnior, onde li um post sobre sua provável descida ao sul para ver o show do Anthrax. Deixei comentário lá para estimulá-lo, e o lembrei que eu fui covarde (essa é a palavra) por não ter ido ver Neil Young no Rock In Rio. Tudo bem que eu estava durango, mas sei lá, hoje eu vejo que eu deveria ter feito vaquinha com os amigos, pedido grana no sinal da Agamenon com uma faixa ("Ajude um pobre fã a ver o show de seu ídolo"), vendido minha coleção da revista Placar, entre outras coisas. Mas não fui. Vi ao vivo pela TV e me senti o último dos fãs. Por alguns breves instantes eu olhava para a cara do Véio e via um certo ar de birra. "Claro, é porque eu não fui! Ele tá puto comigo! Que fã de merda eu sou!". Fiquei mal. Até hoje é difícil ver a fita que eu gravei daquele show. Amigos que estiveram lá recitaram, numa torturante cantilena, o famoso "só me lembrei de tu, bicho!". Mas eu fiquei feliz por eles. De verdade.

Mas nem tudo é miséria na minha vida de fã. Até hoje sinto um negócio bom ao lembrar que vi, em minha própria cidade, duas bandas que marcaram de forma indelével minha vida: Mudhoney e Teenage Fanclub. Os primeiros, num Rec-Beat da vida, em plena Rua da Moeda lotada de "manos". Eu achava que tudo era mentira, que Guti tinha soltado uma perua e que na hora a gente ia ter que engolir o Cordel do Fogo Encantado. Fui lá conferir e, de repente, vejo o Mark Arm e o Steve Turner em cima do palco, ajeitando os instrumentos. "Puta que o pariu, é verdade! Os caras vão tocar!". Virei adolescente de novo. Poguei quando rolou "Blinding Sun" e "Suck You Dry", bati em alguns manos e levei porrada de tantos outros. Mas o momento mais lindo do show foi "Good Enough". Só que foi adolescente na nossa gangue sabe o quanto essa canção significa. E eu tive vontade de chorar. Mas se eu chorasse ia perder parte do show, e isso não estava nos planos. Segurei firme e "terminei" o show. Incrível a sensação de alma lavada que sucede uma experiência dessas.

Depois veio o golpe de misericórdia: Teenage Fanclub, agora mesmo, em maio desse ano. A banda que eu conheci em 1991 e que embalou o meu vestibular, com a fita que eu mandei gravar na finada e saudosa Discossauro ("Bandwagonesque", claro). Nesse caso foi diferente. Eu sabia que eles viriam. Cheguei ao Teatro da UFPE, conversei uma hora de potoca com Fabão, mais um tanto com a galera da Parafusa, e entrei na área dos camarins. Tinha ido pegar uma cerva no camarim coletivo "Profiterolis/Parafusa/Pelvs" e voltava para o palco quando aconteceu. Vi de longe um galego andando meio desengonçado em minha direção. Gelei, feito um fã atabacado. Era Norman Blake. O cara que começa o Bandwagonesque cantando "She wears Denin wherever she goes...". Minha primeira reação foi baixar a cabeça. Não consegui encarar. Com o canto dos olhos, vi que ele tentava falar qualquer coisa comigo. Aí tomei fôlego e olhei. Ele deu um "alô" e entrou no camarim. Logo depois, ainda antes do show, Zé me levou pra presentear o Raymond McGuinley com uma cópia do "Petroliana". Troquei algumas frases com ele (simpático, o maluco) e resolvi lavrar, afinal de contas o cara estava no camarim, se preparando para o show. Fui um fã consciente e não aluguei.

