quarta-feira, dezembro 29, 2004


FÉRIAS!!!!!!!

O editor-chefe deste GG vai tirar merecidas férias a partir da próxima segunda-feira. Para fechar o ano, uma galeria desse misterioso sujeito nos últimos dias de labuta antes do providencial relax. Vá rolando para baixo e você vai ver a sequência toda....

1 - Feliz da vida, ele recebe a notícia de que vai tirar férias

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2 - Decepcionado, pois ao invés de 30 dias, serão apenas 15...

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3 - Falando à redação do GG, pedindo empenho nos dias em que ele estará fora

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4 - Preparando as malas. E aquele cara lá atrás é quem vocês estão pensando. Ele estava dando um rolé pela redação do GG e o editor-chefe ainda precisou atender o mala...


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5 - Pronto para o descanso, o chefe da bodega se prepara para embarcar num iate com destino ao Sri-Lanka pós-tsunamis. "É que as diárias dos hotéis devem estar bem baratinhas", justificou...

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segunda-feira, dezembro 27, 2004


É ver para crer. http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI445098-EI1267,00.html
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RETROSPECTIVA PARARÁ DE 2004 (AS COISAS MAIS CHATAS DO ANO - WANDERLEI CORDEIRO DE LIMA)

Assim como todo mundo, eu também fiquei puto quando vi pela primeira vez a imagem do maratonista Wanderlei Cordeiro de Lima sendo agarrado pelo padre irlandês Cornelius Horan quando liderava - com folga - a final da prova mais famosa das Olimpíadas. Mas depois veio um bafafá tão grande, uma comoção lacrimosa como só o brasileiro sabe fazer, e eu comecei a ficar puto com a situação. Nada mais irritantemente brasileiro que o jeito cabisbaixo de Wanderlei, sempre a achar que tudo está de bom tamanho, que é preciso perdoar as pessoas e que o céu é azul. Fosse eu no lugar dele tinha botado pra lascar: dava uma camada de pau no fdp do padre ali mesmo e, tendo perdido a prova, ia abrir um bocão da murrinha para que todo mundo soubesse da minha indignação. Mas não. Para o nosso Jeca Tatu do novo milênio está sempre tudo bem, e quem saiu lucrando na parada toda foi o urso grego, que deu um safanão no padre e virou herói nacional. Ô povinho, esse brasileiro...

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quarta-feira, dezembro 22, 2004

RETROSPECTIVA PARARÁ DE 2004 (GRANDES PENTELHOS NO ANO – IRUAN)

PS.: a porra do Hello tá de frangagem pro meu lado e não quer postar fotos. Aí vai o link para uma desse grande pentelho de 2004:

noticias.ya.com/ fotos/200402/1307.htm

Esse encheu o saco de todo mundo. Iruan Ergui Wu nasceu em Porto Alegre, filho de uma brasileira e de um marinheiro chinês que vivia no Uruguai (deu a porra...). Poucos anos depois do nascimento, a mãe do garoto morreu de leucemia, e ele passou a ser criado pela avó. Belo dia o pai pediu para levar o garoto até Taiwan, para conhecer a família dele. Mais desgraça: o camarada morreu misteriosamente, enquanto dormia, pouco após chegar a Taiwan. A família dele então resolveu ficar com Iruan. No Brasil iniciou-se uma campanha com um irritante cunho patriótico, como se a volta de Iruan ao Brasil fosse tão importante quanto a soberania nacional na Amazônia. Aí a Justa concedeu para a família brasileira o direito de ter o pentelho de volta. Pensa que a desgraça acabou? Nada disso: ao chegar ao Brasil, Iruan foi presenteado com uma camisa do Grêmio...

terça-feira, dezembro 21, 2004


RETROSPECTIVA PARARÁ DE 2004 (OS GRANDES OTÁRIOS DO ANO - MARCELLO ANTHONY)

Tudo parecia ir às mil maravilhas na vida do galã da balaiagem. Papel de destaque na novela das oito, mulherada impregnando, campanhas publicitárias. Até que o Mané resolve comprar fumo usando cheque. Aí fodeu tudo. Cana, cancelamento de campanhas, coisa e tal. Mas o cara deu a volta por cima. Já está de novo numa novela das oito e já fez várias outras campanhas. Bom sinal de mudança dos tempos, pois até uma famosa cervejaria nacional já associou à imagem um outro Marcelo maconheiro, o D2...

Ps: na foto acima, o Anthony tenta fazer uma média com o editor-chefe do GG, na tentativa de se livrar da honraria. Mas não adianta, Marcello: você é um dos OTÁRIOS DE 2004!!!!!


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segunda-feira, dezembro 20, 2004


RETROSPECTIVA PARARÁ DE 2004

Chega dessa baboseira dos momentos mais belos do ano que passou. Nada de flores, beijinhos e mensagens de paz e prosperidade. O GG inaugura, a partir de hoje, a RETROSPECTIVA PARARÁ DE 2004, mostrando as canalhices, micos e filhos-da-puta que marcaram os últimos doze meses. Ao final da saga, como é de costume nesse renomado veículo, vocês vão escolher o vencedor...

Para começar com chave de ouro, na categoria dos Filhos-da-puta de 2004, aí vai o piloto americano Dale Hersh, que em janeiro deste ano resolveu dar uma dedada aos policias federais que pediram sua identificação do aeroporto de Sampa. A gaiatice do fdp custou US$ 12,7 mil à American Airlines. Um trocado, é bem verdade, mas valeu pela enquadrada que o gringo levou. DALE ROBBIN HERSH é um dos FILHOS DA PUTA DE 2004!!!!!!
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sexta-feira, dezembro 17, 2004


PAPO ENTRE DOIS VIEJOS AMIGOS

- Fala, Maradona! Como é que vão as coisas lá em Cuba?
- Amigo Bati, mais ou menos. O clima é bom, as gatas são bacanas. Foda é quando o Fidel começa a falar...
- O que você veio fazer aqui na Argentina?
- Na verdade eu vim só dar um pulinho para dizer alô a todos. Estou indo mesmo para o Brasil...
- Brasil? Não acredito que você vai visitar os macaquitos!!!!
- Não só vou como estou analisando propostas do Grêmio, Guarani, Flamengo, Atlético-MG...
- Mas porque esses times? Estão oferecendo boa grana?
- Não. São as únicas drogas que eu ainda não experimentei...

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quinta-feira, dezembro 16, 2004


O velho Brown pulou mais uma fogueira. Pai de todos os ladrões da música pop - seu filho mais ilustre é Cumpadre Washington - ele se submeteu a uma cirurgia para retirar um câncer na próstata. Na foto acima o negão se mostra chateado com a quantidade de exames que teve que fazer até realizar a operação. "Vão tomar no cu vocês, caralho! Pra mim já deu! Get up, get on up! I feel good! Ora porra!"
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quarta-feira, dezembro 15, 2004


Acho uma sacanagem as pessoas dizerem que metal é coisa de veado. Afinal de contas, Elton John, George Michael e Morrissey não são da turma de preto. Mas às vezes fica difícil defender a nação headbanger...
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terça-feira, dezembro 14, 2004


Que música nosso amigo Wlad está cantando na foto acima? Façam suas apostas:

- Meu pintinho amarelinho
- O tempo não pára
- War Pigs
- Fogo e Paixão
- Anarchy in the UK
- É o Tchan no Havaí

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segunda-feira, dezembro 13, 2004

"O ÁLCOOL É UMA MERDA"

A frase acima foi cunhada pelo inigualável Marcelo Gomão e tem aplicações recorrentes, visto que a galera não brinca em serviço quando o assunto é copo. Eu diria que roqueiro bêbado também é uma merda. Vejam a situação: você está numa festa de Carnaval (CARNAVAL!), com orquestra de frevo e tudo mais, e eis que uma bandinha de playboys arma os equipamentos e começa a tocar - em ritmo de chacundum - clássicos do cancioneiro baba. Djavan, Jota Quest, Zeca Baleiro, e por aí vai. Revoltados com a inépcia dos sujeitos em questão, três roqueiros biritados resolvem invadir o palco e mostrar como se faz. Já que não tinha baterista entre os presentes (até porque um certo sujeito que frequenta esse espaço desistiu de ir à parada), o playba galego que estava nas baquetas acabou ficando. Aí o roqueiro-guitarrista aluga o playboy para que este último estenda até o máximo o tamanho da correia da guitarra. O roqueiro-baixista toma o instrumento da mão do próprio dono. E o band-leader brada a plenos pulmões um "Agora a gente vai tocar ROCK! De verdade!". E tome "Money (that´s what I want)", "Twist and Shout", "Please Mr Postman", entre outras. Boquiaberta com a performance agressiva - afinal era uma festa de...CARNAVAL - a platéia pede para a bandinha de frevo voltar. É assim mesmo. Roqueiro bêbado é, realmente, uma merda. E três então...

sexta-feira, dezembro 10, 2004


Faz um bom tempo eu li na saudosa revista General um artigo de um camarada sobre algumas das manias dos americanos. Entre elas, a de sair por aí com uma arma em punho matando gente de forma aleatória. Nunca esqueci esse genial período: "o assassinato em massa é um fenômeno tão americano quanto o hamburger".
A nova vítima desse esporte nacional ianque foi a lapa de doido do Dimebag Darrell, um dos melhores guitarristas de metal que eu já ouvi, e sem dúvida o que soava mais pesado. Um maluco subiu no palco em que a nova banda dele - o Damageplan - estava tocando e descarregou a pistola em Darrell e em outras quatro pessoas. Dimebag não foi o primeiro, e muito provavelmente não será o último. Nesse exato momento, em algum lugar dos States, algum jovem atormentado deve estar carregando suas pistolas e submetralhadoras para praticar tiro ao alvo em gente.

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quinta-feira, dezembro 09, 2004

THE NEAR AND THE DEAR ONE...

Não entendo que poder é esse que o Natal tem de amolecer (ops!) as pessoas. Vejam o exemplo de John Winston Lennon. Esse camarada era uma espécie de sinônimo inapelável de rebeldia e inconformismo contra os valores da época dele. Mas aí chegou um frio mês de dezembro em Nova York, a neve, as pessoas se cumprimentando, toda aquela coisa, e o sujeito escreveu - em parceria com a patroa - "Happy Xmas (War is over)". Sim, esse é o mesmo cara que compôs "Helter Skelter", "Woman is the nigger of the world", "Revolution", e tantas outras canções com temas mais "pesados", por assim dizer.

"Happy Xmas" é muito chata, e eu acho que as pessoas não admitem isso porque se trata de uma canção do John Lennon. A letra é carregada de um irritante moralismo hippie ("The world is so wrong", "Let´s stop all the fight", etc), totalmente oposto à tradicional inquietação de Mr Winston. Essa canção é sinônimo de caretice natalina, e disso você só se toca ao lembrar que a Simone já gravou uma versão em português que, impreterivelmente, nos atormenta nessa época do ano. Ah, e quando você a ouve, na versão original, pelos alto-falantes do Hiper Bompreço, tal qual aconteceu comigo hoje pela manhã.

Mas há controvérsias quanto à criação do clássico baba-natalino. O GG entrevistou pessoas ligadas a John Lennon e descobriu que ele, na verdade, queria escrever uma canção desancando a "instituição" Natal, mas que a Chefona estrilou e o mandou suavizar a letra. "Eu...ops, nós vamos ganhar mais dinheiro se ela for assim, meu amor!". E aí o mané foi na onda. Eis a letra perdida de "What´s Xmas For?", que virou a insuportável "Happy Xmas".

WHAT´S XMAS FOR?

So this is Xmas
And what do I have to do with that?
Another year is over
And I´m still getting fat
And so this is xmas
I´m not having fun
I better beware of someone with a gun

And what´s xmas for?
To say "Happy new year"?
Let´s go get some weed
Let´s go get some beer



terça-feira, dezembro 07, 2004

NÃO ESTOU COM SACO PARA ACHAR UM TÍTULO ESPERTO PARA ESSE POST, ENTÃO VAI ASSIM MESMO...

