terça-feira, agosto 31, 2004


Por ser um ambiente predominantemente masculino - no que diz respeito a quem está no palco, obviamente - o rock dá às meninas chances muito maiores de suspirar pelos artistas que aos marmanjos. Todas as garotas tiveram "namoradinhos" nas bandas preferidas de adolescência, ou pelo menos aquelas com que eu convivia nessa época tinham seus eleitos. A mulherada pagava um pau monstro para o Mike Patton (até porque o Jim Martin é que não poderia ser mesmo), pro Anthony Kiedis, e tinha umas que até viam graça no Kurt Cobain. Sem contar outros que eu agora não lembro. O engraçado é que a cuecada não teve tantas chances assim de adorar uma musa do rock, até pela escassez de pretendentes. Quem chegou mais perto foi essa senhora que aí em cima pilota uma Les Paul Goldtop. Hoje ela é uma barangaça, mas lá pelos idos dos early-nineties ela mandava no universo, com seus olhinhos puxados no melhor estilo "havaiana" e, claro, pelo fato de tocar numa das bandas mais casca da época. Jogue a primeira pedra quem, adolescente roqueiro, nunca pensou besteira ao ouvir aquele "oh yeeeeah!" no refrão de "Only in 3´s". Ou o "a-aha-ahan...a-aha-ahan..." em "Doe". Cito a banda-projeto dela pois, na titular, tinha uma bicha gorda que não a deixava mostrar serviço. Na mesma época havia uma xará dela que, se não era bonita, pelo menos tinha charme para dar e vender (e o tem até hoje, com 40 e tantos anos). Bom, tinha as Babes in Toyland, que eram "marromeno", o Luscious Jackson (idem), e o L7, da bela Donita Sparks (pelo menos era na época, não sei hoje). Mas essa última banda era tão porca e bagaceira que cortava o tesão de qualquer um. Hoje em dia eu não vejo ninguém se destacar nesse front. E também não sou mais adolescente. Deve ser por isso.
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THE BEATLES WHO SURVIVED

Vejam vocês como são as coisas. Eu gosto muito, mas muito mesmo, dos Beatles e do The Who. E como vocês sabem, esses dois grupos estão, atualmente, na fase do "metade na terra, metade no céu". Mas eis o que eu estava matutando hoje pela manhã, enquanto fazia a barba (é, às vezes o trabalho exige): a metade do Fab Four que foi para o andar de cima corresponde exatamente aos dois guitarristas. Já os 50% do The Who que bateram as botas são relativos à cozinha. Sendo assim, não seria nada mal criar uma banda-frankenstein juntando os caquinhos de quem ficou por aqui. A formação é até interessante: Roger Daltrey (voz), Pete Towshend (guitarra), Paul McCartney (baixo) e Ringo Starr (bateria). E, a exemplo do Beatallica, eles poderiam mesclar os sucessos das duas bandas. Algumas músicas poderiam ser: "Can´t explain how to buy me love", "Come and Join Together", ah, e agora eu tô sem tempo para pensar em outras. Fica a sugestão para esses nobres senhores ingleses...

segunda-feira, agosto 30, 2004

O MAIS RECENTE

Esse foi o último conto que escrevi. É meio longo, mas tem frases curtinhas, então acredito que não cansa muito.



CAIXÃO

- Entre!
- Espera um pouco! Você tem certeza que é esse caixão mesmo? Ele me parece pequeno, eu estou um pouco acima do meu peso...
- Tenho certeza absoluta. Agora pule para dentro. Não tenho tempo a perder...
- Mas ele me parece apertado...
- Pra que conforto? Você vai para debaixo da terra mesmo...
- Dá pra mexer os braços? Acho que não. Você deveria ter arrumado um modelo maior.
- Você resmunga demais. Vamos, entre no caixão!
- Peraí, pô! Dá pra levar algo comigo? Uma bandeira do meu time...
- Isso vai ficar em cima do caixão, quando ele for fechado.
- Ah, é mesmo. Mas posso levar minha coleção de cartões postais, não posso?
- Cartões postais...eu acho que pode. Pode, sim. Mas vá pegá-los rápido. Não tenho tempo a perder.
Dois minutos depois
- Voltei. Olha só esse postal lá de Parintins. Fica pra você, esse eu tenho repetido.
- Ah, ótimo. Você já pegou os postais, agora entre aí.
- Estive pensando...dá para eu colocar uma roupa melhor? Tô achando essa aqui tão sem-graça para um momento como esse.
- Você está me fazendo esperar demais...
- Libera aí, vai. Só uma roupinha bacana. Juro que troco em cinco minutinhos...
- Vai, vai...mas você volta direto para o caixão, certo?
- Combinado.
Cinco minutos depois
- Olha só que legal essa camisa. Ganhei de um amigo surfista que viajou para Bali. Bonita, né?
- Bonita. Agora entre no caixão.
- Calma, eu vou entrar. Mas antes dá uma olhada nessa calça. Prada legítima, comprada em Nova York. Não é fantástica?
- Sim, sim, mas por favor, entre no caixão...
- Vou entrar agora!
Coloca o pé esquerdo
- Que elegância! Vou ser enterrado com sapatos Gucci...
- Ótimo. A comida dos vermes vai ser de primeira.
- Posso fazer uma ligação? Acho que sim, né? Todo mundo tem direito a uma ligação num momento desse...
- Ligação? Para quem?
- Para a Miriam.
- Quem é a Miriam?
- Isso importa para você? Claro que não. Só diz respeito a mim. Eu é que vou entrar nesse caixão apertado para você bater os pregos. Respeite o meu pedido...e a privacidade da Miriam!
- Certo. Pega teu celular e liga logo para Miriam. Já estou de saco cheio de você e da sua demora...
- Ih, eu perdi meu celular. Me empresta o seu?
- Mas você é folgado, hein? Nunca vi desse jeito. Toma aí, e vai logo...
Ligação
- Alô, Miriam? Ahn? Como “não tem”? Claro que tem! A Miriam mora aí, sim! E trate de chamar essa danada, eu preciso falar com ela, e já! (Virando-se para o interlocutor e tapando o celular) Esse povo está meio desligado. Onde já se viu “aqui não tem nenhuma Miriam”? Claro que tem. Que bom que eles foram chama-la...
- Que bom mesmo, pois eu estou perdendo a paciência com você...
- Alô! Como assim “não achei nenhuma Miriam”? Eu disse a você que tem! Ela deve estar em algum lugar dessa casa! Já tentou embaixo da cama? E no banheiro? A Miriam gosta de levar revistinhas da Turma da Mônica para o banheiro e ficar por lá, enquanto “descarrega as tensões”. Vá ver no banheiro!
Trinta segundos de silêncio.
- E aí? Como “nada”? Ela tem que estar aí! Ah, peraí! Eu me lembrei de uma coisinha: a Miriam me disse que talvez fosse para Itacaré com a Josiane! É isso! Ela deve estar em Itacaré! Obrigado! (Desliga o celular e volta-se para o interlocutor) Posso ligar para Itacaré?
- Onde é isso?
- Bahia...
- Putz, e o DDD, você paga?
- Pó, libera aí, eu vou ser enterrado já já, meu amigo.
- Ai, ai, ai...vai logo, liga pra Bahia.
Ligação
- Informações? Por favor, o telefone de Itacaré. É na Bahia! Como assim “que lugar em Itacaré”? Eu quero falar com qualquer pessoa de lá. Preciso achar a Miriam! Como assim “você tem que especificar um lugar”? Me dá qualquer número que eu acho a Miriam. Itacaré não é tão grande assim. Certo, posso anotar, diga lá...(anota). Ok, amigo, obrigado! (vira-se para o interlocutor) É a última ligação, certo? Acho que dessa vez vai.
Ligação
- Alô? Pousada do Maluco? Por favor, eu preciso falar com a Miriam! Como assim “não tem nenhum hóspede aqui com esse nome”? E quem disse que eu perguntei por hóspede? Vai ver pra mim se a Miriam está por aí, preciso falar com ela! É urgente! (Atônito) Desligou....que maldito!
- É, agora não dá mais. Dá cá o celular e vai entrando no caixão. Estou apressado...
- Putz, não acredito. Vou morrer sem falar com a Miriam...
- Eu dou lembranças a ela.
- Que saco! Essa caixão é apertado, cara! Vai amassar minhas roupas!
- Deixa de frescura e vai entrando.
- A bandeira do meu time está aí?
- Eu providenciarei. Se bem que esse teu time, hein?
- Ta ruinzão, né? Pensando por esse aspecto até que vale a pena morrer. Pode fechar a tampa.
(Fecha a tampa. Toca o celular)
- Alô?...Sim?...Ah, acho que não vai dar. Eu estou acabando de fechar a tampa do caixão dele. Quem desejaria falar? Ah, é a Miriam?
(Abre-se a tampa do caixão)
- É a Miriam! Eu sabia que ela ia ligar! Dá cá o celular, deixa eu falar com ela! (Toma o celular) Miriam! Onde você está menina? Como assim “em casa”? Eu liguei para aí e me disseram que você não estava! Ah, eu deveria ter adivinhado! Embaixo da cama! Eu mandei o menino procurar você no banheiro, já pensou? Bom, Miriam, eu só queria falar com você antes de ser enterrado. Está tudo bem por aí? Que bom. Aqui tudo bem, a não ser pelo caixão, que é meio apertado. Mas o cara é gente fina: me deixou levar a coleção de postais e vestir minhas melhores roupas. Pelo menos vou embora com estilo. Como assim “quero falar com ele”? Ah, vai convence-lo a não me colocar nesse caixão horrível e apertado, né? Vou passar, sim. (passa o celular) A Miriam quer falar com você....
- Olha aqui, Miriam, eu já perdi muito tempo com esse cara e...ahn?...ah, sim...tudo bem...acho que posso fazer isso, sim. Sem problema. Obrigado Miriam, você é muito gentil. Não custa nada realizar esse pedido. (desliga o celular e faz outra ligação)
- E aí, a Miriam pediu para me soltar, não é? Vou ser livre, não é isso?
- Não. Estou ligando para a funerária. Ela pediu um caixão maior para você. E deixou pago lá. À vista.