Aí veio. Eles subiram ao palco e eu já estava lá na galera, numa posição estratégica: nem no gargarejo e nem longe demais. Do meu lado esquerdo estava Haymone. Do direito, os irmãos Marcos "Puto Safado" e Henrique Müller, mais Joanna Paula. Cito estes pois foram os que estava mais perto. Sei que um porrilhão de gente legal estava lá naquele teatro para acompanhar a História sendo feita. E ela começou com "About You", derrubando tudo com o "Aaaaaaaahhhhhhhhhhh....". Depois da pedrada de abertura, lembro bem de Blake chegar ao microfone e dizer, com o sensacional sotaque escocês: "This one is called ´Start Again´". Puta merda. Foi incrível ver como, ao vivo, os caras não desafinam nem um mísero semitom, parece a porra do disco rolando. Ah, depois vieram "Ain´t That Enough", "Verisimilitude", "What You Do To Me", "Mellow Doubt", "The Concept" (ficou rápida pra cacete) e tantas outras canções que nos fizeram e fazem sentir tão bem. Para fechar a tampa do caixão, "Star Sign" (ficou lenta pra cacete), "Sparky´s Dream" e "Everything Flows". Pronto. Era mais um sonho realizado, e de forma sublime. Desculpem-me pela veadagem do período que se segue, mas a verdade é que naquele dia eu fui dormir mais leve, podem acreditar.

Por isso, Billfred Jr, vá para essa porra desse show do Anthrax, nem que seja a nado.



De que será que o Nizan está rindo?
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quarta-feira, outubro 20, 2004

OS MAIORES EGO-CLASH DA HISTÓRIA DO ROCK

Pensei em fazer na forma de série, mas vai tudo de uma vez mesmo, até o talo. Vai demorar um pouquinho pra ler, mas acho que vale a pena. E qualquer outro embate de egos que eu por ventura tenha olvidado, favor relatar nos comments. Ah, Cazuza x Frejat não vale...


1. JOHN LENNON X PAUL MCCARTNEY – Esse é também o mais manjado. Depois de uma parceria que, dizem, só rolou mesmo nos primeiros discos dos Beatles, Macca e Winston começaram a compor isoladamente, e a competir de forma velada por espaço dentro da banda. Mas a relação de profundo respeito entre ambos permitiu que não rolassem tantas podreiras. A grande treta no final da banda era entre McCartney e George Harrison.

2. CROSBY X STILLS X NASH X YOUNG – Pense num problema. Juntar quatro sujeitos com claras inclinações egocêntricas só poderia ter dois resultados: um sucesso sem precendentes ou uma inominável cagada. Por algum tempo, a primeira alternativa se mostrou viável, e o CSNY virou o primeiro supergrupo da História a lotar arenas. Mas aí, os anos 70 batendo à porta, a doideira se instalando, drogas, drogas e mais drogas, e tudo foi à puta que o pariu. Primeiro foi Neil Young – o mais complicado – a mandar todos à merda. Depois Stills, o pretenso adversário de Neil na banda. Crosby e Nash, mais moderados, fizeram vários shows como dupla. A banda teve várias idas e vindas depois disso, mas é aconselhável não deixá-los juntos no mesmo ambiente por muito tempo.

3. BOB MARLEY X PETER TOSH – Mr Nesta era o superstar, tinha o carisma e o dom para compor algumas das mais belas canções da História da Música. Mas Peter Tosh era muito talentoso, e não se contentou em viver à sombra de Bob, como guitarrista dos Wailers. Depois de gravar Catch a Fire (ou o Burning, agora eu esqueci), chutou o balde e foi seguir carreira solo. Causou polêmica ao afirmar que Bob Marley só era superstar por ser filho de um branco, e vivia insinuando que o ex-colega era um falso negro. Bob nunca deu muita bola (não nesse sentido...), afinal de contas via despeito nessas declarações. Marley sucumbiu ao câncer, e Tosh levou um balaço no portão de casa. Devem ter se entendido, fumando unzinho, lá em cima...

4. DAVID LEE ROTH X EDDIE VAN HALEN – De um lado uma bicha acrobata e egomaníaca. Do outro o mais badalado guitarrista dos anos 80. Um achava uma merda ter o outro na banda, pois haveria uma previsível divisão de holofotes. Aí David deu lavrando. Por ele, ao invés de Van Halen, a banda se chamaria David Lee Roth and His Dutch Brothers And Drunk Bass Player.