Quando eu vi o primeiro show do Diversitronica, lá na Ultra2K, achei bem legal e divertido, mas nunca imaginei que eu ia curtir ouvir a banda fora do palco, pois como é público e notório, música eletrônica não é bem minha praia. Mas eis que Miroba resolveu regar a foderosíssima cachaça que tomamos domingo na "Ilha de Caras" (como batizamos a casa que a família dele alugou à beira-mar de Maria Farinha) com o disco dos nossos intrépidos Léo, William e Zé. Sinceramente, achei muito mais legal que naquela noite. Bem tocado e bem gravado como só esses caras sabem fazer. Miroba virou um fã "alucinado", segundo ele próprio. Sabe os nomes das músicas e o escambau. E eu, um pobre roqueiro rabugento, acabei me rendendo. Tanto que, nesse momento, baixo essas admiráveis canções para o PC.

Diversitronica reinou no cd player...até Da Maia chegar com as trocentas pastas de cds da Trashdance. Aí você já imagina como terminou a parada. Mas que eu saiba tá todo mundo vivo...

sexta-feira, dezembro 03, 2004


Esta é a entrada da cidade de Lodi (fala-se "Lodái", e não "Lôdi"). Sim, aquela mesma onde o John Fogerty diz ter ficado preso. Tive a idéia de dar essa cascavilhada depois de ouvir a música homônima do Creendence Clearwater Revival - uma das minhas preferidas da banda e a que, junto a "Torn And Frayed", do Stones, melhor retrata o lado decadente da vida na estrada.
Lodi é uma cidadezinha de 55 mil habitantes, e que fica a 90 milhas (quanto é isso em quilômetros?) de San Francisco. Localizada às margens do Rio Sacramento, Lodi é um pedaço de quietude encravado na sempre agitada e cosmopolita Califórnia. A cidade, obviamente, só é conhecida no mundo graças à canção do CCR, lançada em 1969 no foderosíssimo "Green River". E o mais engraçado é ver como a população lida com isso. Num dos jornais locais, o LodiNews, encontrei um artigo do prefeito, onde ele relata as inúmeras belezas do lugar e diz que, "se você ficar preso em Lodi, vai ver que é o lugar perfeito para isso". Já outro portal, de uma associação comunitária, desanca Fogerty e seus asseclas, falando que "graças a Deus eles não gostaram de ficar presos em Lodi, por isso não existem hippies sujos e cabeludos vivendo aqui hoje".
Em um grande portal jornalístico californiano encontrei uma matéria engraçada, que fala como os apreciadores de vinho dos grandes centros da Califórnia estão fazendo de Lodi uma espécie de ponto de referência. Mas não tem jeito, o repórter começa o texto dizendo que "quando se ouve a palavra 'Lodi' vem logo à cabeça a canção do Creedence, que pinta a cidade como atrasada e pouco agradável". Uma coisa é certa: João Foguete não pisa mais lá nem a pau. Periga ele ficar preso de uma vez...sete palmos embaixo do chão.


LODI (John C. Fogerty)

Just about a year ago, I set out on the road
Seeking my fame and fortune and looking for a pot of gold
Things got bad, things got worse, I guess you know the tune
Oh, Lord, I´m stuck in Lodi again

Rode in on a Greyhound, I´ll be walking out if I go
I was just passing through, must be seven months or more
I ran out of time and money, looks like they took my friends
Oh, Lord, I´m stuck in Lodi again

A man from a magazine said I was on my way
Somewhere I lost connections and ran out of songs to play
I came into town, a one-night stand, and it looks like my plans feel through
Oh, Lord, I´m stuck in Lodi again

If I only had a dollar for every song I´ve sung
And every time I had to play while people sat there drunk
You know I´d catch the next train back to where I live
Oh, Lord, I´m stuck in Lodi again


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Definitivamente, saxofone e música pop não combinam. Esse instrumento, bastante útil no jazz, se torna uma ferramenta do capeta a azucrinar nosso juízo, sempre que incorre por outras searas. Não é à toa que alguns dos maiores clássicos do "enche-culhão-e-ovários" têm linhas tocadas nesse brinquedinho do Demo, como "Your Latest Trick" (Dire Straits), "Careless Whisper" (George Michael), o tema de Blade Runner, entre outras. Sem falar que alguns dos maiores pentelhos do universo são saxofonistas, como Kenny G, Leo Gandelman e Clarence Clemons (foto acima).
Aí você vem e me fala do Morphine, mas esse é um caso à parte. No grupo de Mark Sandman o sax era usado como um instrumento de proa, sempre compondo com o resto da banda, e não como um mero reprodutor de vinhetas assombrosas. O GG então catou seus arquivos e vem para você com algumas músicas onde o saxofone é usado de forma palatável.

1 - "Mrs Vandebilt" (Wings)
2 - "Long as I can see the light" (Creedence)
3 - "Thunder Road" (Bruce Springsteen) - é o pentelho do Clarence Clemons, mas a intervenção dele nessa música é bem bacana.
4 - "Rocks Off", e "Loving Cup" (Stones), que têm os melhores arranjos de metais para rock já feitos

Ps.: Atenção William Paiva, Leo Gandelman é ou não é um dos GALDMDM????


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quinta-feira, dezembro 02, 2004

CULTURE CLUB

Ontem eu ouvi no rádio uma das mais insuportáveis canções compostas desde sempre: "The Logical Song", do Supertramp. Sinceramente, essa música me deixa revoltado de tão chata que é. Ela me remete aos meus anos de Cultura Inglesa, quando os professores, vez por outra, tacavam umas músicas lá no mini-system para a gente acompanhar a letra e preencher os espaços vazios. "The Logical Song" é um clássico do repertório culturesco. Lembro bem do professor que me torturava com essa pérola do cancioneiro britânico e ele se debulhava em êxtase ao ouvir aquela desgraça.
Sintam o drama das canções que embalavam as aulas-fuleiragem: "Wuthering Heights" (Kate Bush), "Patience" (GN´R), "Forever Young" (Alphaville), por aí. Eu e Dé, um brother da época de colégio e que estudava na mesma turma que eu também na Cultura, resolvemos dar um basta naquela situação. Quando fomos escalados para fazer um trabalho cujo tema era livre, resolvemos nos vingar de todo aquele establishment musical careta. Bancamos os professores e tacamos "I Got The Blues", dos Stones, para a galera ouvir e preencher os espaços vazios. Ainda lembro da cara de espanto do povo da sala. O professor - era outro, mais legal, e não o de "Logical Song" - curtiu a música e nos pediu o disco para gravá-la. Menos mal. O mundo não poderia estar tão perdido como nós pensávamos que estivesse...

quarta-feira, dezembro 01, 2004


Nos idos de 94/95, lembro que fomos a um show de Bezerra da Silva no Pagode do Edmilson, em Casa Amarela. A gangue era formada por mim, Zé, Cristiano "Ameba", Alexandre "Arnalda" e Rodolfo "Grandes Enigmas do Universo". Para se ter uma idéia do naipe do evento, na bilheteria um cartaz estampava um emblemático "mulheres e militares não pagam". Lá dentro um calor do cacete, mas a cerva era bem gelada. Nesse dia tivemos o privilégio de ver o mestre Bezerra tocar com a banda de Belo Xis (deu uma sensacional ralhada com o cavaquinista, por achar que ele não estava tocando no Mi Bemol pedido), e vimos um perneta sambando. É sério. Uma noite para a História.
Já em 98/99 houve um novo show do mesmíssimo Bezerra da Silva nas terras de Nassau. Local: Centro Luiz Freire, a Meca dos descolados daquela época. Mas algo estava diferente. Nada de suburbanos, militares ou pernetas. Toda aquela gente bonita que se vê nas festas alternativas do Recife estava lá, maravilhada com a "novidade". Lembro que os jornais ressaltaram a "descoberta" de Bezerra da Silva. É sério. Só se foi para quem nunca caçou bons discos e nunca pisou no Pagode do Edmilson.
De lá pra cá, vocês sabem, o samba virou referência obrigatória para quem quer fazer música "brasileira". Encheu de dinheiro o rabo de muita gente escrota. E o pobre Bezerra da Silva continua internado, em estado grave e sem plano de saúde. É sério.

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terça-feira, novembro 30, 2004

ORIGINAL OLINDA FULEIRAGEM

Banda-arriação formada por quatro olindenses inveterados, e que tem como proposta tocar clássicos do reggae (Black Uhuru, Bob Marley, Horace Andy, Toots & The Maytals, Augustus Pablo, Burning Spear, Lee Perry, Peter Tosh) procura um nome, já que os próprios integrantes não conseguem achar nenhum decente. Favor postar as sugestões no comments. Obrigado.

segunda-feira, novembro 29, 2004

CONTO

Esse é um conto da lavra antiga. Notem que é de uma época em que Jorge Amado estava vivo, Sandy & Júnior estavam no auge, e quando Gilberto Gil tinha gravado aquele disco de forró. Gosto muito desse. Espero que vocês também curtam...


BAIANOS

Os baianos estavam reunidos em sua convenção anual, na casa de Jorge Amado. Fosse há dez anos, seria na de ACM, mas o velho Malvadeza já demonstrava que o apelido era a cada dia mais injusto. Cedeu ao autor de "Jubiabá" o direito de ciceronear a convenção, mas só porque este último andava meio adoentado.
A reunião era uma oportunidade para os baianos discutirem a quantas andava seu domínio sobre o Brasil e a conquista de territórios mundo afora. Traçavam metas e realizavam uma meticulosa contabilidade sobre sua influência no inconsciente do povo brasileiro. Àquela época um fato os incomodava: o É o Tchan estava vendendo cada vez menos discos e Ivete Sangalo estranhamente não arrumava mais namorado.
- 10 mil discos nos últimos três meses! Isso é um desastre! - exclamou Caetano
- Por que será que isso tá acontecendo, hein? - perguntou um incrédulo Jorge Amado - Vocês acham que o Brasil enjoou de nós?
- Hmmm....sei não - interveio ACM - Secretária! Me ligue com a Playboy! Vou sugerir a eles uma edição especial com as S(c)heilas, Carla Perez, Ivete, Gil e Márcia Freire! Eles vão ver o que é que a Bahia tem!
- O senhor vai "sugerir", Painho? - perguntou Carla Perez
- Não, minha filha. Mandar.
- Ah, bom. Esse é o Painho que eu conheço...
- Aproveita e diz pro Xandy que ele vai posar para aquela revista de....de...erh...vocês sabem! - ponderou o Síndico
- Mas Painho, o Xandy? Naquela revista de....de...boiola? Faz isso não Painho! Vão tirar muito sarro com a cara do pobrezinho! - choramingou Carla.
- Tá, tá. Então diz que é pra ele ir mais no programa da Xuxa. Ele tá aparecendo muito pouco na televisão....E você, minha filha, tá comentendo muitos erros de português e derrapando feio nos conhecimentos gerais. Você precisa passar uma imagem mais intelectual.
- "Inteli" o quê, Painho?
- Nada, meu bem. Esquece.
Nisso intervém Gal Costa..
- Caetano, meu filho, acho que você tá meio sumido do panorama artístico. Você é um expoente e tanto para a manutenção da nossa supremacia, querido. Temos que te levar de volta aos holofotes - sugeriu a cantora
- Ô Gal, o único jeito é eu gravar uma baladinha voz-e-violão. Tu me sugeres alguma?
- Hmmm....deixa eu ver..."Chuvas de Verão", do José Augusto!
- Boa...vou anotar. Mas me dá mais uma opção
- Sei lá. Pede pro Zezé Di Camargo compor uma música pra você!
- Mas ele não é baiano...
- Eu compro a música! Vira baiana na horinha! - berrou ACM
- Tá. Então liga aí pro Zezé....
Nesse momento, Carlinhos Brown entra na sala.
- Meia Lua Inteira, rebobeu dos timbales dourados! Pracundum! Tchan nan nan!
- Psssss! Comporte-se Carlinhos! Estamos discutindo o nosso futuro! - repreendeu ACM
- Desculpa, Painho...
- Estamos sem representação também no futebol. Temos que colocar um jogador nosso na Seleção Brasileira! - rugiu o Chefão
- O Bobô ainda tá jogando? - perguntou Durval Lellys.
- Claro que não, imbecil! O Bobô tá velho demais! Mas acho que o Bebeto ainda dá um caldo... - interveio Maria Bethania.
- É. O Bebeto. Deve estar com uns 40 anos, mas tem uma carinha de 38...
- África ultra-sônica, Máquina teotônica, Bragadá! Meia Lua Inteira! - cantarolou Brown
- Pssss! Quieto, Carlinhos! Dorival, o que você acha que deve ser feito para aumentar as vendas dos artistas de Axé Music? - perguntou Jorge Amado.
O Velho Caymmi estava absorto olhando o mar pela janela, mas disse, na lata:
- Bota a Sandy no lugar da Scheila Carvalho...
- Ei! Quer me derrubar, é velhote? Nem vem que não tem! - indignou-se a morena
- Calma, colegas! Não vamos nos dispersar! A energia cósmica afro-latina não pode ser diluída com mostras de rancor etno-psicótico.... - elucubrou Carlinhos
- Que foi que ele disse? - assustou-se Jacaré
- Nada...fica quieto, Brown! - interveio ACM - Bem, precisamos preparar nossas tropas de choque, caso seja necessário o uso da força. Como estão os Filhos de Gandhi e o Ilê-Ayê?
- Bem treinados, Painho. Uma ordem sua e eles invadem Brasília. Quer dizer, demora um pouquinho, né? Sabe como é, Brasília é longe e a rapaziada pára no caminho pra tomar aquela aguinha de coco...
- Sei, sei. Mas, e o Gil? Ainda não vi o Gil hoje. Ele também é de suma importância para o nosso domínio do Brasil - afirmou o patriarca do Dendê.
- Ah, Painho, o Gil agora tá tocando forró, baião, essas coisas de pernambucano - desdenhou Ivete - Até parece que ele virou casaca...
- Ah é? Miserável! Vai apanhar...Popó! Tenho um serviço para você, meu filho! - berrou ACM
- "Digue", Painho. Eu "rebento" quem o senhor quiser...
- É mesmo?
- Mesmo.
- Então começa pelo Carlinhos Brown.



quinta-feira, novembro 25, 2004

TER AMIGOS É TUDO...