sexta-feira, agosto 27, 2004

NOOOOOOFA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A pesquisa foi árdua, mas eis o resultado aí embaixo: os melhores momentos das BOIOLIMPÍADAS! Divirtam-se!

BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!!!! Aqui um atleta boiolímpico alemão tenta, desesperadamente, pegar o chucrute do adversário. Como resposta, leva uma puxada que revela os Países Baixos...
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!!!!! Jogadores de pólo aquático em momento relax, dançando "YMCA" na piscina...
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!!!!!!! Peladinhos e abraçadinhos. Eis os americanos, saindo de uma sauna em Atenas. A equipe boiolímpica de Natação do Tio Sam a-r-r-a-s-o-u nos jogos
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!!!! Vejam só o time de handebol da Croácia. Medalha de Ouro nas Boiolimpíadas. E outra coisa: o que é que o Petkovic tá fazendo na frente do trenzinho? Ele não é sérvio?
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!! Estes são os atletas boiolímpicos que disputaram a marcha a ré atlética...
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!! Mãozinhas para baixo, pulinhos sincronizados. Esse é o time da Austrália. O holandês chega ficou assustado...
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!!!! Precisa dizer mais?
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!! "Olhos nos olhos, quero ver o que você faz". Carlos Honorato em momento love story com judoca da Mongólia. Pena que não rolou nada. "Ele é meio mongol", disse o brasileiro.
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BOIOLIMPÍADAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Aqui um russo encarca com toda vingança num suíço. "Ei, camarada! Vai com calma aí atrás! Não é porque eu sou neutro que você vai desmoralizar!", disse o pobre suíço. Resposta do russo: "Gorbatchev, Orloff, Perestroika, Balalaika!"
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BOIOLIMPÍADAS. Hoje o GG inicia mais uma série: BOIOLIMPÍADAS! Só imagens lindas, maravilhosas, fashion e descoladas, para pessoas alegres e felizes. Ui!!!!!!
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COISAS QUE APARENTEMENTE NÃO EXISTEM, MAS QUE SE VOCÊ TIVER MUITA GRANA PARA VIAJAR ATÉ O PACÍFICO, VAI VER QUE EXISTEM, SIM. (Parte 3) - PALAU. O nome cabra-safado pode assustar muito machão convicto, mas cá entre nós, Palau tá valendo muito. É um dos trocentos arquipélagos paradisíacos do Oceano Pacífico, e que têm outros zilhões de ilhotas semi-habitadas. Palau é hoje um dos principais destinos para a prática de mergulho. E, sim, foi descoberto por este que vos tecla em plena transmissão das Olimpíadas. Que miséria será que os palauenses/palaunianos/palauitas fizeram nos jogos? Alguém arriscaria dizer?
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quinta-feira, agosto 26, 2004

SEM COMENTÁRIOS

O que foi isso dessas mulheres do vôlei, hein? Perderam quatro match points, deixaram o jogo ir pro tie-break, lideraram duas vezes por três pontos e ainda conseguiram perder a chance de ir à final. Se eu fosse o Nuzman, mandaria todas elas voltarem para o Brasil a nado, e de preferência chegando pelo Recife, para levarem umas dentadinhas dos tubas aqui da área.

PLANTÃO PARARA-OLÍMPICO

Desculpem-me pela pentelhação olímpica, mas é que eu gosto mesmo desse negócio, e a exemplo de Copa do Mundo, é só de quatro em quatro anos, é preciso aproveitar.

Prometo que é a derradeira vez que falo do Bimba (até porque "as turma" podem achar estranho), mas a última do mané foi sensacional. Ele disse que perdeu porque os helicópteros que cobriam a regata produziram ventos que favoreceram os adversários. Peraí, Bimba!

Escaldada pelo "Fiasco Bimba", a Imprensa brasileira já se caga todinha para as finais da classe Star. Torben Grael e Marcelo Ferreira lideram com folga, e segundo a Folha, "só um desastre tira o ouro" deles. Mas como a bruxa anda solta para os brasileiros, não duvide se o barco afundar com o peso do rechonchudo Marcelo.

Hoje tem o futebol feminino mais macho do mundo. Tenho dúvidas sobre quem se daria melhor numa dividida, se Pretinha ou Roberto Carlos. E nossas meninas cospem no chão com um estilo de fazer inveja a muito marmanjo, além de coçar sacos imaginários com maestria. Mas as americanas são favoritas até o cu fazer bico. Para se ter uma vaga idéia, as duas seleções já se enfrentaram 21 vezes, e elas ganharam simplesmente 20 partidas. Mas como o futebol é o único esporte do mundo onde o melhor perde, vamos torcer...