5. IAN GILLAN X RITCHIE BLACKMORE
DAVID COVERDALE X RITCHIE BLACKMORE
O MUNDO X RITCHIE BLACKMORE
O guitarrista do Deep Purple pode ser considerado o ego mais filho da puta e complicado da História do Rock. Para ele, os vocalistas da banda deveriam cantar bem, mas qualquer pingo de carisma era visto com maus olhos. Chutou Gillan e Coverdale, dois bons gogós de metal. Abusou da regra três e foi chutado posteriormente. Hoje o resto dos caras usa o nome Deep Purple e ele deve ser muito puto com isso. E cá entre nós: um sujeito que monta uma banda chamada Rainbow tem mais é que se foder mesmo...

6. BLACK FRANCIS X KIM DEAL – Aí eu já acho que rola uma trepada mal resolvida (ou nunca dada). O gordinho sempre manteve a baixista a rédeas curtas dentro da banda, impedindo que ela emplacasse suas músicas. Num momento de piedade extrema, resolveu deixar que “Gigantic” fosse gravada sob a grife Pixies. Depois ela saiu botando pra lascar no careca, e também compôs uma música malcriada para ele: “I Just Wanna Get Along”. Agora a pergunta que não quer calar: será que com essa volta dos Pixies eles não “resolveram” a parada?

7. O MESTRE X LOU BARLOW – Que O Mestre era o dono do Dinosaur Jr, isso não se discute. Mas o fato é que o Lou Barlow nunca teve culhão para chegar e dizer que não queria mais, que gostaria de fazer um som próprio e tal. A tensão entre os dois foi se arrastando ao ponto de, durante a turnê do Bug, em 1988, os dois nem se falarem mais. O Mestre então demitiu Barlow, que demonstrou ser um excelente compositor à frente do Sebadoh. O detalhe é que Lou, muito puto com O Mestre, compôs “The Freed Pig”, onde descasca o ex-companheiro. Detalhe: O Mestre produziu uma versão que o Breeders fez para essa música. De falta de espírito esportivo ninguém vai poder acusá-lo. Li entrevista recente de Lou onde ele fala que já voltou às boas com O Mestre, e hoje já estão até fazendo turnê juntos, o The Fog e o Sebadoh.

8. JEFF TWEEDY X JAY FARRAR – Não ia dar certo por muito tempo. Dois grandes compositores-centralizadores juntos só podia dar em merda. Depois de quatro grandes discos à frente do Uncle Tupelo, Tweedy e Farrar – amigos de infância na pequena Belleville, Illinos – mandaram um ao outro tomarem no cu. Cada um catou um caquinho da banda e seguiu em frente. Jeff ficou com John Stirratt (baixo) e Ken Coomer (bateria) e fundou um tal de Wilco. Jay arregimentou Mike Heidorn (primeiro batera do UT e também amigo de infância deles) e os irmãos Jim e Dave Boquist, para formar o Son Volt. Hoje parece que eles são amigos de novo. Também, com dinheiro no bolso se esquecem as desavenças.


E o reverso da moeda:

TEENAGE FANCLUB – Exemplo de como ter três compositores de primeira classe e nunca ter rolado treta. Simples assim.

Em visita à humilde residência deste que vos tecla, Marcelo Gomão, acompanhado de seu laptop mágico, mostrou algumas pérolas de todas as fases do Dinosaur Jr. A fonte foi um site que descobri por acaso, o www.freesofree.net , que deixa disponível para download shows inteiros em áudio e vídeo, além dos clipes da banda e da carreira solo d´O Mestre (foto acima).

Duas coisas me chamaram atenção. Uma foi um showzaço que os caras fizeram no campus da Umass, em Amherst, isso em 1993 (auge “comercial” dos caras). Eu queria muito ter estado lá. Um sol de rachar (acho foderoso shows de rock em plena luz do dia), um som de foder, e o campus apinhado de gente. É mais ou menos como se você fosse ver seu time jogar em casa, num estádio lotado, e com a certeza de que vai ver um espetáculo.

E jogando em casa (Amherst é a cidade natal deles), o Dinosaur Jr goleou. Pedrada após pedrada - “Little Fury Things”, “Freakscene” - o público abria rodas de pogo e fazia crowd surfing sem parar. A banda estava afiadíssima. O Mestre despejava o habitual paredão de distorção, enquanto o canastrão Mike Johnson segurava bem a onda no baixo também distorcido. Me surpreendeu a performance de Murph. Não sabia que o cara batia tanto ao vivo.