Ron Wood nunca brincou em serviço. Pode ser considerado o melhor sideman da história do rock, por ter no currículo passagens pela banda de Jeff Beck - na época em que Rod Stewart era responsável pelo microfone -, Small Faces, e posteriormente, o melhor emprego do mundo sob a relação custo-benefício: guitarra-base dos Stones.

Em 1974, quando já desfrutava de absoluto prestígio no meio musical, resolveu sair da sombra e lançar o disco retratado aí em cima. O título não poderia ser mais emblemático: com "I´ve got my own album to do", Wood se mostrou como um inspiradíssimo compositor e, principalmente, um sujeito entrosado. Para gravar o disco, chamou Keith Richards - amigo de longa data e principal responsável pelo posterior ingresso de Ronnie nos Stones - , o tecladista dos Faces, Ian McLagan, o negão Willie Weeks no baixo, e o batera Andy Newmark. O resultado é um tremendo disco de rock, sacana e suingado como os grandes álbuns dos Stones.

O cartão de visitas é "I can feel the fire", que traz a primeira sacanagem do disco. Apesar de não estar creditado no encarte, é perfeitamente possível ouvir Mick Jagger cantando ao longo da música. "Far East Man" é mais uma prova de como Ronnie era descolado, pois trata-se de uma parceria dele com ninguém menos que George Harrison. Outra: George não é creditado no disco, mas aquela guitarrinha que sola durante a maior parte da música...sei não. "Mystifies Me" (coverizada pelo Son Volt no disco de estréia dos caipiras) é provavelmente uma das mais belas canções de amor já feitas. "Take a Look At The Guy" também foi alvo de uma cover recente, mas bem menos inspirada, por parte de Izzy Stradlin, mas isso deixa pra lá.

Ron Wood ainda recebeu da grife Jagger/Richards duas canções fresquinhas para o álbum. A belíssima "Act Together", com vocal gospel, poderia ter figurado em qualquer bom disco dos Stones. Já "Sure The One You Need", cantada por Keith Richards, soa como uma sobra do Exile On Main Street. No mais, os destaques ficam para "Shirley", do próprio Wood, e para "Crotch Music", de Willie Weeks, uma sensacional canção instrumental onde o negão dá uma aula de baixo aos Stuart Ham da vida.

É mais ou menos isso. Eu desenterrei esse disco ontem à noite, ouvi de cabo a rabo e pensei: "Tenho que escrever sobre isso aqui. E se ao menos um dos malucos que lêem o GG se instigar a ouvir, vou ser um cara satisfeito". Quem se habilitar a me tornar um sujeito mais satisfeito, favor avisar.

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quarta-feira, novembro 24, 2004

SOLTO A VÓ NA ESTRADA...

Admiro quem sabe cantar. Deve ser porque eu sou, reconhecidamente, um mau cantor. É extremamente desconfortável para mim ouvir o som da minha própria voz num registro gravado. Sim, eu acho que melhorei um pouco ao longo desses anos todos, mas ainda falta um bocado para eu me sentir satisfeito com o meu gogó. Mas alguns dos meus artistas preferidos são cantores pavorosos, o que obviamente me encoraja a continuar nessa brincadeira. Ontem eu pensei em fazer esse post sobre os meus vocalistas prediletos, mas cheguei à conclusão que fica melhor dividir alguns deles (as) por peculiaridades, ao invés de simplesmente dizer quem é o bam-bam-bam e pronto. Sendo assim, eis a lista:

1 - EU CANTO MUITO E A MULHERADA AINDA PAGA PAU PARA MIM - Chris Cornell, Robert Plant, Mike Patton, Nick Drake, Eddie Vedder, Jeff Buckley
2 - EU CANTO MUITO E SOU PROPORCIONALMENTE FEIO - Bob Marley
3 - EU TENHO UMA PUTA VOZ AGRADÁVEL - Lou Barlow, Lauryn Hill
4 - EU CANTO MAL PRA CARALHO, MAS SOU TÃO FODEROSO QUE A GALERA ME VENERA MESMO ASSIM - Bob Dylan, Neil Young, J Mascis, Chico Buarque
5 - EU CANTO BEM, MAS GRITO MELHOR AINDA - Frank Black, Phil Anselmo
6 - OLHA COMO EU SEI FAZER FALSETE - Curtis Mayfield (menção honrosa para J Mascis)
7 - QUERO VER ALGUÉM IMITAR A MINHA VOZ - John Fogerty
8 - EU NÃO CANTO BEM, MAS TENHO CARISMA E MINHA BANDA É FODONA NA HISTÓRIA DO ROCK - Mick Jagger, Joey Ramone
9 - EU SOU UM VOCALISTA MEDIANO, MAS MINHA BANDA ERA TÃO FODEROSA QUE EU ACABEI FICANDO FODÃO POR TABELA - Roger Daltrey
10 - ALÉM DE NÃO CANTAR NADA, EU SOU UM CHATO DO CACETE - Henry Rollins

terça-feira, novembro 23, 2004


Ter filho é empreender divertidas voltas à infância, e a todo instante. Desenterrar o disco do Plunct-Plact-Zum foi uma das mais legais, bem como observar, do alto de sua "adultez", como aquilo era uma grande putaria. O disco é lisérgico do início ao fim e, fora as fuleiragens de Maria Bethânia e etc, é a maior gréia. Na música das formigas, o cara diz que "meus olhos já estão pegando fogo". Na do Gang 90, o camarada fala que "o elefante aspira fundo", e ainda pergunta "será que o King-Kong é macaca?". Ainda tem o tal do "Planeta Doce" (eita bandeira da porra...).Ah, o time que gravou o álbum deve explicar a doideira. Na produção, ninguém menos que Guto Graça Mello. Tocando bateria em várias faixas, Lobão. E mais Raul Seixas, Júlio Barroso, Jô Soares, etc. E pensar que fomos crianças ouvindo essas mensagens subliminares. Olha aí o resultado...
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sexta-feira, novembro 19, 2004

LEÃO, RATINHO, GIMENEZ E EU

Ontem à noite finalmente descobri, graças ao Gilberto "Leão" Barros, o que me atrai tanto aos programas noturnos de auditório da nossa televisão. Na verdade, eu não os assisto com regularidade, e nem deixo de fazer coisas interessantes como ler, tocar ou escutar música para me plantar na frente de Luciana Gimenez, Ratinho ou do próprio Leão. Apenas, como já disse aqui antes, tenho o pavoroso hábito de comer em frente à telinha, e quando chego do treino para jantar já se vão altas horas da noite. Por isso, vez por outra, me pego hipnotizado por esses sujeitos.

E por que diabos isso acontece? Fácil. Esses programas tratam de temas corriqueiros com "debatedores" que você encontraria facilmente nas mesas de bar e até mesmo naquela ala mais modorrenta e conservadora da sua família. É um banquete de hipocrisia cujo apelo é certeiro. Afinal de contas, quem ficaria indiferente ao ver, tratando do "tema" DROGAS, figuras como Adriano, do BBB (o baiano encrenqueiro), Norton Nascimento e uma patricinha paulista?

O manjar de hipocrisia é tão saboroso que você não resiste e fica grudado na telinha, ávido por mais e mais. A certa altura, o artista plástico Didi (é assim que chamam o baiano, não pensem que eu sou íntimo do cara) se disse a favor da descriminalização da maconha. Pronto. Leão só faltou expulsar o cara do auditório, sob a alegação de que a erva era nociva, porta de entrada para outras drogas e outros clichês que, se por um lado têm fundamento, são empregados por pessoas que desconhecem esses fundamentos, falando apenas em nome da "moral" e dos "valores familiares". O pobre Adriano lutava sozinho para dizer que, para ele, o problema não era o cara que fumava tranquilamente seu baseadinho, e que esse camarada, caso pego pela Justa, deveria ser encaminhado a tratamento, e não à cadeia. Continuou tentando explicar às macacas do auditório e aos colegas de "debate" que a questão das drogas é muito ligada ao conservadorismo e ao monopólio das indústrias tabagista e alcoólica. Tentou falar que o ser humano altera a consciência há pelo menos cacetadas de milhares de anos, e ainda tentou deixar claro que isso não justificava a terrível indústria do tráfico que existe hoje. Uma posição correta e equilibrada, que se resume em: faz mal, sim, como tantas outras coisas, mas é preciso se livrar de certos preconceitos e ter um sistema judicial e de saúde pública em perfeito estado de funcionamento para tratar da questão. Mas não houve jeito. Didi já tinha sido rotulado - pelo auditório, pelo apresentador, pelos demais "debatedores", e principalmente pelo público - como um maconheiro, corruptor da família de dos valores morais, num linchamento moral semelhante ao que vitimou Soninha.

É mais ou menos isso que você vê nas ruas, nos ônibus, nas filas de banco, no inconsciente da população média do Brasil. Uma hipocrisia que revolta, e ao mesmo tempo alimenta - nas pessoas de senso crítico - aquela vontade de responder à altura. E, sinceramente, entre o Café Filosófico e o Super Pop, eu retiro mais ensinamentos e reflexões do segundo.

quinta-feira, novembro 18, 2004

EXTRAPOLOU

Mais uma de fuleiragem (tá rolando muita música ultimamente, é preciso dividir o espaço entre as duas diretrizes editoriais):

Tudo bem esse negócio de ser um homem moderno, gostar de se vestir e se cuidar, coisa e tal. Nada contra, acho salutar inclusive, embora não seja praticante. Mas tem gente que extrapola. David Beckham - bem definido por Zé como o "paradigma do metrossexualismo" - tatuou o próprio nome...na bunda. Sério, a foto tá na Folha de Pernambuco de hoje. Eu até achava que o camarada era só afeito a essas coisas por ser "muderno", descolado, exótico. Depois dessa, pra mim ele é um tremendo de um goba mesmo...


Empolgado com o desempenho de Ronaldo nos jogos contra a Argentina e Bolívia, lembro que escrevi um conto em que os principais líderes do mundo, capitaneados por Néstor Kirchner, tentavam seqüestrar Daniela Cicarelli. A medida visava frear o ímpeto do atacante brasileiro. Pelo visto, acho que conseguiram. Visivelmente mais gordo e sem correr cinco metros seguidos, Ronaldo foi o maior vexame do jogo de ontem. Cadê a Cica pra dar um jeito nele agora?
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quarta-feira, novembro 17, 2004

BUÁ

Tem horas que é difícil segurar o choro. Saber que o Wilco vai tocar na noite de reveillón no Madison Square Garden e que você não vai é uma delas...

Vejam o www.wilcoweb.com e constatem que eu não estou mentindo. Agora é bom ter uma caixinha de Kleenex ao alcance...