A melhor notícia do dia: com o ouro de Ricardo/Emanuel, ultrapassamos a Argentina no histórico em Olimpíadas. Os caras não beliscam uma douradinha desde 1952. Esse ano, com o futebol, tá perto, mas vamos torcer para a uruca deles continuar. Todo brasileiro agora é paraguaio até o osso.

quarta-feira, agosto 25, 2004


Pode uma banda ter um grande compositor e instrumentista, gravar três discos irrepreensíveis e depois, sem mais nem menos, sucumbir à farofa e virar uma das maiores piadas de todos os tempos? O Dire Straits (na foto acima, com sua melhor formação) e seu mentor, Mark Knopfler, são a prova cabal de que não basta talento, é preciso ser esperto para não virar uma caricatura. O primeiro e homônimo disco de estréia dos escoceses, de 1978, é uma obra-prima, até hoje subestimada pelos "entendidos" de rock. Mostra o Dire Straits em sua formação clássica: Mark Knopfler (guitarra/voz), o irmão David Knopfler (guitarra), John Ilsley (baixo) e o bebão desdentado Pick Withers (bateria). Com forte pegada country, traz um Knopfler inspiradíssimo em pérolas como "Down to the Waterline", "Water of love", o show de guitarra twang em "Setting me up", e a belíssima "Wild West End", um tapão em que o camarada chega para a gatinha e diz, simplesmente: "Excuse me for talking, I wanna mary you". Mas o maior mérito do disco foi ter perpetuado pelas próximas trinta gerações de seres humanos o clássico-mor das FMs, o hit supremo das bandas cover: "Sultans of Swing". Depois veio "Communiqué", um bom disco, mas um pouco abaixo do anterior. O hit desse álbum foi "Lady Writer", mas para mim a melhor do disco é "Angel of Mercy". Em 1980, o DS se recuperou e lançou o foderoso "Making Movies", um disco com apenas sete músicas (algumas com 7, 8 minutos), mas de uma contundência impressionante. Abre com "Tunnel of Love", recentemente citada pelo amigos do GG, e que para mim é a melhor coisa já composta por Mark Knopfler. A letra narra a divertida trajetória de um flerte em pleno parque de diversões. E o solo de guitarra do final é, certamente, o melhor já feito pelo dono do DS. Esse discaço ainda traz "Romeo and Juliet" (inexplicavelmente a única música do Making Movies que entrou no Greatest Hits da banda), as pauladas "Solid Rock" e "Expresso Love", e a hilariante "Les Boys du Cabaret". Politicamente incorreta até a medula, a música narra as peripércias de um grupo de gays pelos bares e discotecas alemãs, obviamente caçoando dos coitados. Em 1982, Mar Knopfler começou a se achar muita coisa e elaborou o complicado "Love Over Gold", de onde só se salva "Telegraph Road". Dois anos depois, os caras lançaram "Alchemy", um duplo ao vivo que não soma muita coisa, e ainda traz versões chatas e quilométricas dos clássicos da banda. Eis que veio o fatídico ano de 1985. Mark Knopfler já era rico, e tinha virado um chato de galocha. Com o ego lá na estratosfera, o maluco resolveu fazer a obra-prima de sua vida (obviamente sem saber que já a tinha concebido, alguns anos antes). Recebeu grana de rodo para gravar o disco, se trancou no estúdio, passou um mês só para equalizar a bateria (e ainda saiu aquela merda) e voilá: surge "Brothers in Arms", o maior clássico do Rock-Baba-FM-80´s. Praticamente TODAS as músicas desse disco frequentaram as rádios do mundo inteiro, e algumas o fazem até hoje. Começa com "So far away" e seu riff preguiçoso. "Money for Nothing" teve um clipe bacana e marcou época. Mas tinha o Sting... Aí vem "Walk of Life" e o mais pegajoso refrão de teclado do Sistema Solar. Pensa que acabou? Pois tente o maior hit de motel do mundo: "Your Latest Trick" e seu torturante sax. Houve outros hits, mais inexpressivos, como "Why Worry" e a música título. Mas esse lp, ao mesmo tempo em que é extremamente bem-sucedido em sua proposta de fazer música pop, marcou o auge da maletice do Dire Straits, e o fim de qualquer lampejo criativo de Mark Knopfler. Depois o cara fez discos-solo, reativou o DS para outros dois discos "On every street" (1991) e "On the night" (1993). Hoje, Mr Knopfler ainda toca por aí. Tal qual "Sultans of Swing", ele é duro de se derrubar.
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PLANTÃO GG NAS PARARA-OLIMPÍADAS

Diferentemente das outras regatas, Bimba esteve mole e não entrou no pódio. O infeliz precisava apenas do terceiro lugar para ficar com o ouro, e chegou em 17°. Se chegasse em 16° o puto ficaria com o bronze. Essa foi, para mim, a pior amarelada de todas. Abaixo Bimba!

O Hipismo, que sempre trouxe medalhas, também fuleirou. E a Argentina está prestes a ganhar a medalha de ouro no futebol masculino. É muita desgraça para um país só.

terça-feira, agosto 24, 2004

REPÚBLICA AMARELA

Hoje foi a vez da dupla Melda/Adriana amarelar, e pela segunda Olimpíada seguida. Pelo jeito, nossas esperanças estão mesmo depositadas em Bimba. E ele prometeu entrar duro no último dia de competições...

segunda-feira, agosto 23, 2004

BALOUBET FEZ ESCOLA

E Daiane, hein? Conseguiu parar o País para que esse visse um esporte que ninguém sabe nem pra onde vai, e conseguiu errar um movimento que ela deve ter feito umas zilhões de vezes. Eu não entendo nada de ginástica (até porque se entendesse, ia levantar algumas suspeitas), mas quando acabou e eu li dois "puta merda" nos lábios da pretinha, vi que tinha ido tudo pro beleléu. É assim mesmo, bichinha. Vai pedir consolo pro Baloubet Du Rouet, que de amarelar ele entende...

O BRASIL É MESMO O PAÍS DA PUTARIA...

Deu no Uol Esporte...

23/08/2004 - 10h49
Bimba vence regata, lidera e está a um 3º lugar do ouro
Da Redação
Em São Paulo

O brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba, praticamente assegurou uma medalha nos Jogos Olímpicos nesta segunda-feira, ao vencer a 10ª regata da classe Mistral, assumindo a liderança geral. Agora, o carioca precisa apenas de um 3º lugar na regata final para conquistar o ouro.


MAIS UMA DO GALVÃO

Ele não se emenda. Até quando está transmitindo um evento com sobriedade e sem se meter a entendido, eis que Galvão Bueno resolve cagar tudo mais uma vez. A pérola do final de semana aconteceu durante a transmissão do jogo entre Brasil e Rússia, pelo vôlei de quadra masculino. Em vários momentos da partida era mostrada a torcida (muito morgada, por sinal) do jogador Gustavo Endres, na casa dos pais dele, em Passo Fundo (RS). Quer saber qual foi o comentário do mané? Pois sinta o drama:

"Vamos agora para o Rio Grande do Sul, essa terra de gente competente, que trabalha muito e faz tanto pelo Brasil...".

Alguma mentira? De forma alguma. O povo gaúcho - até pela forte influência do metodismo europeu - é extremamente produtivo, e pouco relacionado ao estereótipo "malandro" do brasileiro. Mas a afirmativa soa preconceituosa. Lembro que, dias antes, numa transmissão do vôlei de praia, Galvão se referiu a Fortaleza - terra natal de Shelda - como "minha querida Fortaleza, de tantas praias e sol". Como se na capital cearense não houvesse pessoas "competentes" e que "fizessem tanto pelo Brasil", apenas quilômetros de areia, mar, humoristas sem-graça, e um punhado de gostosas dispostas a tudo com os forasteiros.