A segunda coisa mais legal foi o clipe de “Going Home”, clássico do “Where You Been”. Falando sério, é o negócio mais surreal que eu já vi na vida. O vídeo se passa no Velho Oeste, e nele O Mestre é um cowboy que anda com uma flecha estocada no peito. Tem uma cena em que é preciso se segurar para não desabar da cadeira de tanto rir. O cara está sentado numa barbearia, com a cara cheia de loção de barbear, e aí entra uma vaca no local. Depois ele sai andando pela rua, ainda com a loção de barbear e a flecha no peito. É engraçado demais. No final tiram a flecha e ele começa a morrer, enquanto duas garotas tiram a roupa dele. Surreal.

Precisamos recrutar os fãs do Dino e d´O Mestre para uma sessão especial no laptop de Gomão.

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terça-feira, outubro 19, 2004

CONTO

Tive a idéia desse conto no sábado, mas só ontem deu pra escrever. Espero que curtam.


O ELEITO

A primeira eleição que ganhou foi, por assim dizer, oficiosa. A família lotou a maternidade e o elegeu, por unanimidade, o bebê mais belo do local. Para esse sufrágio foram convocados até os parentes que moravam em Catolé do Rocha, e que não tinham contato com a família havia mais de vinte anos. Mas valia tudo num pleito.

Alguns anos mais à frente, venceu a eleição para representante de turma. Sua gestão foi marcada por projetos importantes como a instituição do cachorro-quente gratuito para os alunos e do aumento do recreio para duas horas. Pena que o colégio, num rasgo antidemocrático, rejeitou propostas tão valorosas.

Foi presidente do Grêmio da mesma escola, tendo vencido com uma diferença de um voto com relação ao adversário. Depois soube-se que a mãe do vencedor foi vista no dia da votação, xeretando as urnas. Já na universidade, presidiu o D.A., de onde pinotou para o DCE. Enrolou-se com a emissão das carteiras de estudante, promoveu duas calouradas fracassadas e, mesmo assim, acabou reeleito.

Já formado, precisava de outros campos. Candidatou-se à presidência do sindicato da sua categoria, e enfrentava dificuldades para vencer o candidato mais moderado. Foi eleito após declarar que em sua gestão haveria greves, greves e mais greves.

As coisas começaram a mudar quando tentou uma vaga à Câmara de Vereadores. Ficou a três votos da última vaga, e reza a lenda que foi tomar satisfações com cada um de seus 2.176 eleitores. Queria saber quem tinha faltado com empenho para conseguir os três sufrágios que o levariam ao Executivo Municipal. Acabou descobrindo os traidores: a mãe, que estava chateada com ele por conta de uma discussão, a ex-mulher, por motivos óbvios, e o melhor amigo, a quem ele devia dinheiro.

Abalado, resolveu se candidatar à presidência do clube de campo que freqüentava com a família. Nova derrota, e dessa vez por um motivo, digamos, mais palpável: os sócios do clube lembraram que ele, certa feita, fora flagrado aliviando a bexiga em plena piscina.
Pensou em retomar a carreira quando se elegeu síndico do prédio. Prometeu dedetizações regulares, proibição de poodles e enquadramento mais severo nos moleques que jogavam futebol no hall de entrada. Não cumpriu nenhuma dessas, e por conseqüência não renovou o mandato.

Mas ainda houve tempo para obter mais uma vitória antes de passar para o andar de cima. Foi eleito o mais simpático numa excursão de um grupo da Terceira Idade para a Serra Gaúcha. A faixa foi colocada em cima de seu caixão, para que todos lembrassem da inequívoca liderança. Uma vitória. A última vitória. Descansaria em paz.

segunda-feira, outubro 18, 2004

O QUE UM FINAL DE SEMANA NOS ENSINA

Sexta - Os artistas de música eletrônica deveriam "tocar", assim como o Diversitronica faz. Esse é o diferencial dos caras. E o Vamoz tocando Cinnamon Girl foi a maior cachorrada dos últimos tempos.

Sábado - O disco de Erasto Vasconcelos é uma doideira só. Também, pense numa lapa...