VYNIL WORLD TOUR

Já se vai um tempo desde que eu era um intrépido repórter automobilístico num renomado periódico da cidade. Viajava pra dedéu, e assim conheci bons pedaços desse Brasilzão. E comprei discos também. Minha curtição preferida, sempre que chegava num canto, era perguntar onde eram os sebos de vinil. E lá ia eu, sempre que as competições e test-drives davam um tempinho, fuçar as bolachas da cidade em questão. Algumas dessas incursões foram frustradas - não tinha nada melhor que o Brothers in Arms, por exemplo - mas outras me renderam grandes frutos para a minha coleção. E esses discos acabam, inconscientemente, me lembrando as cidades onde os adquiri. Para mim, por exemplo, Curitiba é a cara de:

- George Thorogood and The Destroyers - Idem
- Mandrill - The Beast of the East
- The Cars - The Best of
- Trefethen - Am I Stupid or Am I Great?

Já Belo Horizonte tem cheiro de:

- Crosby, Stills, Nash & Young - 4-Way Street
- The Troggs - Cellophane

Gramado, além de chocolate e vinho, me recorda um disco doidão do Dicró. Em Goiânia (não confudir com a capital mundial do Gadelhismo, pois estou me referindo à capital de Goiás) eu descolei uns discos muito viajados de violeiros locais. E por aí vai. Pena que, hoje em dia, eu só saia de casa pra atravessar o Estado a bordo de um Gol. Minha coleção estagnou legal...

EVERYBODY WANTS KUNG-FU FIGHTING

E eu, incrédulo, a me perguntar porque diabos estava aumentando tanto o número de alunos lá no templo nos últimos meses. Dia desses me veio a luz. "Claro, porra! Kill Bill! Esse Tarantino é um filho da puta mesmo!". Tomara que o próximo filme dele seja sobre jovens descolados que cometem suicídios em massa...


terça-feira, novembro 16, 2004


Taí a prova da grande trip. Maurício e eu na divisa entre PE e PI. Atrás das lentes está o grande Preá. Notem que uma moto vem vindo lá longe. Se Preá não fosse rápido no gatilho, acho que o negão estaria fazendo versões de clássicos da música pop diretamente para São Pedro...
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Pouco depois de voltar da minha mais recente aventura sertaneja, baixei pela casa de André Negão, levando a tiracolo o DVD que eu comprei (pasmem) em Salgueiro: um showzaço de Bob Marley no Santa Monica County Bowl, em 1979. Mas eis que o DVD de Negão deu um piti. Teve galho não: fomos de “Classic Albums”, aquela série que passa no Multishow, e o disco em questão foi nada menos que esse que você vê aí em cima.

Há tempos André tinha me dito que havia gravado a parada e marcava para a gente ver, mas sempre rolavam desencontros nas agendas de ambos. Dessa vez eu matei a curiosidade de ver como foi gravado esse que é um dos meu álbuns prediletos de todos os tempos.

O vídeo segue a mesma receita: mostra depoimentos de músicos e produtores, sempre intercalados de imagens da época em que foi gravado. O que mais me chamou atenção foi o foco nos Wailers como sendo apenas Bob, Peter Tosh e Bunny. Certo, eles fundaram a banda, mas os irmãos Aston “Family Man” e Carlie Barrett eram nada menos que a fundação musical sobre a qual surgia o som da banda. No vídeo eles são meio que relegados a um segundo plano, o que eu não achei legal.

Os fãs do Catch a Fire (existe alguém que, tendo ouvido esse disco, não tenha gostado?) vão se deleitar com versões “voz e violão” das imortais canções do álbum. Tem Bob Marley, num ensaio, levando “Stir It Up” como se fosse uma balada (ficou bom pra cacete), e uma impagável versão de Bunny, ao violão, para “Concrete Jungle”. E o sósia de Luís Melodia rouba a cena com os depoimentos mais pauleira e irônicos do documentário. Quando Bunny abre a boca, sobra para Chris Blackwell, Peter Tosh, a Babilônia, entre outros.

Outro depoimento engraçado é o de Martin alguma-coisa, o gringo que gravou o foderoso solo de guitarra de “Concrete Jungle”. Com indefectível jeitão redneck, o cara conta que não conseguia entrar no tempo da música, mas quando acertou o solo, Bob Marley veio a ele com um baseado do tamanho de um trem, tentando enfiar em sua boca e gritando: “É isso! É isso! Muito bem!”.
Caceta, como essa série Classic Albums é boa. Eu tenho a do “Transformer” e ainda não vi a do “Dark Side”, que a galera toda comenta. Para terminar, uma pergunta: que “Classic Álbum” você queria ver documentado?


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segunda-feira, novembro 15, 2004

SERTÃO SOUNDZ

E quem disse que o sertão de Pernambuco é feito só de forró e brega? Tá, essas pragas ainda dominam, mas há momentos musicais interessantes em meio à caatinga. Vejam os que presenciei:

1 - "My Sweet Lord" rolando num bar de Salgueiro
2 - "These Boots (were made for walking)" tocando a toda num caminhão parado num posto em Araripina
3 - "New Year´s Day" a todo volume, e cantada por um punhado de matutos num bode lá mesmo em Araripina

Diálogo travado entre eu, Preá (fotógrafo) e Maurício (motorista), na altura de Arcoverde. No som rolava "Girls Just Wanna Have Fun".

Preá - Que porra de mulher gasguita é essa?
Maurício - Cindy Lauper...
Preá - O quê?
Maurício - Cindy Lauper, porra! Sandra Lopes!
Felipe - AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

"Sandra Lopes" foi simplesmente genial! E o cara ainda conseguiu fazer uma hilariante versão de "Molina", do Creedence, cuja fita a gente ouviu quase até rasgar. Vejam a sagacidade do sujeito. "Moliiiiiiiina, where you´re going to?" virou "Oliiiiiiinda, David Copperfield!". Esse cara é meu novo ídolo...

quarta-feira, novembro 10, 2004

COUNTRYSIDE BOUND

Posts novos no GG só sexta-feira. Estou indo para Arararipina City, esse lindo pedaço de terra que faz divisa com o Piauí. Caralho...Piauí. É longe, fio...

terça-feira, novembro 09, 2004

LIVE AT BUDOKAN

Quando eu comecei a escutar som, minha grande viagem eram os discos ao vivo dos artistas que eu curtia. Acho que era para compensar aquela velha impossibilidade de ver, in loco, a performance das figuras em questão. Mas depois de macaco velho eu tomei um abuso feladamãe do tal do disco ao vivo. Isso por um motivo bem simples: não é toda banda/artista que se garante tocando para um platéia. Certos músicos soam muito direitinho dentro do estúdio, mas ao vivo ficam uma tranqueira sem tamanho. O Nirvana era aquele furacão em disco. Já ao vivo eu não achei grande coisa. O Pearl Jam soa correto em estúdio, mas ao vivo eles se transformam em quinze! O Barão Vermelho é uma merda de qualquer jeito, mas o disco ao vivo deles tem até um ou outro momento interessante, mais pelo aspecto "rock" da coisa que pelas músicas em si.

O The Who, por motivos que todos nós conhecemos, era a melhor banda ao vivo do planeta. Jimi Hendrix era um cara essencialmente "ao vivo", pois não gostava de repetir o que registrava em estúdio, e estava sempre mudando as músicas. O Dire Straits ao vivo é uma das coisas mais pavorosas do universo. À banda de quatro caras eram acrescidos, uma terceira guitarra, duas percussões, pedal steel, naipe de metais, Phil Collins, Eric Clapton, além do Bob Geldof fazendo a social. E o Mark Knopfler insistia em mudar as melodias originais das músicas (sou puto com quem faz isso).

Do Iron Maiden ao vivo ninguém pode reclamar, pois as músicas saem do mesmo jeito em que estão nos discos, até aquelas guitarrinhas em terça. Neil Young ao vivo é um negócio do outro mundo. Led Zeppelin também é foderoso, até os 15 primeiros minutos do solo de arco de violino do Jimmy Page, que eu acho um saco. Rush ao vivo é como colocar os discos para tocar (o que não é demérito à banda canadense). Megadeth ao vivo tem o Dave Mustaine babando. Teenage Fanclub ao vivo é o toque de Deus sobre as cabeças dos mortais.

Meus discos ao vivo preferidos:

The Who - Live at Leeds
Jimi Hendrix - Live at The Isle of Wight
Cheap Trick - Live at Budokan
Crosby, Stills, Nash & Young - 4-way Street
Bob Dylan - Hard Rain
Neil Young - Live Rust
Led Zeppelin - The Song Remains the Same
Peter Tosh - Live and Dangerous
DFC - Farofa Kind
Ramones - It´s Alive!
Stones - Get yer Ya Yas out

segunda-feira, novembro 08, 2004


Meet Tony Montana. O verdadeiro MESTRE DO UNIVERSO. Com ele, encerra-se a saga. Não haverá votação. Amém.
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Ontem à noite, por golpe do destino, passei em frente à tv no momento em que Boneca Camargo anunciava, como a maior novidade dos últimos anos, o novo clipe do U2. Obviamente, parei para ver, dada a eloqüência com que o vídeo foi apresentado, e cheguei à conclusão de que Bono e Cia estão a cada dia mais ridículos. A música em questão - chamada "Vertigo" - é um pé-no-saco, parece que os caras, com tantos anos de estrada e um reputação a zelar, resolveram virar o The Hives, The Vines, The Lives, The Wines, e todas essas bandinhas de "rock simples e esperto" que vicejam por aí. Um riffzinho muito do sem-vergonha, um climinha "descolado", um vídeo cheio de efeitos e...vá se foder. A única coisa boa é que tudo é muito bem gravado, como todas as coisas do U2. No mais, lixo.

Eu até gostei de "All that you can´t leave behind", trata-se de um bom disco pop, como os caras não faziam há uma data (tanto que metade das músicas encheram os colhões e ovários de quem escutava rádio). Mas Bono Vox tá velhinho demais pra brincar de roqueiro "muderno". E The Edge está careca de saber que isso não dá certo...
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sexta-feira, novembro 05, 2004


Minha mulher, definitivamente, sabe o que faz. Um dos presentes que recebi dela por ocasião do meu 29° aniversário foi a autobiografia de um dos maiores ídolos da minha infância, e cuja trajetória eu ainda acompanho com admiração: Diego Armando Maradona.

Yo soy El Diego de la gente é um relato em primeira pessoa, resultado de quase um ano de entrevistas concedidas por Don Diego aos jornalistas argentinos Daniel Arcucci e Ernesto Cherquis Bialo. Para ser sincero, eu ainda estou na página 22, e por isso não vou me meter a fazer uma resenha da obra.

A foto acima é uma demonstração clara do que representava Diego Maradona no auge de sua carreira. Veja o pânico estampado na cara de seis belgas - mais da metade do time ligada em um único jogador - enquanto Diego domina a bola com a canhota magistral. Lembro bem de que vi, ao vivo (pela tv, obviamente), AQUELE gol contra a Inglaterra. Dezoito anos se passaram e a cena ainda é nítida na minha mente: eu ligado na televisão e meu pai tirando um cochilo no tapete da sala. De repente Maradona domina a bola em seu próprio campo, dá um giro que entorta dois ingleses e segue em frente. Dribla um, dois, três, entra na área, passa por Peter Shilton e pimba! À medida que ele ia driblando, eu ia me levantando do sofá, quando ele já estava na boca da área, eu não resisti e comecei a cutucar o coroa, já que antevia o desfecho genial da jogada. “Acorda, pai! Acorda! Vê que gol do caralho!” Ele acordou, todo rabugento. “Ora porra, o que foi?”. E eu: “O gol! O gol! Vê que golaço!”. Aí a tv já mostrava o replay, e a cara do meu velho foi mudando, da rabugice para aquele espanto de quem se depara com uma obra-prima. Até hoje me lembro do: “Porra...golaço mesmo” que o velho proferiu, para depois se deitar e voltar à soneca.

Quem acompanha futebol sabe de todas as etapas da carreira de Maradona. O coice em Batista, que o expulsou das oitavas da Copa 82, a Copa do México, ganha por um homem só (adivinhem quem), o passe fatal para Caniggia sepultar nosso sonho em 1990, a cara de mau ao gritar para as câmeras da tv em 1994, a expulsão da mesma Copa, os problemas com drogas, a espingardinha de chumbo, Cuba, Fidel Castro, Pelé...