Posso até estar levando demasiadamente a sério uma declaração inconseqüente. Mas é exatamente nesse tipo de comentário que os preconceitos se perpetuam.

sexta-feira, agosto 20, 2004

LADROAGENS E O MUNDO

Fazer show ruim me deixa num baixo astral da miséria. Sei lá, é como você estivesse decepcionando, de forma solene, as pessoas que foram até lá ver a parada. Tudo bem que a gente não tem culpa se o som era um lixo, ou se a guitarra "de grife" que fazia sua estréia com novo dono cismou do cu e inventou de desafinar do início ao fim da apresentação. Mas isso acaba não entrando na contabilidade. O que fica é a certeza de que foi uma merda inominável. Dá vergonha, pode acreditar. Demora um pouco para passar aquela sensação de "cagada no pau".

Mas é isso aí. Toda boa equipe joga mal um dia, ou dois, ou até uma porrada. É voltar aos treinos, com a ajuda dos companheiros, muita garra e determinação, dar continuidade ao trabalho, que as vitórias virão, se Deus quiser.

quarta-feira, agosto 18, 2004

E VAI TER ROCK!

Sim, amanhã é dia de bater cabeça e suspirar com as canções de amor do Bad-fucking-minton. A fuleiragem vai acontecer no Mad Pub, e com discotecagem de Igor Gazatti, revelando o negão que existe nele (no bom sentido, caro Zai). Seria o primeiro show em quase três anos com a formação original da banda, mas aí Gerardo precisou viajar a trabalho. Então vai o Negão (esse de verdade) para as baquetas e a fuleiragem está garantida para todos. Fica o convite. Esperamos ver todos lá.

PS.: E, parar variar, surpresas sensacionais aguardam os espectadores. Afinal de contas, é um show do Badminton.

COISAS QUE APARENTEMENTE NÃO EXISTEM, MAS QUE SE VOCÊ FUÇAR UM POUCO, VAI VER QUE EXISTEM, SIM. (PARTE 2) - LOMBARDI. Sim, esse cara da foto aí de cima é o Lombardi, locutor do programa de Sílvio Santos. Aparentemente ele não existe, mas se você for aos estúdios do SBT em São Paulo, vai trombar com essa cara azeda de carcamano. E carcamano é o que ele é: Luiz Lombardi Neto fala besteiras, de forma quase incógnita, há uma penca de tempo no auditório do Homem do Baú. Claro que o fato de ele nunca se mostrar às lentes contribuiu para o mito: "Será que o Lombardi existe mesmo?". Eu mesmo duvidei muito que ele existisse. Pô, hoje é a coisa mais fácil do mundo arrumar um bom imitador para qualquer tipo de voz. Partindo dessa lógica, o Lombardi original poderia ter morrido de enfarte em 1970, e aí SS, preocupado com a perda do personagem, teria colocado um imitador em seu lugar. Os imitadores teriam se sucedido até então, daí o fato de não se mostrar o rosto do Lombardi. Mas o GG, desbravador como ele só, flagrou o locutor no momento em que ele se dirigia para mais um programa. Ele ainda tentou protestar ao ver nossa lente, mas alertado que se tratava do GG, ele relaxou. "Ah, tá bom. Se é pra mostrar de uma vez por todas que eu existo, que seja através desse ilibado veículo de comunicação". Obrigado, caro Lombardi. Agora, o mundo sabe que você existe.
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terça-feira, agosto 17, 2004


COISAS QUE APARENTEMENTE NÃO EXISTEM, MAS QUE SE VOCÊ FOR ATÉ LÁ, EXISTEM SIM. (PARTE 1) - ACRE. Hoje o GG vai começar mais uma saga. Dessa vez vamos tentar desvendar os mistérios de coisas que aparentemente não existem, mas que se você for lá, existem, sim. O Acre é um dos exemplos mais marcantes. Fica longe pra dedéu de tudo - a não ser que tudo seja o Peru, a Bolívia e o Amazonas - e você praticamente não ouve falar dele. A relação do Governo Federal com o Acre é mais ou menos como a sua com aquele antigo disco do Tears for Fears que você mantém lá no cantinho da prateleira, e que você sabe que vai estar lá, não tem utilidade, mas você não pode se desfazer dele. Obviamente eu sabia, por meio das sessões de decoreba das aulas de História, que o Acre era um dos Estados brasileiros, mas quando cresci e comecei a me perguntar sobre as coisas, me veio a dúvida: o Acre existe mesmo? Será que não é invenção do Governo para aumentar a área de fronteira com o Peru e a Bolívia? Também nunca vi celebridades acreanas. O Acre virou notícia - e no mundo inteiro - quando Chico Mendes foi assassinado, em dezembro de 1988, na cidadezinha de Xapuri (local de onde também vem a atual ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que por sua vez era amiga de Mendes). Mas sabem o que eu descobri? Sim, existem outras pessoas famosas vindas do Acre! Fernanda Takai é acreana, Carlão, do vôlei, também. Armando Nogueira e Glória Perez também nasceram sobre esse maravilhoso pedaço de solo brasileiro que fica longe de tudo. Eu não conhecia, pessoalmente, nenhum acreano, o que reforçava as minhas suspeitas de que aquele Estado não existia. Mas aí vejam o que me aconteceu. Estava eu em Fernando de Noronha fazendo uma matéria, quando de repente, eu e o fotógrafo do jornal pegamos carona com numa caminhonete, para chegar até um dos extremos da ilha. Mais à frente, uma garota pulou na caçamba do veículo, onde nós estávamos tentando nos equilibrar. Começamos os três a conversar, e aí eu perguntei a ela: "Você é de onde?". Resposta: "Do Acre". Eu caí na garagalhada, e ela ficou sem entender. Depois de me recompor, expliquei a ela minha teoria, e a garota, com um fabuloso espírito esportivo, também riu muito. "É, realmente é difícil ver os acreanos fora do Acre", disse. Outra bastante engraçada: uma repórter desse mesmo veículo onde trabalhei saiu de férias num certo ano e foi...conhecer o Acre! Achei fantástico a explicação dela: "Pô, acho que ninguém vai pro Acre, então eu resolvi ir até lá". Particularmente, não vou descansar enquanto não colocar os pés em solo acreano. Preciso ver se é verdade mesmo, ou se vou encontrar um imenso vão com três plaquinhas: "Frontera con Peru" de um lado, "Frontera con Bolivia" do outro, e a última: "Você é trouxa mesmo, hein? Ainda acreditou que o Acre existia? Volta pra casa agora, zé mané!"
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Dentre as minhas utopias estão a resolução da pendenga do Oriente Médio, um Vox AC30, um Mustang Shelby e...que as pessoas gostem tanto de "Thunder Road" quanto eu gosto. Essa música é tão bonita, mas tão bonita que dá agonia. É o abre-alas de "Born to Run" (foto acima), de 1975, o disco mais legal de Bruce Springsteen. Esse álbum entra, sem hesitação, no rol dos grandes clássicos do rock, pelo retrato cru de uma época de mudanças ímpares na sociedade americana. The Boss perpetrou um interessante mosaico da classe média-baixa dos Estados Unidos pós-Vietnã. Alguém lembra da famosa frase de "Platoon", onde o bem nascido personagem de Charlie Sheen se impressiona com o fato de estarem morrendo na guerra jovens pobres de cidades das quais ele nunca ouvi falar, como "Pulaski, no Tennessee, Brandon, no Mississipi, Pork Bend, em Utah, e Wampum, na Pennsylvania"? Pois é mais ou menos sobre essa gente que Bruce Springsteen canta em "Born to Run". Pessoas que vêm de cidades pequenas, geralmente conservadoras, e que num certo momento de suas vidas se vêem sem perspectivas. Soldados recém-chegados da guerra, que de volta ao país que "defenderam" não conseguiram um emprego decente e ainda foram marginalizados pela parcela abastada da população. Essa sensação de sufocamento social e falta de horizontes viraram poesia e bela música pelas mãos do Patrão em "Born to Run". Essa volta toda que eu fiz foi para contextualizar "Thunder Road", a primeira música do disco. É um relato emocionante de um cara que vai à casa da namoradinha de colégio pedir que ela fuja com ela daquela cidade de merda, e que eles possam ser felizes longe daquele ambiente sem perspectivas. A música não tem refrão, é uma letra quilométrica em que não se repete uma frase sequer. Começa com um piano bem calminho e termina, lá pelos cinco ou seis minutos, numa lapada angustiante. As primeiras duas frases da letra já te jogam no clima "small-town": "The screen door slams/Mary´s dress waves". Apesar de ser toda linda, a música tem momentos tocantes, como na parte em que o cara implora "Don´t run back inside, darling, you know what I´m here for/So you´re scared and you´re thinking that maybe we ain´t that young anymore", para emendar com um sensacional "You ain´t a beauty but, hey, you´re alright/And that´s alright with me". O cara simplesmente diz que a garota não é lá uma Brastemp, mas que é uma pessoa legal. A letra inteira ele passa tentando-a convencer a deixar aquele mundinho, dizendo que não é herói, mas que a redenção que ele pode oferecer está embaixo do capô sujo do carro que está paradinho em frente à casa dela, só esperando para que ela entre."We got one last chance to make it real/To trade in these wings on some wheels/Climb in back heaven´s waiting down on the tracks". Mas talvez o momento mais emocionante sejam as últimas estrofes, onde The Boss diz que "So Mary, climb in/It´s a town full of losers, I´m pulling out of here to win". Escutem essa canção. Escutem esse disco. Se sua vida é ruim, vai ser melhor por alguns breves momentos. Se já é boa, você vai achar graça até no João Kléber.
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segunda-feira, agosto 16, 2004