Domingo - Juliana tá podendo. Nem Paulo André conseguiu reunir, num mesmo evento, Bonsucesso, A Roda, Badminton, Parafusa, Superoutro, Mellotrons, Vamoz, Diversitronica, A Farsa, artistas-solo como Mad Chaves, e tantas outras pessoas bacanas. E olhe que eu tive de ir embora cedo. Acho que Nação Zumbi, mundo livre, Supergrass e Brain Wilson devem ter passado por lá mais tarde para tirar um som com a galera...

sexta-feira, outubro 15, 2004


Trilha sonora da noite de ontem. Em alto e bom som, para emputecer qualquer vizinho. O punk rock americano pode não ter a ironia dos ingleses, mas sabe ser muito mais divertido e desencanado. O Circle Jerks é a maior prova disso. Fora esse clássico aí de cima, que eu conheci em 1990 e hoje graças a Deus já tenho em vinil, não conheço tanto assim da obra dos caras. Mas essa bolacha recompensa cada centavo do seu suado dinheirinho. Destaque para "Beat Me Senseless", "Patty is Killing Mel", "Tell Me Why" e o cover de "Fortunate Son", do Creedence, na velocidade da luz (se comparado à versão original, claro). Circle Jerks é som para mandar tudo para a puta que o pariu.
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quinta-feira, outubro 14, 2004

PENSA QUE ACABOU?

Gostei do post e da repercussão dele. Vamos grear. Dá pra fazer um "Beatles Sing For Women".

1 - Ana
2 - Michelle
3 - Eleanor Rigby
4 - Martha my dear
5 - Julia
6 - Lady Madonna
7 - Dear Prudence
8 - Lovely Rita
9 - Maggie Mae
10 - Polythene Pam
11 - Sexy Sadie

WOMEN IN MUSIC

As músicas mais legais com nome de mulher, seguidas dos intérpretes:

Jolene - Dolly Parton, June Carter, Son Volt e tantos outros
Carol - Chuck Berry
Angie - Stones
Juanita - Gram Parsons & Flying Burrito Brothers
Layla - Derek & The Dominos
Sara - Bob Dylan
Julia - Beatles
Cody,Cody - Gram Parsons & Flying Burrito Brothers
Katie - Sugarplastic
Velouria - Pixies
Allison - Pixies

As piores

Lea - Toto. A pior de todos os tempos.
Sara - Não sei quem canta. Sei que é ruim pra caralho
Allison - Jordy
Suzanna - Acho que é o Toto também
Macarena - Não sei quem canta. E nem faço questão de saber

quarta-feira, outubro 13, 2004

O MELHOR MADE IN BRASIL

Há quem diga que o melhor disco já gravado em solo nacional é o Cabeça Dinossauro. Outros defendem Da Lama ao Caos. Uns tantos têm a pachorra de incluir o segundo álbum do Legião Urbana no panteão. Esses três discos foram, em suas respectivas épocas, altamente influentes, geraram um porrilhão de imitadores e tal. Mas para mim, o melhor disco de música pop já produzido no Brasil é uma obscura pérola do grupo gaúcho Defalla. "Kingzobullshitbackinfulleffect" (é assim mesmo que se escreve, não se assuste), de 1992, é a mais genial e amalucada obra dos não menos malucos Edu K (voz/guitarra), Flávio "Flu" Santos (baixo), Marcelo Fornazzier (guitarra) e Castor Daudt (bateria). Apesar de ser uma colcha de retalhos das mais diversas putarias sonoras, o discão tem um conceito que guia todas as músicas: a fusão de ritmos mais dançantes como rap/ragga/samba com o metal. Quer mais subversão? Pois todas as letras (exceto "Caminha que aqui é de Osasco") são em inglês, língua que Edu K domina com maestria. A "temática lírica" gira em torno de putaria (de verdade). Kingzobullshit fala de sexo de cabo a rabo (ops!), e ganha um doce quem conseguir contar quantas vezes a palavra "fuck" é repetida ao longo do play. O disco abre com a faixa título, uma gréia em cima da base de "Happy Birthday" (Jimi Hendrix), que o Beastie Boys tinha, um ano antes, transformado em "Jimmy James". Tem também a melhor versão de "Satisfaction" já gravada (a de Sly/Robbie é a segunda). Segue-se um festival de samplers (Sepultura, The Doors) e as melhores baterias eletrônicas já programadas por aqui, além dos riffs demolidores de Fornazzier. Na versão em cd você pode encontrar sacanagens como "Culo Fuck in Full Effect" tocada sobre a base de "Óculos", do Paralamas. E para quem quer respirar um pouco, tem a belíssima versão de "It´s Fucking Boring to Death", uma música antiga do próprio Defalla, que eles regravaram apenas com voz e violão. Em uma das músicas, Edu K diz o seguinte: "Buy this Motherfucker and shut the fuck up". Se eu fosse você faria o mesmo.