Maradona é um ídolo, mas transcende essa esfera angelical que se costuma conferir aos ídolos. Ele não é, nunca foi, e provavelmente, depois de velho, nunca será exemplo de conduta adequada para as criancinhas e jovens. Maradona é um ser humano, dotado de um talento extraordinário em sua profissão, mas que também deixa claro que é de carne e osso, tem defeitos e luta contra seus demônios numa agonia pública acompanhada por todo o mundo.

Li recentemente um artigo de um jornalista inglês, publicado no Mais!, da Folha, sobre a biografia de Don Diego. O camarada (esqueci o nome agora) diz que Maradona morre lentamente a cada dia, para que todos possam ver, e parece não estar nem um pouco incomodado com isso. A analogia que ele faz para esse processo público de autodestruição é engraçada: “Em todo gordo existe um magro tentando sair. No caso de Maradona, parece que existe um mais gordo ainda tentando entrar”.

Bom, estou vendo que esse texto não tem muito sentido e nem está bem amarrado. Mas não é todo dia que se consegue fazer as coisas a contento. Paciência.
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quinta-feira, novembro 04, 2004


Como eu tinha prometido, lá vai o Temple of the Dog...

Na foto acima estão, clockwise from the top, Matt Cameron, Stone Gossard, Mike McCready, Chris Cornell, Jeff Ament e Eddie Vedder (este no centro). Isso perfaz 80% do Pearl Jam e 50% do Soundgarden. À época (1991/92) eles montaram essa brincadeirinha e a chamaram Temple of the Dog. A intenção inicial era gravar duas músicas que Cornell havia composto em homenagem ao amigo Andrew Wood, vocalista dos lendários Green River e Mother Love Bone, ambos precursores da cena grunge de Seattle, e que pereceu fulminado por uma overdose de heroína em 1990.

Mas o projeto tomou vulto e acabou virando o disco homônimo, que saiu praticamente na mesma época em que os clássicos das duas bandas: Ten, do PJ, e Badmotorfinger, do Soundgarden. Transformou-se num projeto de luxo dos caras, e fez um grande sucesso naqueles tempos. Começava com “Say Hello 2 Heaven”, uma das músicas compostas para Andy Wood, e provavelmente o réquiem mais bonito já feito. Depois tinha “Reach Down”, a outra canção feita para o cara, uma viagem de quase 12 minutos, mas que vale pelos solos do Mike McCready. A terceira música foi o grande hit: “Hunger Strike”, além de ser uma puta canção, trazia, para delírio das menininhas, os dois maiores galãs do grunge terçando vozes. É bom esclarecer que Eddie Vedder, apesar de estar na foto acima, não era um membro permanente do TOTD - ele apenas canta em “Hunger Strike”. O resto do disco mostra que Cornell estava mesmo à frente da criação, pois tudo soa como um LP do Soundgarden, pesado e arrastadão, mas sem outras canções tão marcante quanto as três primeira (“Wooden Jesus” talvez seja a melhorzinha...).

Pois é. Depois disso os caras ficaram milionários e o Temple of The Dog nunca mais deu as caras. Já faz um bom tempo que o Soundgarden acabou, e Matt Cameron pulou para o Pearl Jam, onde está até hoje. Já Chris Cornell, vocês bem sabem, grava “Ave Maria” e empresta o privilegiado gogó para os caras do Rage Against the Machine, na baboseira conhecida como Audioslave. Soundgarden de volta, por favor!!!!

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quarta-feira, novembro 03, 2004

AINDA AS ELEIÇÕES DOS EEUU

Alguém aí viu a grande cobertura que o Jornal Nacional fez ontem? Impecável de cabo a rabo, da estrutura física montada pela emissora até o conteúdo das matérias. Foda foi ter que me dividir entre o JN e o TV Fama, que prometia detalhes exclusivos do casamento de Luciano Huck e Angélica. Assuntos de importância mundial.

DEMOCRACIA?

Tentar entender as eleições dos Estados Unidos é se deparar com os grandes enigmas da humanidade, como a final da Copa de 98, e a pérola Gadelhista "porque ´tudo junto´ é separado e ´separado´ é tudo junto?". Juro que eu já li e reli uma cacetada de coisas a respeito e continuo sabendo do pleito ianque tanto quanto sei de Mecatrônica. Até os tradicionais guias da Folha de S. Paulo, sempre tão didáticos, não conseguiram me colocar a par do sistema. Sinal de que o negócio é complicado mesmo.

Mas esqueçamos esse troço de Colégio Eleitoral, a votação proporcional por Estados e outros melindres. O que me assusta é o processo eleitoral em si, cheio de brechas para todo o tipo de maracutaia. Caceta, a maior potência econômico-militar-tecnológica do planeta ainda vota em cédulas de papel, em dias diferentes, e permite que correligionários dos candidatos circulem livremente pelas seções de votação, com o claro objetivo de intimidar os eleitores. Ainda tem a tal da Suprema Corte que, segundo consta, pode mandar tudo para a puta que o pariu e eleger o presidente que lhe convier, tal como fizeram no imbróglio da Flórida, dando a Bush o mandato a que ele não teria direito.

Conversávamos sobre isso, eu e minha mulher, quando ela se saiu com uma ótima explicação para o fato de "republiquetas de bananas" - como eles se referem a países do Terceiro Mundo - como o Brasil terem pleitos rápidos, eficientes e informatizados, enquanto potências como eles ainda votam de uma forma amalucada. Segundo ela, o conceito moderno de democracia nasceu nos Estados Unidos. Trata-se de um país que nunca conviveu com ditaduras ou regimes totalitários. Ou seja, o civismo e a democracia são tão intrínsecos à vida dos americanos que eles não se dão ao trabalho de fiscalizar os pleitos. É algo do tipo "somos, por natureza, a terra da liberdade e da democracia, então não há porque temer roubalheiras nas eleições". Faz um enorme sentido, se analisarmos que os mecanismos de controle dos sufrágios ianques são medíocres. Já a tendência a se fazer maracutaia, por sua vez, não é exclusiva das "repúblicas de bananas". Aqui, escolados por tanta sacanagem, pelo menos já temos um sistema eleitoral eficiente. Se continua o clientelismo, a troca de votos por dentaduras, os currais eleitorais, isso é outra história, que deve ser combatida aos poucos. Mas eu juro que, a partir de agora, toda vez que for votar na maquininha e conhecer o resultado no mesmo dia, vou lembrar das filas americanas, e das eternas lambanças na apuração. Bananas pra eles!

sexta-feira, outubro 29, 2004

89 FM: A RÁDIO RRRRROCK!!!!

A quebra do cd player lá de casa tem me proporcionado momentos interessantes junto aos meus discos de vinil e, principalmente, às minhas velhas fitas cassete de guerra. E foi numa delas que eu achei gravações feitas diretamente da saudosa 89 FM, a Rádio Rock. Em 1992/93, a famosa 89 FM de São Paulo – que toca 24 horas diárias de rock e derivados – resolveu abrir filial aqui no Recife, talvez impulsionada pelo então nascente Manguebeat, ou até mesmo por uma prospecção de mercado.

Naqueles tempos de grana curta para comprar discos e onde ninguém sequer sabia que a internet iria virar tudo de ponta-cabeça, ouvir a Rádio Rock era saborear o manjar dos deuses. Mal havia comerciais (e isso obviamente decretou o luto da 89 FM na capital pernambucana), e o som que rolava era de primeiríssima. Vivíamos o auge do grunge e o surgimento “comercial” do tal rock alternativo, e tudo que você pudesse imaginar dessa laia rolava o dia inteiro no dial da Rádio Rock. Imagine você, em pleno ano de 1993, poder ligar o aparelho e ouvir Pearl Jam, Soundgarden, Screaming Trees (“Nearly Lost You” era bóia, rolava a toda hora), TAD, Mudhoney, Nirvana, R.E.M., Dinosaur Jr (gravei “Keep the Glove” ao vivo, sensacional), My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Pixies, Sonic Youth (da época “pop” do Dirty), entre outros.

Como frisei acima, a falta de anunciantes abreviou a brava empreitada da 89 FM em plagas pernambucanas. Mas valeram as tardes que passei grudado ao rádio, com a fita pronta para gravar QUALQUER COISA que rolasse, pois seria de qualidade.

Obs: Esse post foi, inicialmente, para falar do Temple of the Dog, cujas músicas achei na tal fita, mas acabou derivando para a Rádio Rock em si. Prometo escrever sobre eles logo na seqüência.

VALEU!

Aos amigos que foram à fuleiragem de ontem, meu muito obrigado. Aos que não foram, não se preocupem. Começa, a partir de hoje, a contagem regressiva para a festa que vai acabar com a Região Metropolitana: os meus 30 anos. Programem-se desde já.

quinta-feira, outubro 28, 2004

É HOJE

O editor-in-chief deste renomado espaço completa hoje 29 anos de praia. Aos amigos fica o aviso: uma grade já paga e outra em vias de estar (ainda estou fechando a linha de crédito que vai garanti-la). Local: bar Biographia, em Olinda. Não tem erro: vindo pela beira-mar, passa o Fortim do Queijo e o bar fica na curva que se segue, do lado esquerdo. Estarei lá às 19h. E quem quiser beber das grades pagas, que chegue cedo!

Felipe Vieira
Editor-in-chief

terça-feira, outubro 26, 2004

MAIS UM

John Peel morreu. E com ele a minha esperança de gravar um "Badminton: the Peel Sessions". Paciência, acontece.

De tanto falar n´O Mestre e em Lou Barlow, de repente bateu a secura de escutar Sebadoh (foto acima). E sinceramente, isso é algo que as pessoas deveriam fazer mundo afora. Com certeza esqueceriam problemas, dívidas, crises existenciais, etc. Ao contrário do Dinosaur Jr - sempre grandiloqüente e bem tocado - o Sebadoh é o que pode ser chamar de "Putaqueopariu Music", com suas canções de três acordes (vá lá, algumas têm quatro) e muitas viagens. Não se supreenda ao encontrar alguns instrumentos levemente desafinados ou viradas de bateria que não voltam no tempo certo da música, isso é absolutamente normal para Barlow (o de cabelo grande e óculos na foto acima) e Cia. O cara é, inclusive, um compositor tão bom quanto o ex-desafeto, só que trilha outra praia. As cançoes d´O Mestre são sempre sobre amores impossíveis e desilusões afetivas. Já as de Barlow têm o humor ácido das pessoas obscuras, nerd e sarcásticas, os famosos "losers". O cara tem um site próprio bem interessante (www.loobiecore.com), além do site oficial da banda (www.sebadoh.com). E dessa vez eu não vou pedir para você comprar a coleção inteira deles. Afinal de contas, você já deveria estar se mexendo para fazê-lo.
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segunda-feira, outubro 25, 2004

BOA SACADA

O GG não é bem um espaço para embates futebolísticos, e eu também não quero tripudiar publicamente do sofrimento dos amigos alvi-rubros (só dos amigos, os outros alvi-rubros que se lasquem pra lá). Mas essa da Sportnet foi simplesmente genial. Criatividade à toda prova. Copiem o link, aumentem o som do PC e se preparem para rir muito...

www.sportnet.com.br/natacao.html

sexta-feira, outubro 22, 2004

ALEGRIAS E TRISTEZAS MUSICAIS

Legal acompanhar os sites dos amigos, pois sempre surgem idéias bacanas para o seu. Acabei de vir do sítio de Wilfred Gadelha Júnior, onde li um post sobre sua provável descida ao sul para ver o show do Anthrax. Deixei comentário lá para estimulá-lo, e o lembrei que eu fui covarde (essa é a palavra) por não ter ido ver Neil Young no Rock In Rio. Tudo bem que eu estava durango, mas sei lá, hoje eu vejo que eu deveria ter feito vaquinha com os amigos, pedido grana no sinal da Agamenon com uma faixa ("Ajude um pobre fã a ver o show de seu ídolo"), vendido minha coleção da revista Placar, entre outras coisas. Mas não fui. Vi ao vivo pela TV e me senti o último dos fãs. Por alguns breves instantes eu olhava para a cara do Véio e via um certo ar de birra. "Claro, é porque eu não fui! Ele tá puto comigo! Que fã de merda eu sou!". Fiquei mal. Até hoje é difícil ver a fita que eu gravei daquele show. Amigos que estiveram lá recitaram, numa torturante cantilena, o famoso "só me lembrei de tu, bicho!". Mas eu fiquei feliz por eles. De verdade.