OS MESTRES DO UNIVERSO (PARTE 6) - DANIEL AZULAY. Em primeiríssimo lugar, gostaria de agradecer a William por ter me lembrado deste mestre supremo. Daniel Azulay tem cara de idiota, mas um talento que o alça à condição de Mestre do Universo. Esse sujeito foi - em companhia de Zico, Maradona, Renato Gaúcho, Bruce Lee e McGyver - um dos ícones da minha infância. Criou a Turma do Lambe-Lambe, de personagens inesquecíveis como Ritinha, Pita, Piparote, Professor Pirajá, Xicória e Damiana. O que eu mais gostava no cara era a rapidez com que ele desenhava. Alguém aí lembra dos programas infantis onde ele, num piscar de olhos, desenhava uma folha inteira de cartolina. Tudo bem que já tava tudo meio "pré-riscado" em lápis, mas mesmo assim ele cobria e coloria tudo feito um raio. Sumido dos holofotes, Daniel Azulay nunca parou sua produção artística. Até hoje faz historinhas da Turma do Lambe-Lambe e dá palestras pelo Brasil sobre arte e educação infantil. Também é um pintor de mão cheia, o que pode ser conferido no site www.danielazulay.com.br/fineart. Sem dúvida, um dos MESTRES DO UNIVERSO.
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Certas figuras fazem questão de jogar por terra anos e anos de luta das mulheres para se livrarem do estigma de Amélia e jogá-las de volta à beira do fogão. A tal da Márcia Goldschmidt é um exemplo clássico da estirpe. Ontem, durante zapeada para procurar alguma competição legal das Olimpíadas, me deparei com a partida dos brasileiros Ricardo e Emanuel contra os noruegueses Horrem e Maaseide, pelo vôlei de praia. Como o jogo acontecia bem no meio do programa da Márcia, ela ficou, durante toda a partida, aparecendo numa janela à parte.

E a tresloucada atrapalhava o narrador a todo momento, sempre para comentar sobre os "ombros largos" de Ricardo, o "bronze maravilhoso" de Emanuel, as "pernas" de Horrem e o "conjunto" de Maaseide (ela vidrou neste último). Tudo bem que a Márcia não deve ser lá uma autoridade para comentar um jogo de vôlei sob o aspecto estritamente técnico, e que também é saudável dar uma pitada de descontração às normalmente sisudas transmissões esportivas. Mas daí a passar o jogo INTEIRO se desmilingüindo para os atletas, quase em orgasmo, é demais. Não contente com os próprios comentários, ela ainda instigava a platéia - provavelmente de Amélias como ela - a comentar sobre as "virtudes" dos atletas. "Gente, o que é esse Ricardo? Olha que homão, que braços, vocês não acham?", ou algo parecido, foi uma das pérolas. Mas a melhor de todas foi essa: "Ah, o Maaseide é meu. Vocês podem escolher entre os outros, mas ele é todo meu. Ainda não foi avisado, mas assim que acabar o jogo eu digo a ele, tá?".

Alguém tranque essa matraca na hora dos jogos, ok? Ou então a mandem comentar o levantamento de peso feminino.
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sexta-feira, agosto 13, 2004

ALGUÉM CONHECE?

Tem um país chamado Palau nas Olimpíadas. Eu, hein...

quinta-feira, agosto 12, 2004


Sempre me emociono ao ler esse texto do mestre Paulo Mendes Campos (foto acima), e vez por outra me pego lendo-o de novo, talvez para me emocionar propositalmente, com fiz ontem à note. Chama-se "O Botafogo e Eu", onde PMC traça um emocionante paralelo de sua vida, valores, virtudes e defeitos com o Glorioso de Marechal Hermes. Por que eu me emociono com essa crônica? Em primeiro lugar, tenho uma ligação afetiva com o Botafogo. Nasci no Rio, filho de botafoguense, e a camisa preta-e-branca foi a primeira que vesti na vida (e segundo minha mãe não tirava para nada). Depois, já no Recife, descobri minha verdadeira paixão clubística - vocês sabem qual - mas continuo, de certa forma, ligado ao Fogão. Mas o real motivo de eu gostar tanto desse texto é o conjunto de semelhanças entre o que PMC descreve dele mesmo e do que eu sou. É assustador. Convido todos a ler, é só copiar e colar esse link aqui: http://claricebessa.vilabol.uol.com.br/botafogo.htm
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quarta-feira, agosto 11, 2004

P.Q.P.

Lendo o sítio de Severino Frederico, me deparei com uma menção a uma das mais divertidas experiências musicais (eu disse "musicais"!) que eu já vivi: o PxQxPx Hardcore-PE. Ao contrário do que qualquer sabichão possa presumir, PQP não é "Puta Que Pariu", e sim "Pão, Queijo e Presunto". A proposta inicial da banda - formada lá pelos idos de 95, quando eu tinha de 18 pra 19 anos - era unir o Hardcore de bandas como DFC, Discharge, Madball e Black Flag ao Funk Carioca.

A formação já inspirava ladroagem: este que vos fala (guitarra e voz), Zé (baixo e voz) e o aludido Bill Fred (bateria e voz). Antes mesmo de ensaiar - coisa que só fizemos uma vez, a exemplo do show - já tínhamos composto uma cacetada de hinos. Sim, não eram meras músicas. A primeira de todas, eu lembro bem, foi "Keanu Reeves". Sintam o drama da letra:

Keanu Reeves é viado
Brad Pitt é também
Johnny Depp é boiola
E Tom Cruise dá o c...