sexta-feira, outubro 08, 2004



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Você que é fã do U2 vai achar algo familiar na foto acima. Esse é o Joshua Tree National Park, e aquela pedra com uma cruz pintada marca o exato ponto em que o corpo de Gram Parsons foi queimado. A história é barra-pesada (já falei muito de GP aqui, mas não sei se contei essa) e, segundo críticos, é muitas vezes o ponto de partida para que os menos iniciados se interessem pela obra do cara. O fato é que Parsons vivia dando rolé pela região do deserto de Joshua Tree, na Califórnia, tomando todas as substâncias possíveis e imagináveis, e acreditando que veria naves espaciais à noite. Num dado final de semana de setembro de 1973, estavam ele, outro maluco e duas amigas, todos hospedados no Joshua Tree Inn, quando de repente, eis que acaba o fumo da galera. Esse amigo, chamado Michael Martin, voltou para Los Angeles, a fim de descolar "suprimentos", e deixou Gram com as duas amigas, chamadas Dale McElroy (namorada de Martin), e Margaret Fisher (amiga de escola de GP). Na hora do almoço, Gram foi com as duas até o aeroporto para rangar, e lá mesmo começou a entornar Jack Daniels. Até a volta ao Joshua Tree Inn, o doidão já tinha desenrolado heroína e morfina. E de noite veio a overdose. De primeira, as duas mulheres conseguiram ressucitá-lo enfiando uma pedra de gelo "imaginem onde". Depois, achando que ele estava na boa e só dormindo, relaxaram. Mas eis que Fisher sai e McElroy fica sozinha com GP, e nota que a respiração dele está diferente. Acreditando que não tinha mais ninguém no hotel (e tinha), ela não chamou socorro, e tentou reaminar o cara com respiração boca-a-boca. Quando Margaret voltou, resolveu então chamar a ambulância. Não deu. No hospital, Gram Parsons foi declarado morto. A família quis enterrá-lo na Louisiana, e os amigos doidões sabiam que ele não concordariam com enterros caretas. Michael Martin e Phil Kaufamn, brothers de GP, decidiram roubar o corpo dele. O objetivo era cumprir uma promessa mútua que Parsons e Kaufman haviam feito durante o funeral de um amigo deles: se um deles morresse, o outro pegaria o corpo, levaria para o deserto e queimaria. Totalmente chapados, Martin e Kaufman foram até o aeroporto de Los Angeles, de onde o corpo sairia para a Louisiana, para tentar roubá-lo. Arrumaram um rabecão, vestiram-se de agentes funerários e, doidaralhaços, conseguiram enrolar os funcionários. Já era noite quando eles chegaram ao deserto, justamente no ponto que você vê na foto acima, e tacaram fogo no caixão. A polícia, que já tinha sido avisada do roubo, chegou ainda em tempo de "salvar" algo do corpo de GP, e esses restos foram mandados à família. Martin e Kaufman foram presos, acreditem, pelo roubo do caixão! É que a lei da Califórnia considerava cadáveres objetos sem propriedade e valor. Um final triste para uma carreira tão curta e genial. Se você não sabe, Gram Parsons tinha apenas 26 anos quando passou dessa para melhor. E pensar que tem gente que, com 50 e tantos, nunca conseguiu compor uma música decente...

quarta-feira, outubro 06, 2004

GTA e VMB

Grand Theft Auto é um jogo muito legal, e a trilha sonora é de foder. Basta roubar um veículo que você ouve, automaticamente, o que rola no som. Tem "Billie Jean", "She Sells Sanctuary" (The Cult), "Wanna Be Startin´Something", "Owner of The Lonely Hearts" e até mesmo "Raining Blood". E todas são as versões originais.