Mas nem tudo é miséria na minha vida de fã. Até hoje sinto um negócio bom ao lembrar que vi, em minha própria cidade, duas bandas que marcaram de forma indelével minha vida: Mudhoney e Teenage Fanclub. Os primeiros, num Rec-Beat da vida, em plena Rua da Moeda lotada de "manos". Eu achava que tudo era mentira, que Guti tinha soltado uma perua e que na hora a gente ia ter que engolir o Cordel do Fogo Encantado. Fui lá conferir e, de repente, vejo o Mark Arm e o Steve Turner em cima do palco, ajeitando os instrumentos. "Puta que o pariu, é verdade! Os caras vão tocar!". Virei adolescente de novo. Poguei quando rolou "Blinding Sun" e "Suck You Dry", bati em alguns manos e levei porrada de tantos outros. Mas o momento mais lindo do show foi "Good Enough". Só que foi adolescente na nossa gangue sabe o quanto essa canção significa. E eu tive vontade de chorar. Mas se eu chorasse ia perder parte do show, e isso não estava nos planos. Segurei firme e "terminei" o show. Incrível a sensação de alma lavada que sucede uma experiência dessas.

Depois veio o golpe de misericórdia: Teenage Fanclub, agora mesmo, em maio desse ano. A banda que eu conheci em 1991 e que embalou o meu vestibular, com a fita que eu mandei gravar na finada e saudosa Discossauro ("Bandwagonesque", claro). Nesse caso foi diferente. Eu sabia que eles viriam. Cheguei ao Teatro da UFPE, conversei uma hora de potoca com Fabão, mais um tanto com a galera da Parafusa, e entrei na área dos camarins. Tinha ido pegar uma cerva no camarim coletivo "Profiterolis/Parafusa/Pelvs" e voltava para o palco quando aconteceu. Vi de longe um galego andando meio desengonçado em minha direção. Gelei, feito um fã atabacado. Era Norman Blake. O cara que começa o Bandwagonesque cantando "She wears Denin wherever she goes...". Minha primeira reação foi baixar a cabeça. Não consegui encarar. Com o canto dos olhos, vi que ele tentava falar qualquer coisa comigo. Aí tomei fôlego e olhei. Ele deu um "alô" e entrou no camarim. Logo depois, ainda antes do show, Zé me levou pra presentear o Raymond McGuinley com uma cópia do "Petroliana". Troquei algumas frases com ele (simpático, o maluco) e resolvi lavrar, afinal de contas o cara estava no camarim, se preparando para o show. Fui um fã consciente e não aluguei.

Aí veio. Eles subiram ao palco e eu já estava lá na galera, numa posição estratégica: nem no gargarejo e nem longe demais. Do meu lado esquerdo estava Haymone. Do direito, os irmãos Marcos "Puto Safado" e Henrique Müller, mais Joanna Paula. Cito estes pois foram os que estava mais perto. Sei que um porrilhão de gente legal estava lá naquele teatro para acompanhar a História sendo feita. E ela começou com "About You", derrubando tudo com o "Aaaaaaaahhhhhhhhhhh....". Depois da pedrada de abertura, lembro bem de Blake chegar ao microfone e dizer, com o sensacional sotaque escocês: "This one is called ´Start Again´". Puta merda. Foi incrível ver como, ao vivo, os caras não desafinam nem um mísero semitom, parece a porra do disco rolando. Ah, depois vieram "Ain´t That Enough", "Verisimilitude", "What You Do To Me", "Mellow Doubt", "The Concept" (ficou rápida pra cacete) e tantas outras canções que nos fizeram e fazem sentir tão bem. Para fechar a tampa do caixão, "Star Sign" (ficou lenta pra cacete), "Sparky´s Dream" e "Everything Flows". Pronto. Era mais um sonho realizado, e de forma sublime. Desculpem-me pela veadagem do período que se segue, mas a verdade é que naquele dia eu fui dormir mais leve, podem acreditar.

Por isso, Billfred Jr, vá para essa porra desse show do Anthrax, nem que seja a nado.



De que será que o Nizan está rindo?
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quarta-feira, outubro 20, 2004

OS MAIORES EGO-CLASH DA HISTÓRIA DO ROCK

Pensei em fazer na forma de série, mas vai tudo de uma vez mesmo, até o talo. Vai demorar um pouquinho pra ler, mas acho que vale a pena. E qualquer outro embate de egos que eu por ventura tenha olvidado, favor relatar nos comments. Ah, Cazuza x Frejat não vale...


1. JOHN LENNON X PAUL MCCARTNEY – Esse é também o mais manjado. Depois de uma parceria que, dizem, só rolou mesmo nos primeiros discos dos Beatles, Macca e Winston começaram a compor isoladamente, e a competir de forma velada por espaço dentro da banda. Mas a relação de profundo respeito entre ambos permitiu que não rolassem tantas podreiras. A grande treta no final da banda era entre McCartney e George Harrison.

2. CROSBY X STILLS X NASH X YOUNG – Pense num problema. Juntar quatro sujeitos com claras inclinações egocêntricas só poderia ter dois resultados: um sucesso sem precendentes ou uma inominável cagada. Por algum tempo, a primeira alternativa se mostrou viável, e o CSNY virou o primeiro supergrupo da História a lotar arenas. Mas aí, os anos 70 batendo à porta, a doideira se instalando, drogas, drogas e mais drogas, e tudo foi à puta que o pariu. Primeiro foi Neil Young – o mais complicado – a mandar todos à merda. Depois Stills, o pretenso adversário de Neil na banda. Crosby e Nash, mais moderados, fizeram vários shows como dupla. A banda teve várias idas e vindas depois disso, mas é aconselhável não deixá-los juntos no mesmo ambiente por muito tempo.

3. BOB MARLEY X PETER TOSH – Mr Nesta era o superstar, tinha o carisma e o dom para compor algumas das mais belas canções da História da Música. Mas Peter Tosh era muito talentoso, e não se contentou em viver à sombra de Bob, como guitarrista dos Wailers. Depois de gravar Catch a Fire (ou o Burning, agora eu esqueci), chutou o balde e foi seguir carreira solo. Causou polêmica ao afirmar que Bob Marley só era superstar por ser filho de um branco, e vivia insinuando que o ex-colega era um falso negro. Bob nunca deu muita bola (não nesse sentido...), afinal de contas via despeito nessas declarações. Marley sucumbiu ao câncer, e Tosh levou um balaço no portão de casa. Devem ter se entendido, fumando unzinho, lá em cima...

4. DAVID LEE ROTH X EDDIE VAN HALEN – De um lado uma bicha acrobata e egomaníaca. Do outro o mais badalado guitarrista dos anos 80. Um achava uma merda ter o outro na banda, pois haveria uma previsível divisão de holofotes. Aí David deu lavrando. Por ele, ao invés de Van Halen, a banda se chamaria David Lee Roth and His Dutch Brothers And Drunk Bass Player.

5. IAN GILLAN X RITCHIE BLACKMORE
DAVID COVERDALE X RITCHIE BLACKMORE
O MUNDO X RITCHIE BLACKMORE
O guitarrista do Deep Purple pode ser considerado o ego mais filho da puta e complicado da História do Rock. Para ele, os vocalistas da banda deveriam cantar bem, mas qualquer pingo de carisma era visto com maus olhos. Chutou Gillan e Coverdale, dois bons gogós de metal. Abusou da regra três e foi chutado posteriormente. Hoje o resto dos caras usa o nome Deep Purple e ele deve ser muito puto com isso. E cá entre nós: um sujeito que monta uma banda chamada Rainbow tem mais é que se foder mesmo...

6. BLACK FRANCIS X KIM DEAL – Aí eu já acho que rola uma trepada mal resolvida (ou nunca dada). O gordinho sempre manteve a baixista a rédeas curtas dentro da banda, impedindo que ela emplacasse suas músicas. Num momento de piedade extrema, resolveu deixar que “Gigantic” fosse gravada sob a grife Pixies. Depois ela saiu botando pra lascar no careca, e também compôs uma música malcriada para ele: “I Just Wanna Get Along”. Agora a pergunta que não quer calar: será que com essa volta dos Pixies eles não “resolveram” a parada?

7. O MESTRE X LOU BARLOW – Que O Mestre era o dono do Dinosaur Jr, isso não se discute. Mas o fato é que o Lou Barlow nunca teve culhão para chegar e dizer que não queria mais, que gostaria de fazer um som próprio e tal. A tensão entre os dois foi se arrastando ao ponto de, durante a turnê do Bug, em 1988, os dois nem se falarem mais. O Mestre então demitiu Barlow, que demonstrou ser um excelente compositor à frente do Sebadoh. O detalhe é que Lou, muito puto com O Mestre, compôs “The Freed Pig”, onde descasca o ex-companheiro. Detalhe: O Mestre produziu uma versão que o Breeders fez para essa música. De falta de espírito esportivo ninguém vai poder acusá-lo. Li entrevista recente de Lou onde ele fala que já voltou às boas com O Mestre, e hoje já estão até fazendo turnê juntos, o The Fog e o Sebadoh.

8. JEFF TWEEDY X JAY FARRAR – Não ia dar certo por muito tempo. Dois grandes compositores-centralizadores juntos só podia dar em merda. Depois de quatro grandes discos à frente do Uncle Tupelo, Tweedy e Farrar – amigos de infância na pequena Belleville, Illinos – mandaram um ao outro tomarem no cu. Cada um catou um caquinho da banda e seguiu em frente. Jeff ficou com John Stirratt (baixo) e Ken Coomer (bateria) e fundou um tal de Wilco. Jay arregimentou Mike Heidorn (primeiro batera do UT e também amigo de infância deles) e os irmãos Jim e Dave Boquist, para formar o Son Volt. Hoje parece que eles são amigos de novo. Também, com dinheiro no bolso se esquecem as desavenças.


E o reverso da moeda:

TEENAGE FANCLUB – Exemplo de como ter três compositores de primeira classe e nunca ter rolado treta. Simples assim.

Em visita à humilde residência deste que vos tecla, Marcelo Gomão, acompanhado de seu laptop mágico, mostrou algumas pérolas de todas as fases do Dinosaur Jr. A fonte foi um site que descobri por acaso, o www.freesofree.net , que deixa disponível para download shows inteiros em áudio e vídeo, além dos clipes da banda e da carreira solo d´O Mestre (foto acima).

Duas coisas me chamaram atenção. Uma foi um showzaço que os caras fizeram no campus da Umass, em Amherst, isso em 1993 (auge “comercial” dos caras). Eu queria muito ter estado lá. Um sol de rachar (acho foderoso shows de rock em plena luz do dia), um som de foder, e o campus apinhado de gente. É mais ou menos como se você fosse ver seu time jogar em casa, num estádio lotado, e com a certeza de que vai ver um espetáculo.

E jogando em casa (Amherst é a cidade natal deles), o Dinosaur Jr goleou. Pedrada após pedrada - “Little Fury Things”, “Freakscene” - o público abria rodas de pogo e fazia crowd surfing sem parar. A banda estava afiadíssima. O Mestre despejava o habitual paredão de distorção, enquanto o canastrão Mike Johnson segurava bem a onda no baixo também distorcido. Me surpreendeu a performance de Murph. Não sabia que o cara batia tanto ao vivo.

A segunda coisa mais legal foi o clipe de “Going Home”, clássico do “Where You Been”. Falando sério, é o negócio mais surreal que eu já vi na vida. O vídeo se passa no Velho Oeste, e nele O Mestre é um cowboy que anda com uma flecha estocada no peito. Tem uma cena em que é preciso se segurar para não desabar da cadeira de tanto rir. O cara está sentado numa barbearia, com a cara cheia de loção de barbear, e aí entra uma vaca no local. Depois ele sai andando pela rua, ainda com a loção de barbear e a flecha no peito. É engraçado demais. No final tiram a flecha e ele começa a morrer, enquanto duas garotas tiram a roupa dele. Surreal.

Precisamos recrutar os fãs do Dino e d´O Mestre para uma sessão especial no laptop de Gomão.

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terça-feira, outubro 19, 2004

CONTO

Tive a idéia desse conto no sábado, mas só ontem deu pra escrever. Espero que curtam.


O ELEITO

A primeira eleição que ganhou foi, por assim dizer, oficiosa. A família lotou a maternidade e o elegeu, por unanimidade, o bebê mais belo do local. Para esse sufrágio foram convocados até os parentes que moravam em Catolé do Rocha, e que não tinham contato com a família havia mais de vinte anos. Mas valia tudo num pleito.