Que dizer que "Oswaldo Montenegro"?:

Oswaldo Montenegro tem que morrer
Filho da puta desgraçado, deve morrer
É de quem pegar primeiro, e quem vai pegar sou eu
Eu vou te matar, e c... sua mulher!

E "Guaru"?

Na terra tatu
No ar, urubu
Mas debaixo d´água tem o guaru
Cuidado que ele vai botar no teu c...

"Peixoto Escroto", outro marco:

Fui tocar nas nights pr´as gatinhas faturar
Chegou um tal de Peixoto e não me deixou tocar
Ele exigia uma tal de carteirinha
Eu não sei que porra é essa, só sei que ninguém tinha
Peixoto bom é Peixoto morto
Peixoto morto, Peixoto escroto

E tinha mais "Manguetown (É a...)", "Coxinha", "Alô Brasil", entre outras. O PxQxPx pelo menos não ficou só no papel: ganhou os palcos, numa brilhante e fugaz apresentação. Seu legado está atrás das portas de banheiro de vários bares de Pernambuco e do Brasil: era uma mania que eu tinha até pouco tempo atrás. Assim que eu ia a um banheiro, e por coincidência estava munido de caneta, tascava lá: "PxQxPx HARDCORE-PE". Para os não-iniciados, é uma tradição das bandas de HC colocarem o nome e de onde vêm. O Biohazard, por exemplo, assina "Biohazard, HC Brooklyn-NY", o DFC é "DFC, Hardcore-DF".

O NEGÓCIO TÁ SÉRIO

Anunciaram gravidez, quase que simultaneamente, Angélica, Luana Piovani, Cláudia Abreu e Kelly Key. Tem algo errado nesse negócio. Tudo bem que, mulheres emancipadas e comprometidas que são, elas devem praticar intercurso sexual com freqüência. Mas que danado é isso que essas celebridades todas resolveram emprenhar ao mesmo tempo?

Como tudo na vida tem explicação, aqui vão algumas:

1 - A Caras deve ter idealizado uma edição especial, mostrando o "celebrity baby boom". De posse do projeto, a publicação deve ter procurado as celebridades para ver quem topava dar umazinha, embuchar, e aí fazer parte da parada.

2 - O Fantástico deve estar querendo repetir a série onde o Dr Dráuzio Varella acompanha a gestação de mulheres desconhecidas pelo Brasil. Só que dessa vez, obviamente, com muito mais glamour. Melhor que mostrar a indiazinha sofrendo para parir um menino dentro de casa, em Manaus, é exibir a Angélica - ainda mais branca e angelical sem maquiagem - na cama da maternidade, a mostrar o rebento. "Não é o nariz do pai?", diria ela, e todos choraríamos ao ver a matéria.

3 - Em crise, a indústria da neonatologia precisaria de garotas-propaganda eficientes para mostrar à população como é bacana engravidar e ter filhos. Nada melhor que uma penca de celebridades buchudas para fazer o povão trepar ainda mais, e cada vez com menos precauções.

segunda-feira, agosto 09, 2004


Private Pyle has dishonored himself and dishonored the platoon! I have tried to help him, but I have failed! I have failed because you have not helped me! You people have not given Private Pyle the proper motivation! So, from now on, whenever Private Pyle fucks up, I will not punish him, I will punish all of you! And the way I see it, ladies, you owe me for one jelly doughnut! Now, get on your faces!
Eta filmão...
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ORDEM OU MORDAÇA?

Não sei quem aí já leu algo sobre o tal Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Trata-se de um projeto enviado recentemente por Lula ao Congresso, e que prevê a criação de um órgão cujas atribuições seriam "fiscalizar" e "ordenar" o exercício da profissão de jornalista no Brasil, bem como "punir condutas inadequadas" dos profissionais de Imprensa.

O cu-de-boi está formado, e a classe claramente dividida quanto à proposta de Lula. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) - historicamente ligada ao PT - soltou fogos ao saber do envio do projeto para apreciação dos parlamentares. Já nas redações dos grandes veículos de comunicação do País, o que tem que neguinho chiando não tá no gibi. Vi no Jornal Nacional os editores-chefes de Veja e Estadão repudiarem a idéia, taxando-a de "censura" e "mordaça".

Eu ainda não consegui entender direito como vai funcionar esse troço, mas ao que parece não é de todo ruim. Ora, não existem quaisquer instrumentos para fiscalizar o exercício da profissão (leia-se "registro legal", "diploma", essas coisas), pois o que o Ministério do Trabalho faz a respeito é piada. Também acho importante haver um órgão forte para apurar e punir os (nada poucos) desvios de profissionais da caneta.

Agora, pelo que dá para entender, esse conselho também viraria, fatalmente, loteamento partidário da classe, tal como acontece nos demais órgãos do gênero (OAB, CREA, Conselhos Regionais de Medicina, etc). A disputa pelo poder nessas entidades sempre (eu disse SEMPRE) esconde birras políticas e partidarismos de todo gênero. E aí quem garante que a tal "fiscalização" ou a "punição" não levaria em conta a coloração política do profissional em questão? Isso acontece de rodo nos órgãos já citados. Sem contar com o natural enfraquecimento dos sindicatos, que é o que acaba acontencendo quando se cria esse tipo de entidade.

O que eu também acho sofrível é delegar ao Poder Público qualquer participação nesse conselho. Aí sim, seria amordaçar legal a Imprensa brasileira. Mas pelo que andei lendo a respeito, isso também não fica claro. Vou tentar acessar o Diário Oficial da União, que tem a íntegra do projeto, e tentar entender essa merda de uma vez por todas. Tem jornalista de montão que lê o GG, além comunicadores em geral e advogados (pense num lugar bem frequentado!). Então, caros, dêem suas opiniões sobre a parada.

quinta-feira, agosto 05, 2004


OS MESTRES DO UNIVERSO (PARTE 4) - MESTRE DOS MAGOS. O mestre mais ladrão do universo. Não diz nada com porra nenhuma e ainda paga de filósofo. "Siga a faixa cor-de--brruo-quando-foge que surge com a alvorada anil", ou "Cante 'Poeeeira!' quando a lebre verde-musgo surgir entre a pradaria invisível", é o tipo de coisa dita pelo tampinha para fazer com que os manés se metam em mais uma malograda tentativa de voltar para casa. O desenho não deixa claro, mas ao que parece ele é o pai da bicha louca do Vingador. Teve um episódio em que os dois, depois de uma briga, se dão uma trégua e vão cada um para um lado. De repente o nanico se vira e diz, com os olhos cheios d´água: "meu filho". A velha lenda que rola na internet dá conta de que ele e o Vingador seriam a mesma pessoa, sempre enrolando os panacas para que eles fiquem presos para sempre naquele mundo maluco. Mas eu ainda acho que o nosso tamborete é, até por uma questão de semântica, um dos MESTRES DO UNIVERSO.
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PROMESSA É DÍVIDA

Como eu tinha comentado, aqui vai mais um conto de minha autoria. Chama-se "Papagaio de pirata" e, se vocês notarem, é bem factual. Foi escrito levando em conta fatos que aconteciam no país à época, como a queda do palanque num comício do ACM, a derrota do Brasil para Honduras e as intermináveis matérias da Veja sobre as não menos intermináveis falcatruas de Jader Barbalho.