Vi um pedaço do VMB ontem e fiquei estarrecido. Imitar o já pouco-engraçado humor das cerimônias do Oscar não foi nada legal. E Selton Mello dando uma de Billy Crystal foi uma das coisas mais ridículas que eu já vi. Lixo.

sexta-feira, outubro 01, 2004


MEDIADOR: Mr Kerry, o senhor tem trinta segundos para perguntar ao candidato George W. Bush...

KERRY: Candidato, onde está Saddam que ninguém vê aquele murrinha?

BUSH: Well, candidato Kenny, Saddam estava enchendo muito o saco, e como ele gosta de um buraco, mandei ele para Olinda, pois lá é o que não falta.

MEDIADOR: Agora é sua vez, candidato Bush...

BUSH: Yeah! Damn right! Candidato Kelly, você sabe qual é a distância de Exu p´aqui? Ahahahahahahahahahaha....(v ira-se para os assessores) I got´im!!!!

KERRY: Pois eu tenho a resposta, candidato: é a mesma de Passo Fundo para cá...

MEDIADOR: Por favor, candidatos, estamos discutindo as propostas para o País. Comportem-se. Agora é o senhor, candidto Kerry...

KERRY: Candidato, o senhor achou as armas de destruição em massa?

BUSH: Of course, candidato Kevin! Estavam todas no Brasil e a gente procurando por elas no Iraque! Têm alto poder letal e chamam-se “Faustão”, “Gugu”, “Datena” e “Ratinho”.

MEDIADOR: Agora vamos a um intervalo, e é permitido aos assessores fornecer dados aos candidatos.

VOLTA DO COMERCIAL

MEDIADOR: Voltamos com o Debate Eleitoral. Candidato Bush, agora o senhor pergunta ao candidato Kerry...

BUSH: Yeah right! (vira-se para o assessor que enxuga o seu rosto) Já chega, Blair! Pode ir sentar no seu lugarzinho, vai! Que saco! Bom, candidato Kleber, o que o senhor acha dessa onda cabalística da Madonna?

KERRY: Peraí, o que isso tem a ver com política?

BUSH: E o que eu tenho a ver com política? Aahahahahahahahahaha! (vira-se para os assessores) I got´im!!!!!

MEDIADOR: Candidato Bush, o senhor está passando dos limites. Comporte-se.

BUSH: Comporte-se você, seu jornalista-judeu-gay-comedor-de-sushi, ou eu mando meus marines te pegarem!

MEDIADOR: Agora o candidato Kerry pergunta. Não, senhor Blair! Não pode levar água para o candidato Bush agora. Sente-se, por favor!

KERRY: Candidato Bush, quais os reais motivos da invasão ao Iraque?

BUSH: Well, candidato Ketty, a resposta está aqui nesse dossiê que o meu assessor me entregou...(procura o dossiê)...cadê esse troço...Blaaaair! Cadê o dossiê, caceta?

BLAIR: Aqui, senhor! Chegou agora, eu estava xerocando...

BUSH: Damn good! Bom, candid....eu já disse que não precisa enxugar meu rosto, porra! Vai sentar! Bem, candidato Ken, os motivos para termos invadido o Iraque foram...(lê o dossiê)...”a costa da França é vulnerável e podemos entrar diretamente por Saint Barts e depois chegar a Paris”, wait a second! What the fuck is this, Blair?

BLAIR: Ih, dossiê errado. Esse é o confidencial, sobre aquela invasão da França que o senhor estava pensando...

BUSH: Shit! Cadê o do Iraque, porra?

BLAIR: Será que eu copiei errado?

BUSH: Vaza daqui, incompetente!

MEDIADOR: Candidato Bush, sua última pergunta...

BUSH: Candidato Kleston, o senhor já viu a do padre?

KERRY: Não.

BUSH: Levanta a batina que vai ver! Aahahahahahahahahahahahah! I got´im again!!!!!!!!

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