Alguns anos mais à frente, venceu a eleição para representante de turma. Sua gestão foi marcada por projetos importantes como a instituição do cachorro-quente gratuito para os alunos e do aumento do recreio para duas horas. Pena que o colégio, num rasgo antidemocrático, rejeitou propostas tão valorosas.

Foi presidente do Grêmio da mesma escola, tendo vencido com uma diferença de um voto com relação ao adversário. Depois soube-se que a mãe do vencedor foi vista no dia da votação, xeretando as urnas. Já na universidade, presidiu o D.A., de onde pinotou para o DCE. Enrolou-se com a emissão das carteiras de estudante, promoveu duas calouradas fracassadas e, mesmo assim, acabou reeleito.

Já formado, precisava de outros campos. Candidatou-se à presidência do sindicato da sua categoria, e enfrentava dificuldades para vencer o candidato mais moderado. Foi eleito após declarar que em sua gestão haveria greves, greves e mais greves.

As coisas começaram a mudar quando tentou uma vaga à Câmara de Vereadores. Ficou a três votos da última vaga, e reza a lenda que foi tomar satisfações com cada um de seus 2.176 eleitores. Queria saber quem tinha faltado com empenho para conseguir os três sufrágios que o levariam ao Executivo Municipal. Acabou descobrindo os traidores: a mãe, que estava chateada com ele por conta de uma discussão, a ex-mulher, por motivos óbvios, e o melhor amigo, a quem ele devia dinheiro.

Abalado, resolveu se candidatar à presidência do clube de campo que freqüentava com a família. Nova derrota, e dessa vez por um motivo, digamos, mais palpável: os sócios do clube lembraram que ele, certa feita, fora flagrado aliviando a bexiga em plena piscina.
Pensou em retomar a carreira quando se elegeu síndico do prédio. Prometeu dedetizações regulares, proibição de poodles e enquadramento mais severo nos moleques que jogavam futebol no hall de entrada. Não cumpriu nenhuma dessas, e por conseqüência não renovou o mandato.

Mas ainda houve tempo para obter mais uma vitória antes de passar para o andar de cima. Foi eleito o mais simpático numa excursão de um grupo da Terceira Idade para a Serra Gaúcha. A faixa foi colocada em cima de seu caixão, para que todos lembrassem da inequívoca liderança. Uma vitória. A última vitória. Descansaria em paz.

segunda-feira, outubro 18, 2004

O QUE UM FINAL DE SEMANA NOS ENSINA

Sexta - Os artistas de música eletrônica deveriam "tocar", assim como o Diversitronica faz. Esse é o diferencial dos caras. E o Vamoz tocando Cinnamon Girl foi a maior cachorrada dos últimos tempos.

Sábado - O disco de Erasto Vasconcelos é uma doideira só. Também, pense numa lapa...

Domingo - Juliana tá podendo. Nem Paulo André conseguiu reunir, num mesmo evento, Bonsucesso, A Roda, Badminton, Parafusa, Superoutro, Mellotrons, Vamoz, Diversitronica, A Farsa, artistas-solo como Mad Chaves, e tantas outras pessoas bacanas. E olhe que eu tive de ir embora cedo. Acho que Nação Zumbi, mundo livre, Supergrass e Brain Wilson devem ter passado por lá mais tarde para tirar um som com a galera...

sexta-feira, outubro 15, 2004


Trilha sonora da noite de ontem. Em alto e bom som, para emputecer qualquer vizinho. O punk rock americano pode não ter a ironia dos ingleses, mas sabe ser muito mais divertido e desencanado. O Circle Jerks é a maior prova disso. Fora esse clássico aí de cima, que eu conheci em 1990 e hoje graças a Deus já tenho em vinil, não conheço tanto assim da obra dos caras. Mas essa bolacha recompensa cada centavo do seu suado dinheirinho. Destaque para "Beat Me Senseless", "Patty is Killing Mel", "Tell Me Why" e o cover de "Fortunate Son", do Creedence, na velocidade da luz (se comparado à versão original, claro). Circle Jerks é som para mandar tudo para a puta que o pariu.
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quinta-feira, outubro 14, 2004

PENSA QUE ACABOU?

Gostei do post e da repercussão dele. Vamos grear. Dá pra fazer um "Beatles Sing For Women".

1 - Ana
2 - Michelle
3 - Eleanor Rigby
4 - Martha my dear
5 - Julia
6 - Lady Madonna
7 - Dear Prudence
8 - Lovely Rita
9 - Maggie Mae
10 - Polythene Pam
11 - Sexy Sadie

WOMEN IN MUSIC

As músicas mais legais com nome de mulher, seguidas dos intérpretes:

Jolene - Dolly Parton, June Carter, Son Volt e tantos outros
Carol - Chuck Berry
Angie - Stones
Juanita - Gram Parsons & Flying Burrito Brothers
Layla - Derek & The Dominos
Sara - Bob Dylan
Julia - Beatles
Cody,Cody - Gram Parsons & Flying Burrito Brothers
Katie - Sugarplastic
Velouria - Pixies
Allison - Pixies

As piores

Lea - Toto. A pior de todos os tempos.
Sara - Não sei quem canta. Sei que é ruim pra caralho
Allison - Jordy
Suzanna - Acho que é o Toto também
Macarena - Não sei quem canta. E nem faço questão de saber

quarta-feira, outubro 13, 2004

O MELHOR MADE IN BRASIL

Há quem diga que o melhor disco já gravado em solo nacional é o Cabeça Dinossauro. Outros defendem Da Lama ao Caos. Uns tantos têm a pachorra de incluir o segundo álbum do Legião Urbana no panteão. Esses três discos foram, em suas respectivas épocas, altamente influentes, geraram um porrilhão de imitadores e tal. Mas para mim, o melhor disco de música pop já produzido no Brasil é uma obscura pérola do grupo gaúcho Defalla. "Kingzobullshitbackinfulleffect" (é assim mesmo que se escreve, não se assuste), de 1992, é a mais genial e amalucada obra dos não menos malucos Edu K (voz/guitarra), Flávio "Flu" Santos (baixo), Marcelo Fornazzier (guitarra) e Castor Daudt (bateria). Apesar de ser uma colcha de retalhos das mais diversas putarias sonoras, o discão tem um conceito que guia todas as músicas: a fusão de ritmos mais dançantes como rap/ragga/samba com o metal. Quer mais subversão? Pois todas as letras (exceto "Caminha que aqui é de Osasco") são em inglês, língua que Edu K domina com maestria. A "temática lírica" gira em torno de putaria (de verdade). Kingzobullshit fala de sexo de cabo a rabo (ops!), e ganha um doce quem conseguir contar quantas vezes a palavra "fuck" é repetida ao longo do play. O disco abre com a faixa título, uma gréia em cima da base de "Happy Birthday" (Jimi Hendrix), que o Beastie Boys tinha, um ano antes, transformado em "Jimmy James". Tem também a melhor versão de "Satisfaction" já gravada (a de Sly/Robbie é a segunda). Segue-se um festival de samplers (Sepultura, The Doors) e as melhores baterias eletrônicas já programadas por aqui, além dos riffs demolidores de Fornazzier. Na versão em cd você pode encontrar sacanagens como "Culo Fuck in Full Effect" tocada sobre a base de "Óculos", do Paralamas. E para quem quer respirar um pouco, tem a belíssima versão de "It´s Fucking Boring to Death", uma música antiga do próprio Defalla, que eles regravaram apenas com voz e violão. Em uma das músicas, Edu K diz o seguinte: "Buy this Motherfucker and shut the fuck up". Se eu fosse você faria o mesmo.

sexta-feira, outubro 08, 2004



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Você que é fã do U2 vai achar algo familiar na foto acima. Esse é o Joshua Tree National Park, e aquela pedra com uma cruz pintada marca o exato ponto em que o corpo de Gram Parsons foi queimado. A história é barra-pesada (já falei muito de GP aqui, mas não sei se contei essa) e, segundo críticos, é muitas vezes o ponto de partida para que os menos iniciados se interessem pela obra do cara. O fato é que Parsons vivia dando rolé pela região do deserto de Joshua Tree, na Califórnia, tomando todas as substâncias possíveis e imagináveis, e acreditando que veria naves espaciais à noite. Num dado final de semana de setembro de 1973, estavam ele, outro maluco e duas amigas, todos hospedados no Joshua Tree Inn, quando de repente, eis que acaba o fumo da galera. Esse amigo, chamado Michael Martin, voltou para Los Angeles, a fim de descolar "suprimentos", e deixou Gram com as duas amigas, chamadas Dale McElroy (namorada de Martin), e Margaret Fisher (amiga de escola de GP). Na hora do almoço, Gram foi com as duas até o aeroporto para rangar, e lá mesmo começou a entornar Jack Daniels. Até a volta ao Joshua Tree Inn, o doidão já tinha desenrolado heroína e morfina. E de noite veio a overdose. De primeira, as duas mulheres conseguiram ressucitá-lo enfiando uma pedra de gelo "imaginem onde". Depois, achando que ele estava na boa e só dormindo, relaxaram. Mas eis que Fisher sai e McElroy fica sozinha com GP, e nota que a respiração dele está diferente. Acreditando que não tinha mais ninguém no hotel (e tinha), ela não chamou socorro, e tentou reaminar o cara com respiração boca-a-boca. Quando Margaret voltou, resolveu então chamar a ambulância. Não deu. No hospital, Gram Parsons foi declarado morto. A família quis enterrá-lo na Louisiana, e os amigos doidões sabiam que ele não concordariam com enterros caretas. Michael Martin e Phil Kaufamn, brothers de GP, decidiram roubar o corpo dele. O objetivo era cumprir uma promessa mútua que Parsons e Kaufman haviam feito durante o funeral de um amigo deles: se um deles morresse, o outro pegaria o corpo, levaria para o deserto e queimaria. Totalmente chapados, Martin e Kaufman foram até o aeroporto de Los Angeles, de onde o corpo sairia para a Louisiana, para tentar roubá-lo. Arrumaram um rabecão, vestiram-se de agentes funerários e, doidaralhaços, conseguiram enrolar os funcionários. Já era noite quando eles chegaram ao deserto, justamente no ponto que você vê na foto acima, e tacaram fogo no caixão. A polícia, que já tinha sido avisada do roubo, chegou ainda em tempo de "salvar" algo do corpo de GP, e esses restos foram mandados à família. Martin e Kaufman foram presos, acreditem, pelo roubo do caixão! É que a lei da Califórnia considerava cadáveres objetos sem propriedade e valor. Um final triste para uma carreira tão curta e genial. Se você não sabe, Gram Parsons tinha apenas 26 anos quando passou dessa para melhor. E pensar que tem gente que, com 50 e tantos, nunca conseguiu compor uma música decente...

quarta-feira, outubro 06, 2004

GTA e VMB

Grand Theft Auto é um jogo muito legal, e a trilha sonora é de foder. Basta roubar um veículo que você ouve, automaticamente, o que rola no som. Tem "Billie Jean", "She Sells Sanctuary" (The Cult), "Wanna Be Startin´Something", "Owner of The Lonely Hearts" e até mesmo "Raining Blood". E todas são as versões originais.

Vi um pedaço do VMB ontem e fiquei estarrecido. Imitar o já pouco-engraçado humor das cerimônias do Oscar não foi nada legal. E Selton Mello dando uma de Billy Crystal foi uma das coisas mais ridículas que eu já vi. Lixo.

sexta-feira, outubro 01, 2004


MEDIADOR: Mr Kerry, o senhor tem trinta segundos para perguntar ao candidato George W. Bush...

KERRY: Candidato, onde está Saddam que ninguém vê aquele murrinha?

BUSH: Well, candidato Kenny, Saddam estava enchendo muito o saco, e como ele gosta de um buraco, mandei ele para Olinda, pois lá é o que não falta.

MEDIADOR: Agora é sua vez, candidato Bush...

BUSH: Yeah! Damn right! Candidato Kelly, você sabe qual é a distância de Exu p´aqui? Ahahahahahahahahahaha....(v ira-se para os assessores) I got´im!!!!

KERRY: Pois eu tenho a resposta, candidato: é a mesma de Passo Fundo para cá...

MEDIADOR: Por favor, candidatos, estamos discutindo as propostas para o País. Comportem-se. Agora é o senhor, candidto Kerry...