PAPAGAIO DE PIRATA

De nada adiantaria eu dizer a vocês que aquela mão era minha. A mão que quase toca a Taça Jules Rimet na hora em que o Carlos Alberto Torres a levanta no Estádio Azteca. Era minha aquela mão, e meus aqueles cinco dedos afoitos para tocar o troféu. Eu estava lá. Não vi o gol do Gérson pois estava no banheiro do estádio (um horror, por sinal). Até hoje tenho vontade de esganar o vendedor de Enciladas que passou na minha frente bem na hora que o Pelé deu o passe para o Capitão fazer 4 a 1. Mas na hora da entrega da taça, a entrega definitiva da Jules Rimet, eu estava lá. É minha aquela mão, se você quer saber.
Um ano antes eu estive de férias nos Estados Unidos, aquele país que fica ali em cima do México. Fui ao festival de Woodstock. Lembra do Jimi Hendrix tocando o hino americano na guitarra?
Tem uma foto famosíssima, e que mostra boa parte da platéia de queixo caído. Eu sou o cara de colete bordado e chapéu Stetson que está bem na quina da foto. Eu estava lá, inclusive muito bem acompanhado por uma sueca meio maluca. Nem lembro o nome dela, e acho que nos 15 minutos em que o nosso casamento durou, ela também não soube o meu.
Passei alguns anos sumido da mídia. Precisava reciclar as idéias. Voltei durante a campanha pelas Eleições Diretas. Cansei de tanto subir e descer aqueles palanques. As câmeras não mostraram, mas eu ajudei o Ulysses a subir um bocado de vezes. O Tancredo tinha uns camaradas lá que o ajudavam. A Fafá de Belém certa vez cantou o Hino Nacional do meu lado. Sim, era eu aquele barbudo, não o Lula. Eu estava lá, mas tirei a barba poco tempo depois.
Um das minhas preferidas é com o Ayrton. Sim, o Senna. Da Silva, vocês sabem. Lembram da primeira corrida que ele ganhou? Em Portugal, uma chuva dos diabos e tal. Aquele cara que aparece na foto vindo cumprimentá-lo sou eu. Levei o maior toró e peguei uma tremenda gripe, mas valeu.
Andei pelo Golfo Pérsico no começo dos anos 90, mas não gostei muito, não. Fazia muito calor naquela joça. Eu até apareci uma três vezes atrás do Peter Arnett, todas na hora do boletim diário para a CNN, mas não foi uma experiência legal. Sei lá, acho que aquele negócio de guerra não me cativou muito, sabe? Pirotecnia gratuita.
Voltei e até hoje não saí mais do Brasil. Apareci durante muitos anos naquela primeira fila do auditório do Domingão do Faustão. Aquela mesma, onde só ficam as meninas loirinhas e bonitinhas que vão estrelar os closes das câmeras antes dos comerciais. Eu era aquele cara da ponta. Quase nunca me mostraram, e eu não sei porque razão.
Vez por outra dá para me ver em alguma manifestação do MST, mas é uma coisa mais rara. É cansativo viajar com a rapaziada para o interior e coisa e tal. Eu também me safo de umas boas: eu ia para aquele comício do ACM em Jequié. Aquele em que o palanque caiu. Graças a Deus, naquele dia eu estava numa coletiva com o Romário. Se você pegar a fita do Globo Esporte, vai ver que eu estou à direita dele, de boné azul e óculos escuros. Grande Romário, me salvou de Jequié.
A última vez em que apareci? Nossa, eu nem lembro. Será que foi na coletiva dos Sete Anos do Real? Não, faz tempo que eu não trombo com o Malan. Acho que foi junto com o Garotinho, numa passeata no Rio. Não! Nesse dia eu estava em casa. Ih, lembrei! Foi lá na Colômbia, quando o Brasil perdeu para Honduras. Eu sei que eu apareci atrás do Felipão quando o jogo acabou. Mas foi bem rápido: eu tinha que voltar a tempo para aparecer nas fotos do Jader Barbalho para mais uma matéria da Veja. Pena que para a última eu não cheguei na hora. O Jader saiu sozinho. Melhor assim.

quarta-feira, agosto 04, 2004


OS MESTRES DO UNIVERSO (PARTE 3) - ROMÁRIO. O Universo tem mestres em todas as áreas, e no esporte ele reina soberano. Romário de Souza Faria (putz, eu sei esse nome decorado desde que esse cabra iniciou a carreira) é uma espécie de John Bonham do futebol. Virtuoso em seu ofício, tem total inclinação para a gréia, e não pensa duas vezes antes de dar uma bifa em algum desaforado, como faz na foto acima (um torcedor foi ao treino do Fluminense pedir garra aos jogadores. Levou uns tapões do mestre). O melhor de tudo é que Romário tem a típica fanfarronice de quem sabe que é foderoso. Nas Eliminatórias para a Copa de 94 foi chamado para o último jogo, contra o Uruguai, no Maracanã. Antes da partida, arrotava que ia resolver a parada, que o País ficasse tranquilo, que a gente ia à Copa. Resultado: Brasil 2 x 0, com dois golaços do Baixinho. E tal Copa, que ganhamos depois de 24 anos, foi totalmente DELE. De volta ao Brasil, em 95, pelo Flamengo, assistia à briga entre Renato Gaúcho e Túlio para ver quem era o "Rei do Rio". Após ter feito os três gols que garantiram ao Flamengo a Taça Guanabara daquele ano, saiu-se com essa: "Tem muito rei aqui no Rio, mas Deus só tem um". Ave, Mestre! E as confusões com Edmundo? Houve uma época em que eles jogavam juntos no Vasco mas não se falavam (hoje são amiguinhos de novo). Edmundo, numa entrevista, afirmou que no Vasco havia um rei (Eurico Miranda), e um príncipe protegido por ele (Romário). Depois uma partida onde, mais uma vez, decidiu a parada, Romário sapecou: "É bom eu estar em campo, pois a gente ganha e fica todo mundo feliz: o Rei, o Príncipe e o Bobo-da-Corte". Puta merda, sensacional! Mestre também na arte da procriação, o Baixinho já contabiliza seis filhos "oficiais" (alguém duvida que tem mais uma cacetada por aí?). Bom, as histórias de Romário merecem zilhões de posts, mas a série tem que ser democrática, então acabemos por aqui. Salve, Mestre!
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terça-feira, agosto 03, 2004

AINDA ELES

Quantas vezes você já não ouviu ou leu algo relativo a uma "nova ameaça de ataques terroristas em território americano"? Quantos "alertas laranja" já foram acionados em solo ianque? Uma cacetada, a julgar pelo sem-número de notícias que surgem a respeito. E, pelo que me consta, nada aconteceu, a não ser que tenham explodido o Madison Square Garden lotado durante um show da Madonna e a mídia estadunidense tenha, espetacularmente, ocultado o fato.

Acabei de ouvir no rádio a notícia de uma nova ameaça de ataque à cidade de Nova York. Como se o Bin Laden tivesse ligado para a Casa Branca e dito: "Aí, maluco, ainda hoje tem bomba aí nessa joça!". Pelo que sei, terroristas não avisam quando vão atacar - a surpresa é uma das mais devastadoras armas deles. E caso o Governo americano tenha detectado sinais de um novo ato, rezam as boas regras de inteligência que não se deve criar pânico entre possíveis vítimas, e sim eliminar a ameaça da forma mais sorrateira possível.

Por essas e outras eu acredito que esses inúmeros avisos de ataques terroristas que nunca se concretizam não passam de mais uma das estratégias da atual administração americana para manter viva a "chama" do 11 de setembro. Sim, pois Bush Júnior ainda lucra, e muito, com aquela estupidez. Parece-me bastante claro que ele não quer que o medo da população arrefeça, afinal de contas foi ele quem encampou a Guerra contra o Terror Global, e por isso é o sujeito mais gabaritado para lidar com quaisquer intempéries. Em outras palavras: num mundo de paz, Bush é moeda podre. E com a Terra em constante ebulição (ou "turnmoil", um termo que eles adoram usar), o Homem dá as cartas.