KERRY: Candidato, o senhor achou as armas de destruição em massa?

BUSH: Of course, candidato Kevin! Estavam todas no Brasil e a gente procurando por elas no Iraque! Têm alto poder letal e chamam-se “Faustão”, “Gugu”, “Datena” e “Ratinho”.

MEDIADOR: Agora vamos a um intervalo, e é permitido aos assessores fornecer dados aos candidatos.

VOLTA DO COMERCIAL

MEDIADOR: Voltamos com o Debate Eleitoral. Candidato Bush, agora o senhor pergunta ao candidato Kerry...

BUSH: Yeah right! (vira-se para o assessor que enxuga o seu rosto) Já chega, Blair! Pode ir sentar no seu lugarzinho, vai! Que saco! Bom, candidato Kleber, o que o senhor acha dessa onda cabalística da Madonna?

KERRY: Peraí, o que isso tem a ver com política?

BUSH: E o que eu tenho a ver com política? Aahahahahahahahahaha! (vira-se para os assessores) I got´im!!!!!

MEDIADOR: Candidato Bush, o senhor está passando dos limites. Comporte-se.

BUSH: Comporte-se você, seu jornalista-judeu-gay-comedor-de-sushi, ou eu mando meus marines te pegarem!

MEDIADOR: Agora o candidato Kerry pergunta. Não, senhor Blair! Não pode levar água para o candidato Bush agora. Sente-se, por favor!

KERRY: Candidato Bush, quais os reais motivos da invasão ao Iraque?

BUSH: Well, candidato Ketty, a resposta está aqui nesse dossiê que o meu assessor me entregou...(procura o dossiê)...cadê esse troço...Blaaaair! Cadê o dossiê, caceta?

BLAIR: Aqui, senhor! Chegou agora, eu estava xerocando...

BUSH: Damn good! Bom, candid....eu já disse que não precisa enxugar meu rosto, porra! Vai sentar! Bem, candidato Ken, os motivos para termos invadido o Iraque foram...(lê o dossiê)...”a costa da França é vulnerável e podemos entrar diretamente por Saint Barts e depois chegar a Paris”, wait a second! What the fuck is this, Blair?

BLAIR: Ih, dossiê errado. Esse é o confidencial, sobre aquela invasão da França que o senhor estava pensando...

BUSH: Shit! Cadê o do Iraque, porra?

BLAIR: Será que eu copiei errado?

BUSH: Vaza daqui, incompetente!

MEDIADOR: Candidato Bush, sua última pergunta...

BUSH: Candidato Kleston, o senhor já viu a do padre?

KERRY: Não.

BUSH: Levanta a batina que vai ver! Aahahahahahahahahahahahah! I got´im again!!!!!!!!

Guitar Grinder News Network

quinta-feira, setembro 30, 2004

O MUNDO TÁ FODA

Uma zapeada pelas notícias e você vê pérolas como:

1 - Michael Jackson teria filho norueguês
2 - Babi e o namorado em Aruba
3 - Xuxa e Szafir levam Sasha para esquiar em Bariloche
4 - Apenas 2% das mulheres se acham bonitas
5 - "Economia mundial vive auge", diz diretor do FMI

E olhe que eu nem fumo aquele negócio do capeta...

quarta-feira, setembro 29, 2004


Eis as conclusões a que cheguei depois de ter assistido Anos Rebeldes mais uma vez, nesses dois dias que eu passei de molho em casa (me eximam de explicar o motivo, por favor):

- Cláudia Abreu tem o sorriso mais bonito da TV brasileira

- João Alfredo, personagem do Cássio Gabus Mendes, é um pé no saco.

- O áudio da minissérie é sofrível

- Há derrapadas inacreditáveis no roteiro. Expressões como "check-up" e "estresse" são utilizadas corriqueiramente em pleno 1964...

- Os personagens de Kadu Moliterno (Avelar) e Betty Lago (Natália) só aparecem na cama, depois de terem dado umazinha.

- Na cena em que Avelar coloca Juarez para dentro do consulado da Iugoslávia, dá pra ver um reluzente Gol quadrado (dos anos 90) lá no final da rua.

- Galeno Quintanilha é um nome foderoso.

- A cena da morte de Heloísa (Cláudia Abreu) é foda de triste.


Guitar Grinder News Network

sexta-feira, setembro 24, 2004

CONTO

Se vocês tiverem paciência para ler, esse é um pouco mais longo, e é da lavra mais recente.


LIGAÇÃO

Há tempos eu esperava por aquela ligação. Duas semanas, para ser mais preciso. Duas semanas, durante as quais eu esqueci de viver. Não me recordava de ter me alimentado de uma forma decente durante esse período, e só me dei conta disso ao ver vários sacos de salgadinhos Elma Chips e latas de refrigerante espalhados pelo chão do apartamento. Notei que minha barba também tinha crescido, por mais absurda que eu considerasse a idéia de me ver barbado. Mas como eu não tinha estado em frente a um espelho durante as últimas duas semanas, tudo bem.
Olhava atentamente para o telefone quando um cheiro estranho chegou às minhas narinas. Era eu mesmo. Lembrei que também não havia tomado banho enquanto esperava pela fatídica ligação. Duas semanas. E o telefone insistia em não tocar.
Resolvi me levantar da poltrona. Minhas articulações doeram e não consegui evitar um grunhido. Acredito que estava sem me movimentar por um bom tempo. Num esforço sobrenatural, andei um pouco pela casa. Havia poeira pelos cantos, numa demonstração de que até mesmo o ambiente doméstico carecia de cuidados. Andei até a cozinha e me virei para o olhar o telefone, como se não quisesse perdê-lo de vista, e pior: como se aquele olhar idiota fosse fazê-lo tocar.
De fato, não tocou. Abri a geladeira e tomei um pouco de água. Nunca um copo de água me pareceu tão saboroso. Lembrei que não sorvia aquele líquido há um certo tempo, vai ver era por isso que a substância insípida, incolor e inodora me pareceu tão gostosa, colorida e cheirosa. Voltei à poltrona, ainda sentindo dor nas articulações do joelho. Sentei-me, e mais uma vez, voltei a encarar o telefone.
Há tempos eu esperava por aquela ligação. Catei os sacos de salgadinho e as latas de refrigerante e joguei num canto da sala (tive preguiça de ir de novo até a cozinha para colocá-los na lixeira. Faria isso depois). O telefone continuava sem emitir sinais de vida. Tive vontade de tirar o fone do gancho para ver se o aparelho estava realmente funcionando, mas lembrei que, no exato momento em que eu puxasse o fone, a ligação poderia vir. Dada a minha maré de azar àquela altura, acho que isso aconteceria, sim. Desisti de checar se o aparelho funcionava.
Olhei em direção à janela e vi um raio de luz do sol entrando pela sala. Deveriam ser umas 15h, 16h, sei lá. Sei que era tardezinha. O sol me fez lembrar de outra coisa que eu havia esquecido nessas duas semanas em que estive esperando pela ligação: o mundo lá fora. O sol nasceu e se pôs algumas várias vezes durante esse período, as pessoas viveram, fizeram coisas com suas vidas, e eu aqui, esperando. Mas era preciso esperar. O telefone tocaria mais cedo ou mais tarde.
Algo me dizia que ele tocaria logo. Isso porque eu já havia me dado conta de que estava mofino, sentando numa poltrona, barbado, sem tomar banho nem comer direito há duas semanas. E também já tinha levantado para tomar um delicioso copo de água, além de recolher os sacos de Elma Chips e as latas de refrigerantes espalhados pela casa. Isso representava um progresso. Sim, o telefone iria tocar em breve.
Tentei fazer uma espécie de exercício para desentravar os joelhos. Sentado na poltrona, flexionava levemente as pernas, até que elas estivessem em linha reta. Movi um pouco os braços, para ativar a circulação. Estava me sentindo bem melhor. Levantei e andei mais um pouco pela casa. Dessa vez peguei todos os sacos de salgadinho e as latas de refrigerante e coloquei-as no devido lugar. Agarrei uma velha vassoura e varri um pouco a casa. Abri as cortinas e o sol do fim de tarde entrou com toda força, dando um tom amarelado à sala.
Sim, estava perto. Nada explicava aquele arroubo de energia que havia tomado conta de mim. A ligação viria, e não demoraria. Pensei em tomar um banho e fazer a barba, mas lembrei que o telefone tocaria em tão pouco tempo que não daria para renovar o visual. Sem problema, eu o faria logo após resolver aquilo tudo.
Senti fome. Meu estômago revirou e eu pensei num belo Filé à Parmeggiana. Como eu era um péssimo cozinheiro, teria apenas duas alternativas: descer ao restaurante mais próximo ou encomendar o filé. As duas, claro, estavam fora de cogitação. Não me afastaria do telefone, nem o ocuparia para pedir comida. O filé poderia esperar.
Andei pela casa, e a letargia de antes dava lugar à ansiedade. O sangue circulava mais rápido pelo corpo, os músculos estavam tensos. Foi aí que aconteceu.
O toque ecoou pela casa como um estrondo e fez meu coração disparar. Corri em direção ao telefone. Não consegui puxá-lo de uma vez, fiquei ouvindo os toques como se fossem uma compensação pela espera tão longa. Com as mãos trêmulas, puxei lentamente o fone do gancho. Meu coração por pouco não me saiu pela boca. A voz, por sua vez, saiu como um fiapo.
- A....a....alô?
Do outro lado, uma pequena espera. Mas aquilo que eu desejava ouvir não tardaria a vir. Pelo menos eu esperava. Mas uma voz vacilante irrompeu do outro lado da linha.
- É da casa da Tânia?
Não, não era. Desliguei o telefone sem sequer responder. Não era possível. Eu estava certo de que a ligação viria, tive todos os sintomas de que ela estava próxima. Voltei a pensar e a viver por míseros minutos, e aquilo não deveria ser em vão. Saí do estado de coma em que me encontrava por duas semanas para me preparar para a ligação. Mas ela não veio. Tecnicamente veio, mas de uma forma completamente equivocada.
Depois que a adrenalina baixou, eu peguei o telefone. Pouco me importava se a real ligação pudesse vir naquele exato instante em que o fone estivesse fora do gancho. Pra mim não importava. Havia coisas para serem feitas, e eu precisava usar o telefone para dar cabo delas. Abri a caderneta e procurei o número. Aquilo iria acabar.
Disquei. Não demorou para uma voz feminina atender. Disse-lhe tudo que estava engasgado.
- Um Filé à Parmeggiana. Em quanto tempo chega? Ah, uma hora? Não dá pra ser antes? Ah, vá lá...tudo bem. Troco para R$ 50,00, tá? Obrigado.

quinta-feira, setembro 23, 2004


Menos um bandido mítico no Brasil. José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, foi detonado hoje de manhã, em plena Avenida Brasil, no Rio. Famoso por ter fugido de helicóptero do presídio da Ilha Grande, em 1987, Escadinha estava muito mais manso ultimamente. Trabalhava numa cooperativa de táxi e era responsável por uma creche, além de compro raps. Cumpria pena em regime semi-aberto e foi fuzilado enquanto dirigia seu táxi.
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Em mais uma grande contribuição, o amigo Júlio Jacobina me mostra uma lista das 10 pessoas mais odiadas no rock (vejam o link que ele deixou em um dos posts abaixo), feita por um site gringo. É sem espanto que vemos gente do naipe de Elton John, Bob Weir (apesar de eu achar o Jerry Garcia muito mais pé-no-saco), Fred Durst (esse é foda), entre outros.

Mas o primeirão, minha gente amiga, é ele mesmo. Sir James Paul. Aquilo que muitos de nós, fãs incondicionais dos Beatles, poderiam definir como heresia, no meu ver é totalmente plausível. Paul McCartney é, sim senhor, um cara chato e tabacudo do cacete. Pode-se dizer que ele é um mamão supertalentoso. Ou um talento extraordinário que caminha lado a lado com a tabaquice.

Há quem diga que o grande lanzudo dos Beatles era Ringo. Eu sempre achei o Paul, apesar de ser um puta fã dele. E lanzice não falta na trajetória McCártnica. Do refrão de "Mrs Vandebilt" aos clipes com Michael Jackson, Sir James alimentou com maestria a fama de chato e meloso. Portanto, caros amigos, quando lerem essa parada, não se assustem. Reflitam e cheguem à óbvia conclusão: Paul McCartney pode ser, sim, um saco.
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