Não, eu não li Teoria da Conspiração, e pra ser sincero tenho pavor a esse tipo de coisa. Mas quando se trata de "Juninho", nada me surpreende.

Estava ouvindo Townes Van Zandt (o cara do mullet aí em cima) ontem, quando comecei a me dar conta de que ele é um sub-Bob Dylan, mas que não deixa de ser legal por conta disso. Aí eu comecei a viajar sobre quem é "sub-quem", e mesmo assim é foderoso. A banda mais influente do mundo, por motivos óbvios, gerou uma pá de "subs". Big Star, Badfinger e Raspberries são três bandas muuuito boas, e que nunca fizeram questão de esconder a cartilhinha dos Beatles embaixo do braço. Para os não iniciados: o Big Star é o perpetrador de "In the Street", que ficou famosa entre a juventude de hoje por ser o tema de abertura do seriado "That 70´s Show". Na minha opinião essa é uma das mais foderosas canções dos anos 70 mesmo. O Big Star entra, fácil, no meu top ten de bandas de todos os tempos. Acho que só não pensa isso quem nunca ouviu "Big Star #1" e "Radio City" (dois primeiros discos dos caras, que foram relançados como apenas um LP), e clássicos como "Feel", "Back of a Car", "Way Out West" e "September Gurls". Já o Badfinger começou a carreira com as bênçãos de nada menos que Sir James Paul. Contratados pela Apple no início dos anos 70, receberam de Macca "Come and Get It", com a qual fizeram muito sucesso (no Anthology I há a única versão dos Beatles para a música). E os Raspberries poderiam ser definidos como os Beatles Pesadões, ou um dos precursores do power pop. Escutem uma música dos caras chamada "Tonight" para entender o que fazem, hoje, Weezer e Fountains of Wayne. Mas há os podres, claro. Eric Carmen, o dono da banda, é o autor de "All by Myself", aquela balada melosa que a Sheryl Crow e tantas outras cantam. No exato momento em que escrevo essas muito bem traçadas linhas estou tentando me lembrar de "subs" legais. Eu disse "legais". Não adianta citar o Aerosmith como sub-Stones. Aceito ajuda.
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segunda-feira, agosto 02, 2004


OS MESTRES DO UNIVERSO (PARTE 2) - MACGYVER. Um dos meus ídolos máximos de todos os tempos, no mesmo patamar de Bob Dylan e Brian Wilson. MacGyver era um agente secreto ultra-ninja interpretado pelo ator Richard Dean Anderson (que por sua vez é a cara do tenista Stefan Endberg). Sempre se metia nas confusões mais escabrosas, e delas saía usando o que estivesse à mão no momento. Quando eu era moleque, eu imaginava situações para o MacGyver resolver, do tipo: ele está preso num contêiner prestes a ser despejado no mar e só tem um chiclete no bolso. Claro que o chiclete, pressionado contra a parede metálica do contêiner, viraria um poderoso explosivo, que libertaria nosso herói. E já imaginei várias outras fuleiragens, bem como as formas com que o herói se safaria delas. Outra coisa que me impressionava é que, em todo episódio do "Profissão Perigo" (a horrível tradução do nome original do seriado: "MacGyver") ele se dava bem com alguma gatinha. Era habilidade demais pra um cara só! A noite de terça-feira, lá pelos idos dos anos 80, era o momento mais esperado da semana, tudo para aprender mais algum truque com o super-mestre. Há uns bons anos eu compus uma música chamada "MacGyver", que ainda está entocada (nunca nem gravei no estudiozinho lá de casa). É uma baladinha que fala de um cara que está tão fodido, tão cheio de problemas, que só uma pessoa no mundo pode apontar para ele a solução. Imaginem quem?
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Papo relativamente sério aqui no GG. Se vocês ainda não notaram, a campanha presidencial americana tem tido uma massiva cobertura por parte da imprensa mundial. Jornalisticamente falando, a eleição para o cargo de "homem mais poderoso do mundo" mereceria, claro, espaço cativo nos noticiários. Mas dessa vez tem sido diferente. A disputa Bush x Kerry é tão onipresente na mídia quanto o affair Ronaldinho/Cicarelli e os desdobramentos da guerra do Iraque. O interesse dos meios de comunicação nada mais é do que o reflexo dos anseios do planeta, ou pelo menos da parte civilizada e não-beligerante dele: ver-se livre do cowboy que dita os destinos do mundo como se estivesse num rodeio no Texas. Tenho prestado atenção nos noticiários sobre a sucessão e notei que a mídia, apesar de tecnicamente dar espaço aos dois candidatos, tem uma ligeira e indisfarçável queda por John Kerry. Ou pela não-reeleição de George Bush. Aqui no Brasil, a prática dos meios de comunicação encamparem abertamente uma diretriz política não existe, faz-se as coisas por baixo dos panos em nome de uma pretensa "imparcialidade", vide a campanha presidencial de 1989, quando a Globo vestiu a camisa collorida, embora disfarçasse da forma que pudesse. Mas lá na terra do Tio Sam não tem essa. Se um determinado veículo apóia um candidato, deixa isso claro em seus editoriais, embora a cobertura diária siga a linha clássica do "como-quando-porque-onde-quem" do jornalismo. O New York Times e o Washington Post são assumidamente anti-Bush, já o LA Times defende com unhas e dentes um novo mandato para o cowboy. Aqui no Brasil, e em boa parte da imprensa mundial, o gosto pela candidatura de Kerry é bem visível, embora sem o verniz oficial que os veículos americanos carregam. É meio maniqueísta, eu sei, mas é verdade: Bush é pintado como o doidão inconsequente, que periga, depois de um passeio a cavalo em seu rancho, ligar para o Exército e ordenar a invasão da França. Kerry é um ex-herói do Vietnã que virou ativista anti-guerra (embora tenho votado a favor da invasão do Iraque). Casado com uma mulher carismática e atuante em causas sociais, tem uma filha cineasta e toda a pinta de moderado, no melhor estilo Bill Clinton. Um homem perfeito para o cargo de maior influência do mundo? Não é o caso, e isso a imprensa deixa claro. O que está em jogo é a interrupção de um governo fascistóide e "war-happy", e cujas relações internacionais são baseadas no "eu mando, você cala a boca e faz". John Kerry tem seus podres mas, acredito eu, deve representar uma descontinuidade desse regime. E você sabe porque a campanha tem tanta repercussão no mundo. As ações de Bush Júnior se refletem no meu e no seu bolso, pode ter certeza. A idéia desse post surgiu depois que eu li matéria na Folha de S. Paulo de ontem sobre a convenção democrata, e comecei a conversar sobre isso com minha mulher. A vejam a pérola com que ela se saiu: "É verdade. Daqui a pouco vão abrir comitês do John Kerry aqui no Brasil". Muito boa. Ah, e a foto lá em cima, hein? É uma sacanagem dos pró-Bush, parodiando a campanha do Master Card. Mostra John Kerry, lá atrás, e Jane Fonda em primeiro plano. A doidona, vocês lembram, foi uma das primeira celebridades a condenar a Guerra do Vietnã, inclusive fazendo visitas ao front. Na época, Kerry ameaçou devolver a medalha ganha por bravura no front (dizem que não o fez até hoje). Sacanagem é bóia.
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